Arquivos Mensais: Abril 2008



Há dias vi este filme e gostei. O que me fez ficar a ver foi aquela música da festa funk que aparece logo ao início (o “Rap das Armas”), se essa cena fosse diferente acho que não tinha ficado para ver.

Quanto à história narrada no filme, está no IMDB e é pouco interessante. De facto existe tanta coisa mais interessante no filme que provavelmente não vou falar de tudo.

Gostei da sobreposição do actor sob a personagem, a qual é sempre justaposta ao seu lado pessoal, e penso que é por isto que existe o fascínio pelo Cap. Nascimento.

É uma personagem que resolve problemas de uma forma que toda a gente gostava de resolver, mas que, tal como no filme, seria injusto. Daí que, no dia-a-dia, não se veja disso muita vez (pelo menos aqui onde eu vivo :P). Eu gostei desse aspecto da personagem, identifico-me com ela para outras decisões que tomo :P. Mas este tipo de atitude só ganha significado se a abstrairmos do contexto do filme.

De resto é um filme que por basear o seu argumento na esfera pessoal de cada personagem, roça por vezes no documentário, sem tomar partido de nenhum dos lados (um aspecto curioso já que é narrado pelo personagem principal), embora o ponto de vista seja o da BOPE (Batalhão de Operações Policias Especiais). De facto, achei tão estranho o registro que fizerem desse batalhão no filme, que ainda tive de ir ver se existia mesmo, mas é verdade, de facto existem, embora duvide que seja da mesma forma de que no filme.

Como em quase todos os filmes brasileiros que vejo (ou todos mesmos), a forma como retratam o quotidiano da universidade e das ruas fora da favela, é sempre simpático. Com pessoas muito humanas que parecem ter consciência da condição humana, que quase usam o corpo como adorno para as ruas e os locais que habitam (será da fotografia?), e que a mim pelo menos, me transmite uma alegria e naturalidade muito particulares, já que por aqui por Portugal não se vive isso.

É um filme que nos faz reflectir sobre os nossos gestos, embora nunca perceba bem o que se passa pelo Brasil porque não moro lá, e não tenho uma opinião formada sobre os assuntos que este filme vai abordando. Mas o argumento é excelente, e se olharmos para os resíduos da realidade brasileira que nos chegam, é fácil perceber a verosimilhança das personagem e dos seus actos.

Também é curioso o facto da violência e tensão retractada no filme não ter grande impacto. Já que toda a gente deve ter visto bem pior em documentários ou nas noticias. A violência psicológica, tal como no dia a dia é deixada para depois. Um aspecto importante no filme.

Ah! já me estava a esquecer do apontamento deixado no filme de Michael Foucault, que quanto a mim, resume parte da mensagem do filme e explica muito do que se passa na narrativa. Um ponto alto do filme reside na cena em que alguns “dizeres” do sr. Foucault são discutido com grande hipocrisia e falta de sentido critico por uma classe média/alta lá retratada.

Não sei porque é que estes filmes não passam no cinema aqui, nem porquê é que não passam alguns filmes que surgiam por vezes no canal Brasil (que já desapareceu da TV cabo em Portugal) e que eram igualmente bons. Fico sempre com a sensação que é por desfazerem a imagem que a TV Globo constrói do Brasil, aqui em Portugal.


Ora, ‘atão’ aqui vai uma ‘composição’ sobre o que achei de vários filmes que tenho visto ultimamente.

1. No Country for Old Men.

Achei bom. Ultimamente já pouco me interessam os realizadores (tirando uma ou outra excepção), os argumentistas, directores de fotografia e muito menos os actores e actrizes. O que importa é que o filme me consiga cativar e suscitar o meu interesse. Este filme, nem o era para ver, mas um dia cheguei a casa e resolvi abrir o ficheiro só para ter uma ideia de como era, ainda andei com a barra de navegação para frente até que fui dar à cena onde o menino mau lá do filme manda parar um senhor e procede à sua ‘eutanasiação’ com uma arma qualquer que tinha como base uma botija de ar comprimido (?). A expressão do homem e a tensão da cena convidaram-me a ver o resto do filme com mais calma, sem andar para a frente com a barra do Movie Player.


