Arquivos Mensais: Junho 2008


(quadros rígidos de BTT ! os de estrada ficam para quando comprar uma bicicleta dessas, coisa que quero fazer também)

Já na expectativa que me vá desiludir com o quadro da Prime que encomendei há uns dias (e que chega amanhã por acaso), vou reflectir aqui sobre outros quadros que já tinha colocado na minha lista e outros que excluí.

De facto ao inicio, queria este quadro:

Voodoo Erzulie

é um Voodoo Erzulie, porque era de aço (Voodoo Cromoly, que deve ser o cromolio? normal 4130 mas cortado de forma diferente), e têm um bom preço para o peso, excelente geometria para mim (adequada às suspensões que uso) e suportes para V-Brakes. Embora, lá está, a zona dos drop-outs me deixe sempre de ‘pé atrás’ com medo de tirar a tinta do quadro e este enferrujar.

Depois vi este:

Voodoo Wanga

Um Voodoo Wanga, que ainda é o quadro que quero mesmo ter. É mais caro que o anterior mas é mais leve e têm aquelas coisinhas de metal onde se encaixa a roda de trás que me deixam mais seguro. Mantém todas as vantagens do anterior também.
Quer goste ou não do quadro da Prime, mais tarde ou mais cedo, vai ser este o quadro que vou comprar para mim, mantendo a suspensão (a RockShox REBA que já tinha aqui falado) e alternando com um garfo rígido como o Surly Instigator.
Sim, é verdade, experimentei uma bmx à uns tempos e adorei a sensação que um quadro e garfo de aço me transmitem. Daí que não contemple aqui quadros de alumínio (igual ao que já tenho e ao da Prime), escândio, titânio (mas só por causa do preço) e carbono.

A Voodoo é uma marca americana, e para aqueles lados, pelos vistos há quem trabalhe muito o aço. Embora não tenham muita representação pela Europa, onde ainda existe alguma coisa da Voodoo, embora quem tenha contactado já me tenha dito que na Inglaterra o distribuidor da Voodoo já a tenha largado. Nos ’states’ existem marcas como a Independent Fabrication (que constrói quadros à medida), Soma, Gunnar, Seven (sempre para o ‘caróte’), a Brooklyn Machine Works (já são quadros que não se adequam bem ao que quero agora, que é muito idêntico ao Cross Country), que por serem complicadas de arranjar aqui, dispendiosas de mandar vir e sem grandes vantagens a apoia-las (face ao que se arranja por cá), acabei por excluir. Sendo a única excepção a Salsa.
No canada, conheço a Dekerf, Kona, Cove (a Handjob :P) e Rocky Mountain. Sendo que aqui, tirando a Dekerf (ainda nunca vi à venda em loja nenhuma), tudo é comercializado na Europa, embora não goste da relação preço/recompensa destas propostas.
Em ambos os países devem existir muitas mais marcas que usam o aço.

Fica aqui uma foto de um quadro que sempre gostei da Brooklyn Machine Works:

Por cá, a proveniência dos quadros de aço vêm, até ver, maioritariamente da Inglaterra. Muitas já deixei de parte também, como o Charge Duster (deve ser dos quadros com uma ‘pintura’ mais gira que vi. EU ACHO! :P), Cotic Soul (o meu tamanho está esgotado, e uma medida para o tubo de direcção estranha…), Genesis Altitude 853, Orange Prestige e Orange P7, DMR Trailstar que embora tivesse ponderado bastante acabei por excluir devido quer ao peso como ao espaço para a roda traseira como à geometria corrigida para garfos maiores. Motivos que me levaram a excluir também a Dialled Prince Albert que ainda me deixou extremamente desapontado por não responderem a uma pergunta que lhes fiz sobre o quadro, coisa que no site deles parecem extremamente receptivos em responder. Ainda neste país, o On-One 456, que têm um bom preço/peso embora limitado na geometria e pior, está esgotado. Só em Dezembro. Pelo que já o excluí, sendo que este problema de stock parece ser normal em micro-fabricantes com produtos bom mas de poucas vendas, já que o mesmo se passa com a Cotic.


