Arquivos Mensais: Dezembro 2007


Isto surgiu para reflectir sobre uma coisa que tenho ouvido muito ultimamente. A importância das coisas intemporais.

A mim, tudo me parece ser tão intemporal como o tempo que uma ideologia de determinado contexto social demora a desvanecer e como o nosso próprio universo de ideias e conceitos vai mudando de valores consoante tempos e espaços diferentes.. enfim, os tais contextos.

A Rolls-Royce (e falo apenas dos automóveis) pode ser hoje percepcionada como uma imagem intemporal, porque os valores que a caracterizam são ainda hoje aceites e importantes. Não o são em todos os contextos sociais, mas para uma grande maioria (que têm e não dinheiro para pagar um RollsRoyce) são coisas vividas que fazem sentido. A Jaguar, a Bentley, a Chrysler e hoje em dia um pouco a Mercedes também, por exemplo mantêm alguma dessa estética. Talvez sem a substância toda da RR, mas suficiente para deterem hoje uma parcela dessas coisas intemporais.


O intemporal vem de longe, vem do passado. Porque o intemporal passou um determinado tempo para ser julgado como tal. Têm ainda que marcar determinados valores de forma substancial como uma espécie de cebola do tempo, cujas várias camadas entertêm quem se interessar e evadem assim a sociedade, quer de outros interessados bem como tudo e todos que lhes estão adjacentes, e prolifera.

A Ferrari, será intemporal?.. Talvez. Tomando como base a noção de performance, que é o que me surge de imediato quando penso na Ferrari, depressa percebo que este conceito encaixa melhor na BMW. Porque está impregnada transversalmente a toda a sociedade, é um carro que todos têm ou pelo menos coabitam. Os super carros estão, para mim, ligados a uma intemporalidade da ordem da infância e do supérfulo. Mas sob este ponto de vista, quer a BMW como a Ferrari não têm muita intensidade intemporal, se é que têm alguma. A performance e a importância desta não é ainda muita antiga na nossa sociedade, bem como ambas as marcas.
Mas associar a Ferrari somente à performance é um erro, a sua imagem é, até com mais ênfase do que a performance, associada ao excesso e ao sexo. E essa noção de viver a vida como se fosse o último dia, onde tudo são excessos, é talvez intemporal.. com as suas cores garridas, formas agressivas e sexuais. Desta forma a Ferrari também detêm uma parcela das coisas intemporais. Já a BMW não.


Posso por isso deduzir que a intemporalidade não está sujeita a nenhuma ordem nem a categoria, se a ideia de algo intemporal se prende somente a um contexto especifico de infância e não é reconhecida por toda a gente, deixa de ser intemporal. Intemporais são valores transversais a toda a sociedade, mais ou menos intensos em diferentes contextos, mas nunca únicos de um ou outro. Têm diferentes intensidades, e atravessam o espaço e o tempo, tanto quando as nossas ideologias – as predominantes pelo menos numa dada cultura – as deixarem.

Como é natural, existe muito mais abrangência para estas coisas intemporais, não é só relativo à projecção de imagem. A criatividade por exemplo, é de certo intemporal.



Vou aproveitar este tempito em que não consigo ainda dormir para escrever as minhas apreciações da Fuji Finepix S9600.

A ideia de comprar uma câmara digital mais ‘utilitária’ surgiu logo que a Canon Powershot A70 (que veio dos States e tudo :D, KEH.COM) da Guida começou a querer fazer efeitos especiais em vez de tirar fotos (:P), e do facto de precisar-mos de registar os pinipeus ( = gatos) e de ter uma câmara pequena e versátil para tirar fotos mais discretamente.
A Nikon D200 (que temos actualmente) é uma excelente câmara, mas é grande e pesada, com todos os defeitos e virtudes de um DSLR, sendo os defeitos aqui mais importantes (:P). Ou seja, andar sempre com objectivas atrás e ter de andar com olho atrás do visor para se ver onde se está a fotografar, e ainda de dar nas vistas cada vez que se tira uma fotografia perto de outras pessoas.
O objectivo era uma câmara pequena, com uma objectiva versátil, rápida, com boa qualidade de imagem, RAW e um LCD que ’se mexe’, e não muito cara porque, neste segmento de câmaras existem sempre ‘merdices’ que são inerentes à tecnologia que é nelas aplicada. E neste segmento, refiro-me à Panasonic FZ-50, que é também bastante boa, mas não melhor do que o a S9600.