Pareceu-me um filme que vai relatando alguns factos da vida sob algumas personagens e sob os seus diferentes contextos. É um filme que é feito de dois filmes que reflectem ritmos, valores e um ser-se no mundo completamente diferente. Embora a nível temporal até se encontrem perto, basta pensar que um dos filmes retrata os nossos pais por exemplo e o outro nos retrata a nós (e nós, refere-se a alguém com 27 anos, filho desses pais, que devem ter à volta de 58 anos :P). Esta é a diferença de idade de ambos os filmes que o NCFOM passa.Sobre a história não vou falar nada, para isso vê-se o filme :P Achei curioso que por omissão, se faz muitas alusões a séries como o CSI por exemplo, e que nunca figuram por lá, embora locais de crime não faltem. E isso é interessante para a narrativa do filme.
Achei ainda interessante o paralelismo do filme antigo que passa no NCFOM e um outro filme que vi poucos dias depois, o Vanishing Point. Que se passa no mesmo tempo desse filme antigo, mais precisamente em 1971.

2. Vanishing Point

Já algum tempo andava com alguma curiosidade de ver este filme, devido a coisas como estas: http://www.youtube.com/watch?v=xS7ZNrWUGNQ , http://www.youtube.com/watch?v=Bz3Ow3Fa5SI ou http://www.youtube.com/watch?v=zs3UyHCSyNg. Sob as quais me tenho vindo a interessar bastante, mas só à uns tempos é que cheguei ao titulo do filme e lá o ‘descarreguei’. Não conheço nenhum filme como este, passa-se tudo dentro ou sobre o carro. Parece até um anúncio de uma hora e tal da Dodge, com uma personagem incrivelmente estereotipada, penso que hoje só mesmo em séries infatis é que se encontram personagens assim. Mas que mesmo assim convida a ver. De facto existem duas personagens, o sr. personagem principal e o carro onde anda, um Dodge Challenger R/T de 1970 (a Dodge, já agora, comercializa alguns modelos em Portugal, o que diminui essa alienação face a marcas ‘amaricanas’ e que abundam na maioria dos filmes que se vêm em Portugal, embora essa fase dos antigos carros musculados não tenha passado por aqui.. penso eu.)


É ainda um filme que passa por uma série de outros filmes que vi (vai-me lembrando deles), embora de uma outra perspectiva, menos sexual, mas que vai transparecendo o mesmo aspecto positivo de esses outros filmes que vou encontrando. E acho que é de facto um filme muito positivo e que apela de uma forma muito simples e acima de tudo, muito resumida, à liberdade com comparações também um tanto ou quanto exageradas. No entanto, gostei de o ver, pela mensagens que transmite e por essa forma como o faz, que me faz pensar na simplicidade das coisas à uns bons anos atrás (aparente nas pessoas desse tempo, que eu conheça pelo menos) na clareza nos objectivos e ideias de cada um, nos obstáculos simples e óbvios que haviam, no crescimento de algumas tecnologias que agora são comuns, ‘etc., etc.’ (:P). Mas também me cativa pela fotografia, pelos locais onde é filmado, pelo carro em si, e por uma atitude que esse tipo de carro transpira, cuja descrição já não vai ao encontro desta ‘composição’ sobre os filmes que vi. No entanto ha dias vi um filmezito no Youtube que dá para ouvir o barulho que fazem as portas a fechar (do mesmo modelo que figura no filme e tudo):http://www.youtube.com/watch?v=WB7ltgcJECYnada subtil e abafado como o dos carros actuais :P é mais mais honesto talvez.
Fico ainda por falar em dois filmes da treta da senhora Catherine Breillat, o Brief Crossing e Anatomy of Hell (são ambos uma porcaria :P), bem como outro que aqui tenho chamado ‘Guardami’.. os quais, já que não têm muito a dizer, vão servir de ponto de partida para fazer outra composição sobre a abordagem ao sexo nos filmes.