On-One 456, têm uma maior distância do eixo pedaleiro ao encaixa da roda de trás, o que me agrada

Também da Inglaterra, a Surly, que a nível de quadros, têm a Pugsley que me interessa imenso, mas só daqui uns tempos é que espero comprar um e rodas/pneus/garfo a condizer ;)

Surly Pugsley

Da Alemanha, só conheço a Zonenschein, sendo o quadro o Pyrrhon XCountry, que embora tenha um peso incrível, é caro de mais para o que quero dar por um quadro.
Em ambos os países, e provavelmente em muitos outros, devem existir mais marcas que fazem este tipo de quadro, e muitas devem faze-lo para quadros de saltos (os tais de Street e Dirt, como a DMR por exemplo), cuja geometria e peso não são os mais adequados aos meus interesses. Mas não sei onde se podem comprar nem tão pouco que existem.

Todos os que falei a cima, não me parecem ter vantagens face ao da Voodoo ou ao da Salsa (o Ala Carte que falei nuns posts atrás) que é a minha outra escolha. Todos são mais caros com excepção do Dialled Prince Albert e Genesis Altitute e/ou mais complicados de arranjar. Quase todos têm uma geometria que me agrada sendo que o ’slooping’ (a inclinação do tubo horizontal, aquele que vai do selim ao guiador) muitas vez não é tanto quando queria, poucos têm angares do desviador traseiro substituível que me importa, não por razões de resistência, mas por causa da pintura. O que se tem tornado um factor de exclusão.
Sobre essa coisa do slooping, um quadro que sempre quis (já em alumínio) foi este Corratec SuperBow:

Corratec SuperBow
(se alguém souber onde se pode comprar só o quadro, que diga, ainda sou capaz de ficar pelo alumínio :P)

A Gary Fisher também tem quadros bons neste aspecto, mas não os vendem em separado.

Estou a basear esta compra na minha experiência, fisionomia, objectivos e em informação que fui lendo sobre materiais, tubagens e construções de quadros (que já me arrependi de não ter guardado para reler e postar aqui os links). Embora, toda esta informação seja inútil face aos poucos dados sobre os quadros fornecidos pelos fabricantes, como espessura dos tubos nos vários locais do quadro por exemplo (lembro-me que havia uma marca que dizia isto, tinha a ideia que era a Chumba Racing mas afinal não é). Também existem alguns mitos sobre algumas partes dos quadros que dizem torna-lo mais rígido como aquelas partes que unem as escoras traseiras ao tubo do selim (semelhantes ao quadro da On-One, 456) em cima e em baixo (junto ao eixo pedaleiro). Digo mitos, porque são coisas que quem experimenta (ou não) confirma ou desmente e parecem estar relacionados com um todo do quadro como a forma e espessura de cada tubo.
Cá está um exemplo dessas ligações que falei, no quadro da Nicolai (marca da qual gosto bastante, quando estou a sonhar :P):


e

Outros exemplos nos detalhes do Ventana El Chiquillo.

Existe ainda a forma do tubo que liga o eixo da roda de trás com o tubo do selim, já que dizem que em curva, como o deste quadro da gama Race da Lapierre (que não vende os quadros em separado), é mais confortável:


(Embora só tenha visto isto em quadros de alumínio.)

As secções do tubo que liga o eixo pedaleiro ao tubo de direcção também são alvo de alguns mitos. Há quem realce que uma secção elíptica perto do eixo pedaleiro e oval perto da caixa de direcção, permite maior resistência aos impactos da roda da frente e ao mesmo tempo mantém uma rigidez lateral elevada no eixo pedaleiro, o que por sua vez torna a pedalada mais eficaz. Aqui também é costume realçar a fina espessura do tubo que varia consoante o local, pelo que se concluí que tubos finos têm de compensar pelo tamanho. Contudo, quadros excelentes como os da Cannondale, não são assim. Preferem antes ter uma tubagem mais larga e sempre circular, e nunca ninguém se queixou de nada. Mais uma vez, tem mais a ver com um todo, do que um ou outro detalhe. O quadro Yeti Arc por exemplo, bem como os Lapierre Tecnic, têm uma forma peculiar perto do tubo de direcção. Será pura estética ou serve alguma função ?

Também os chamo de mitos (que felizmente, passam um pouco ao lado dos quadros de aço), porque não existem testes (à excepção de um site alemão que já não sei qual é também) que analisava a rigidez de alguns (pouquíssimos) quadros. E como tal, olhar para um quadro sob esse ponto de vista, é olhar informação que ninguém sabe bem interpretar. A única solução parece-me ser experimenta-los. Pior só mesmo a escolher um quadro de carbono.

Portanto, na conclusão da reflexão que fiz aqui, mais para dar um ponto final ao que tenho pensado ultimamente, no futuro vou andar em cima de uma Voodoo Wanga ou, caso não a consiga arranjar, de uma Salsa Ala Carte.