A Fuji é uma marca que me têm marcado pela positiva, embora hoje olhe com algum descrédito para as DSLRs que têm no mercado, ainda tenho a minha Fuji S1pro que embora tenha pouca resolução e ruído em todas as sensibilidades (que é impossível de remover!), tinha e têm um alcance dinâmico imenso e era rápida (não tão rápida como a D200. isso sim é uma câmara muito rápida). Portanto sempre olhei para as Fuji como câmara para fotógrafos e não objectos digitais, até porque o interface da S1pro é um dos melhores que tive até hoje, só gosto mais da Nikon D200 devido ao anel e botões no topo esquerdo da câmara que combina com os que estão à frente a atrás, permitindo controlar tudo sem ter de esperar.

Esta Fuji S9600 é surpreendente! Não têm nenhum estabilizador óptico (ou digital) de imagem, mas nunca senti necessidade disso, além de que desfocado por desfocado, que seja mesmo uma coisa a sério e não um desfocado mais-ou-menos.
Ainda não percebi bem porquê mas conseguem-se tirar fotografias com velocidades muito baixas sem que esta trema. Obviamente não estou a falar de distancias focais de 200 ou 300mm, embora aqui também se consiga tirar abaixo dos 1/200s e 1/300s. Portanto é uma câmara que se segura bem na mão, não é contudo muito robusta mas penso que é normal para este tipo de câmaras. Com a objectiva de 28 a ~80mm conseguem-se tirar fotografias focadas com obturações de 1/8s (a 28mm já tirei a 1/2s), o que abre um novo leque de possibilidades para pessoas que, como eu, muitas vezes só tiram fotografias em interiores de noite, com luz artificial.
Então vamos lá por partes..

O LCD: O LCD ‘que se mexe’ não é dos mais flexíveis se pensarmos em ângulos de rotação, mas faz o trabalho para que é proposto e muito intuitivamente. Também nunca me deixou ficar mal e é quase impensável fotografar animais pequenos e insectos sem isso, é uma sensação semelhante a fotografar com uma câmara de médio formato tipo as Hasselblad, onde a câmara anda muitas vezes ao nível da cintura ou abaixo. Dava jeito alguma protecção, como na Nikon D200 por exemplo, ou existir a possibilidade o rodar para dentro como na Panasonic FZ-50. Contudo, acaba por não ser nada de especial.. até ver nunca lhe fiz um risco ou sujei aquilo. Por outro lado não é uma câmara robusta e não é boa ideia usa-la para fotografar em situações que a possam pôr em risco. O EFV é como o de uma câmara de filmar normal, mas não é nada de espectacular de se ver.. desenrasca :)

Focagem:
Convêm referir alguns aspectos negativos do sistema de focagem desta câmara. Em primeiro lugar a focagem automática é relativamente boa, funciona muito bem quando a luz é boa; bem quando existe pouca luz e estamos a focar entre os 28 e 80mm, e começa a querer procurar (não muito rápido) coisas quando se está nos 200 ou 300mm e a focar em pouca luz. Mas isto é normal neste tipo de câmaras (infelizmente).
O que me desilude na focagem, é quando se foca manualmente (coisa que faço bastante porque foco quase sempre com pouca luz). Ao contrário de uma SLR/DSLR, _não_ existe nenhuma indicação de quando se foca alguma coisa, e a magnificação que esta câmara apresenta no meio do LCD/EFV para auxiliar na focagem não serve absolutamente nada porque a imagem que lá se gera é de tal forma ruidosa que nunca se percebe quando está ou não focada, só funciona quando o que queremos focar tem contraste e a câmara está fixa, um exemplo é algo que tenha letras. Mas regra geral, é melhor olhar-se para a imagem geral apresentada no LCD, sempre se percebe a nitidez no geral embora sem certezas.
Focar manualmente na Fuji S9600 é uma questão de sorte :|

Imagem:
Tal como a Fuji S1pro (e provavelmente muitas outras câmaras da Fuji), a S9600 têm um bom alcance dinâmico e consegue-se obter bom detalhe de zonas escuras (leia-se maioritariamente sombras). Contudo, a vantagem disto em câmaras com o CCD deste tamanho é limitada ao ruído que estas geram nas sombras independentemente da sensibilidade a que tiramos as fotos.
A S9600 têm ruído desde o ISO 80 ao 1600. Em boas condições de iluminação é quase nulo até ao ISO 400 (o que é muito bom). No ISO 800 percebe-se bem o ruído e no ISO 80 só se percebe o ruído em zonas mais escuras, como sombras ou coisas pretas/escuras no geral.
O ruído é aceitável, mas a partir do ISO 200 já não se passa sem o Neat Image e reduções do tamanho de imagem. Isto porque a S9600 têm uma forma estranha de juntar os pixeizinhos em altas sensibilidades. Não faço a mínima ideia da razão disto, nem tão pouco me interessa, mas a 100% parecem existir zonas esbatidas em toda a imagem, uma espécie de ilhéus em diferentes áreas da imagem. É difícil descrever, mas ao reduzir a imagem isso desaparece :P.
Mais vale pensar na Fuji S9600 como uma câmara de 9MP até ao ISO 100 e de 6MP do ISO 200 ao ISO 800, de 3MP no ISO 1600. E penso que têm um ISO 3200 que reduz automaticamente a imagem, mas nunca o testei. Dito isto, convém lembrar que dentro do segmento é provavelmente a melhor a nível de ruído.
Para mim isto é indiferente. 6MP é suficiente, não o ideal, mas é suficiente. Para trabalhos a sério usa-se a D200 ou uma câmara do mesmo género, que não tem estes problemas com ruído. A Fuji S9600 é excelente ainda para se tirar fotografias de longa duração e especialmente em interiores – que, pelo menos os meus, têm muita sombra -, porque no ISO 80 e 100 têm pouco ruído, e não tem qualquer problema na imagem em exposições prolongadas, que são limitadas as 30 segundos, não é nenhum modo Bulb, mas já é bom.

Exposição:
Expõe bem, em modo automático tende a sob-expor. Como só uso o modo manual ou automático, não testei os modos de prioridade e muito menos daquela palhaçada com as figurazitas da noite, muito sol e essa treta toda. Não que tenha alguma coisa contra isso, mas para mim só está lá a ocupar espaço.

Interface:
O interface da câmara, quer como objecto e como software, é bom. É pena não ter um anel independente para regular a abertura da objectiva, só têm para controlar a obturação. E os modos de focagem macro podiam estar mais acessíveis. A nível do software têm um grande defeito, que reside na escolha de RAW ou JPEG. A principio fica escondido, depois quando se sabe onde está, demora-se muito tempo a lá chegar. E isto é importante pela seguinte razão…

Tempos:
Estas câmaras não são nenhuma dSLR. Mas esta pelo menos é rápida quando grava em JPEG, o atraso entre disparos é praticamente inexistente, mas é notória a diferença entre disparar com a S9600 e a D200, a D200 nunca pára nem nunca se atrasa seja em RAW ou em JPG. Existe um modo de fazer três disparos contínuos, que é bom, mas são só 3 fotos! Em modo RAW, com um Sandisk CF 2GB Extreme III, demora cerca de 5 segundos a gravar. E são 5s que se tem de esperar para o próximo disparo, quando se fala em animais, é MUITO tempo.
O flash é rápido a recuperar desde que não use a potência toda, senão demora uns 6 segundos a voltar a funcionar. E funciona bem até. É pena que não se possa alternar entre modo RAW e JPG mais facilmente porque ando sempre a alternar entre fotografar gatos e interiores do mesmo espaço, e se o espaço fica à espera, os gatos não.. alternar modos de RAW para JPG (para os pinipeus) demora demasiado.