Pelo menos, as que eu conheço :P

Há dias apontei alguns problemas e retrocessos que me deparei nas lojas de bicicletas. Como entretanto, tenho ido a mais lojas, vão surgindo alguns outros retrocessos que originam alguns problemas, não só em lojas de bicicletas mas em muitas outras, embora sempre relacionadas com desporto.

Talvez ‘valha mais a pena’ separar essas coisas por personagens e pôr um tracinho atrás de cada um para poder falar delas à vontade sem que existam confusões (foi exactamente isto que pensei :P):

- É comum dois tipos de personagens nas lojas. Por um lado vejo o “empresário” que ‘vende milhões’ e num outro, o “comerciante” que montou um pequeno negócio e quer vender porque até existe gente que de vez em quando costuma comprar uma coisa ou outra, dentro do género de artigos.
Quer o primeiro como o segundo, contagiam o negócio com o mesmo problema, já que estão preocupados somente com números e não percebem bem o que estão a vender nem as necessidades que o cliente tem. São normalmente quem se queixa da crise, que devem certamente sentir, porque não parecem ter qualquer critério em escolher os artigos, não têm flexibilidade para encomendar nada, não sabem explicar ao cliente as vantagens e particularidades de cada artigo, e pior, assumem que toda a gente é mal informada como eles. Pelo que juram a pés juntos que o que têm a disposição é o melhor e o mais recente, mesmo quando toda a gente vê, quer nos sites dos fabricantes como em outras lojas que as colecções já são outras.
De facto, a única diferença entre ambos os personagens é a pose.

- Num lado oposto, mas dentro do espectro do que é mau (:P), existe outra personagem. É a do “especialista” (ou “expÉr”, como muita gente teima em dizer), que representa uma ou outra marca, e normalmente todos os concelhos tendem a apontar para as mesmas como as melhores. As outras são boas, mas as que ele representa e tem, por detrás das cortinas, mais vantagens em vender, são mesmo espectaculares e mais! Têm um excelente preço para o que oferecem. São marcas ‘muito à frente’ como dizem, todas as outras são acompanhadas com um nariz meio torcido e uma mão a acenar mais-ou-menos.
Toda a gente, sabe ou devia saber, que os vendedores têm vantagens se venderem mais de X ou Y. É assim mesmo, não tem nada de mal, mas é daquelas coisas que convém mesmo ser honesto e claro, porque embora enganem pessoas mal informadas ou desinteressadas, perdem a confiança de quem têm mais informação.
E isto é um retrocesso. Para mim é a conversa do sr. vigarista, nem volto a pôr os pés na loja.
É também mais comum em lojas de bicicletas, que assume mais relevo e pertinência pela fidelização que isso gera face a essas pessoas ‘pior’ informadas. Uma fidelização pela negativa claro, mais ao jeito de coação psicológica.

P) o texto
(Esta imagem só está aqui para ALIVIAR (que grande piadola :P) a mancha de texto mesmo)

- O último que me lembro é mais ambíguo, vêm disfarçado e tudo ! E age de uma forma, que embora mais amigável é muito semelhante ao filme do Tarantino, o Reservoir Dogs (pelo menos, no aspecto da irmandade). Isto é, primeiro diz o que pensa que queremos ouvir, e o melhor é sempre o que a gente diz, mesmo que sejam contradições óbvias. Se no final for tudo em concordância às crenças do vendedor, fala como se pertencêssemos a uma irmandade, da qual só podemos sair sob pena de deixarmos de ser amigo dele e logicamente, de sermos considerados como bons na modalidade que praticamos. Se tudo correr em discordância do vendedor, trata-nos como uma palhacinho qualquer que não sabe nada do que está para ali a falar, e nem nos quer ver mais na loja, a não ser para gozar connosco.
Podem ser ambíguos mas ainda existem bastantes :P e é sempre gente engraçada para se falar, até porque, regra geral conhecem relativamente bem ou bem mesmo, o que estão a falar. Mas esquecem-se que toda a gente é diferente deles e não quer ficar envolta no universo do sr. vendedor, e, a mim repelem-me desde logo, quer concorde ou não com eles.
Para me identificar com personagens, prefiro as das séries de desenhos animados.