Bateria, Ligações, Cartões e coisas chatas:
Aceita dois tipos de cartão, eu só uso CF. E o limite máximo é de 2GB. Usa pilhas normais daquelas NIMqualquercoisa, e duram bastante, ao ponto de não ter sido nunca uma preocupação. A nível de ligações têm as habituais com destaque para uma ligação, já existente na S1 pro, que liga a câmara directamente à corrente. O cabo não vem com a câmara, eu já o tinha, e dá muito jeito quando se está a tirar fotos em estúdio ou quando as pilhas acabam e têm que se descarregar fotos para o pc. Relativamente ao software, só vi o hyperutility (acho), é bom para ver imagens apenas. Normalmente faço a edição do Photoshop ou no Adobe Camera Raw, e uso o Picture Bridge (da Adobe também) para ver imagens. Na S1 pro o software permitia tirar fotografias por time lapse.. ainda não sei se esta dá.. quando tiver tempo e me lembrar disso, faço um post.

Mais sobre o Flash:
O flash que vêm com a câmara funciona bem, é tão bom como qualquer outro flash que só aponta numa única direcção. Não sei bem o alcance que têm, mas também é coisa que não uso muito.
Mas a S9600 têm uma ’sapata’ para um flash externo, não tem muitas conexões, não sei se consegue medir a luz através da lente ou não.. de facto, não sei que raio de flash é que aquilo aceita. Não é referido nas especificações nem na brochura de acessórios… e não tenho cá o manual agora para ver também.
Experimentei com o Metz Mecablitz 36C-2 e funciona bem. Não creio que a conecção para flashes externos consiga transmitir informação através das lentes (TTL), e estou reticente em usar o Nikon SB800 que aqui tenho, porque não sou nenhum técnico de equipamentos fotográficos e ainda posso estragar aquilo.
O flash externo, contudo, trás uma nova alegria a esta câmara e expande imenso o leque de ‘oportunidades’ que se podem capturar, o ideal era arranjar um flash todo ‘manual’ mas a cabeça com rotação em dois eixos. É ver o que a Metz, Vivitar, Sunpak (que me lembro agora) têm para oferecer.. e se vale a pena comprar.
ah! É o possível sincronizar a 1/1000s! :)

Resumindo, gosto bastante desta câmara! Custou 370€ na redcoon.pt, agora já deve estar mais barata. É versátil, 28-300mm, não é uma objectiva muito rápida: 2.8 – 4.9, mas funciona sempre bem, mais se tivermos em conta que se consegue manter focada com obturações lentas.
De resto, é muito boa de manusear, estável e flexível independentemente de onde se encontra o que queremos fotografar, e com uma gama se sensibilidades que DE FACTO se podem usar (tirando o iso 800 e 1600).
Só lhe tenho a apontar o facto de não ter um sistema de focagem manual decente, de não ser tão rápida em modo RAW como gostava, e por último, de não focar mais rápido com pouca luz artificial e nos 300mm em condições não favoráveis mesmo com uma iluminação decente.
Mas é uma câmara boa, capaz de excelentes resultados se tivermos em conta as limitações que são inerentes a este tipo de câmaras, nomeadamente ao nível do ruído acima do ISO 100 (que embora funcional já requer alguns cuidados especiais), da velocidade de focagem com pouca luz e velocidade de gravação em modo RAW. Mas isto são tretas para um preço destes.

Não é uma câmara boa para pós-edição, devido ao ruído sempre presente, que embora seja ínfimo no ISO 80 e ISO100, ao tratar a imagem é natural que começa a salientar-se. Mas para isto existem as SLR digitais.

Qualquer pergunta/correcção, basta comentar :)