- Não, enganei-me! Afinal lembrei-me de outro personagem, que habita e é comum em lojas de roupa normal (daquela para se andar todos os dias :P). É empregado ou assistente lá da loja, que lá por organizar a roupa toda e ir ver se ‘há o número’, já pensa que é designer de moda e consultor de imagem. Já é mau confundir e desvalorizar a função que se está a exercer, é ainda pior porque se está a desvalorizar outras profissões, de designer e consultor de moda, como se fosse uma questão de andar numa loja de um lado para o outro e ver os catálogos. Mas a grande asneira, é olhar para toda a gente com arrogância, de quem quer ser uma coisa que não é, e mais uma vez, distorcer essa outra profissão, de designer, como se, por desenharem a roupa toda que se vende na loja, fosse motivo para se sentirem superiores a alguém.
..Também pode ser por terem consciência que fornecem o material publicitário de primeira linha (que é a roupa), pensarem que têm que personificar essa poder.. :P
O pior é que as pessoas parecem conviver bem com isto. Será que ninguém repara ? ou acha normal ?

Bom e penso que é tudo! Isto que escrevi aqui é estranho porque, são vivências recentes (e persistentes também) mas são exactamente iguais às memórias que tenho de quando tinha uns 6 ou 7 anos e ia com os meus pais às compras. Daí que as chame retrocessos. Passado 20 anos, nada parece ter mudado.

O que se passa afinal, que nenhuma loja têm o que quero, nem me é capaz de atender de uma forma profissional de forma a me ajudar em vez de repelir ? Cada vez que penso em dirigir-me a uma loja, não consigo de me deixar de achar uma palhaço, que vai repetir de novo um erro qualquer que cometeu no passado. Prefiro nem olhar para isto como uma ‘reflexo do país que temos’, ainda gosto de sonhar :P

Agradeço a atenção de quem se deu ao trabalho de ler isto,
Despeço-me com amizade!



Aqui vai a outra parte do meu postezinho sobre bicicletas. Este é reservado as mesmas e não a intermediários.

É assim que vejo as bicicletas, com este espírito pelo menos. Um veiculo que é movido por nós e que consegue multiplicar de alguma forma a nossa energia. Cada vez que vou a uma loja tenho contacto com pessoas segmentadas pela designação que o uso das bicicletas tem. É Cross Country, Downhill, Street, para aqui e para ali, e os ‘putos’ (= as pessoas mais novas que andam na escola secundária por exemplo) a usarem isso como uma redoma para uma tribo a que gostavam de pertencer. Dizem mesmo assim uns para os outros (ouvi isto hoje): “então mas és do Street ou do Downhill? ou és das ‘bikes’?”. Isso também é um motivo para não ir a lojas.

Quando comprei a minha bina (a Órbita ‘Europa’, de que só resta o quadro e suspensão), só queria andar para aqui e para ali com uma bicicleta porque tinha andando há uns dias com uma e gostei. Depois com o tempo, fui andando mais quilómetros, em caminhos diferentes, e em consequência, a investigar mais sobre o assunto. Após dois anos, ainda só não ‘raiei’ rodas, instalei caixas de direcções e cortei tubos de suspensão (e só não o fiz porque não quero gastar 400€ em ferramentas). Para mim andar de bicicleta é interpretar e viver o terreno, o tempo e o ambiente por onde se anda. Pelo intermédio da mesma (daí que seja importante saber o essencial de mecânica e ser autónomo quanto a isso). E é estar confortável e a divertir-me quando estou a andar.
Aqui não encaixam as designações de Downhill, XC e amigos. É ver um terreno, ver o que se quer fazer (não o que as bicicletas dizem que fazem), e montar as coisas à medida. Nem encaixa o vendedor desinteressado e intrujão, nem a empresa que não têm a noção do que é uma marca nem está inclinado a vender bicicletas para ciclistas.

Interessa ter opções, variedade, dinheiro para comprar coisas e tempo para andar ;)
Nem sequer vou referir o que acho ou não importante numa bicicleta. São muitos factores, muitos contextos e muitas fisionomias diferentes. Acho a bicicleta uma interpretação pessoal, com uma tecnologia acessível de ser compreendida por todos, e logo, cada um que investigue e experimente por si mesmo – é esta uma das grandes razões de a achar um veiculo tão interessante. A geometria é sem dúvida importante, mas também é o modo como se anda, onde se vai andar, a forma como o material é construído, a resistência, o peso, etc., etc.

Sobre as marcas que não são portuguesas (e estas também), têm-me desiludido a pouca oferta do quadros que vendem separadamente, e tenho-me ‘fidelizado’ às que o continuam a fazer, porque confio mais nelas e porque têm pessoas como eu em mente quando projectam as suas ideias. Não compram quadros ‘genéricos’ e colocam autocolantes que se vê bastante em várias marcas(não que sejam maus estes quadros), nem seguem modas e opções de ‘custo’, e estão interessados em oferecer personalização e logo, novas oportunidades de interpretas as ‘coisas’.

Para não ‘maçar’ mais, deixo aqui dois quadros que terei de voltar a considerar para mim:

Salsa Ala Carte

Uma Salsa Ala Carte .
onde só me preocupa a zona dos drop-outs (onde encaixa a roda de trás), dado que não têm “angares” substituíveis e tenho medo de ir tirando a tinta do quadro quando tiro e ponho as rodas (coisa que tenho feito muito últimamente). E o facto de ter de mudar para rodas e travões de disco.

DMR Trailstar

e esta DMR Trailstar. Em que os únicos aspectos que me deixam reticente são o peso de 2,700g, que pode ser complicado para o total do peso bicicleta quando se está a subir; e um relato onde se referia o pouco espaço que o quadro permite à grossura da roda de trás. Para quem gosta de pneus gordos, isso assusta um bocado.

O quadro Kona Explosif (diz-se kÓna :P) que referi no post anterior, já está excluído devido ao ‘enorme’ ângulo de 69º no tubo de direcção, coisa que não se adequa muito a mim.

Enfim, espero ter criado aqui um registro idiossincrático sobre isto de andar de bicicleta e não ter falado muito de mim.


Vou começar por falar destas entidades – lojas e ‘fabricantes tugas’ -, antes de partir para as bicicletas em si, que é um tema bem mais interessante.

Prime WRC

Decidi ontém, após ter cometido o erro de encomendar um quadro Prime WRC (porque é barato, 70€, e supostamente seria mais adequado do que o actual e vinha sem autocolantes. É o da imagem em cima), que nunca mais vou gastar dinheiro em quadros que têm lá o autocolante de alguma marca portuguesa. As marcas com que tive alguma interacção foram a Órbita, VAG e agora a Prime. E por detrás disto estão alguns motivos: como um serviço que teima em não existir; falta de informação crucial na compra de quadros (pelo menos) quer em coisas que se assemelham a sites como nos revendedores; e por último, pelo facto de venderem (porque os fabricantes já nem parecem criar nada) productos desligados de quem usa, de facto, a bicicleta. Este último ponto é, para quem tem alguma experiencia em andar de bicicleta, fácil de constatar ao olhar para os quadros, com um leque pequeno de tamanhos disponíveis, geometrias que ninguém parece conhecer (até o próprio fabricante, que deve chegar lá à fabrica da China ou Tailândia e compra a olho), e uma oferta limitada ou disparatada (VAG e Órbita) relativamente à relação preço/peso.

Se enfiarmos isto tudo num saco, a forma não é das mais atractivas e até parece assumir a de charlatão se as compararmos com qualquer marca de qualquer outro país. Para mim, nem parece assumir nada, é de facto um negócio do género dos bancos (= vigarista).

Tenho ainda curiosidade em conhecer a Masil, já que soube que fazem quadros à medida em aço. Mas sem informação disponível em lado nenhum, as expectativas já são baixas.

Um outro aspecto disto do negócio das binas é a loja local (que são aquelas abreviaturas nos textos em inglês, as LBS, Local Bike Shop). Só conheço as lojas de Leiria, e para falar a verdade, não gosto de nenhuma.
Assim por alto, um problema que penso que toda a gente se depara é o vendedor pressionar o cliente a comprar o que têm por lá. E isto, na maioria dos casos, é grave. Um exemplo é a venda de bicicletas. Se o tamanho que lá têm for um pouco mais pequeno ou maior para quem vai comprar, pouco lhes interessa. Querem é vender a todo o custo. As consequências disto são graves para quem acaba por comprar a bicicleta, dado que ao contrário de se divertir, vai passar a vida desconfortável em cima do que comprou, fazendo justiça ao dizer “Comprar uma coisa para amassar o corpo? Só se fosse masoquista!”.
Mas afinal de contas, lá na óptica do vendedor, para que serve essa coisa da geometria ? ‘óh minha sinhora! isso mais coisa menos coisa, vai tudo dar ao mesmo’…

Um outro problema, ainda comum, é que tudo o que não se vende numa determinada loja é uma porcaria. O que têm tendência a afunilar (o que é para ser entendido literalmente, afunilar de inteligência por exemplo :P) para o que parece ser uma guerra de marcas.

Por último, temos o senhor que queria ser vendedor de carros mas vende bicicletas, e fala em coisas disparatadas como: “se vender daqui a uns tempos têm mais valor”, “olhe que é um bom negócio! não se vai arrepender!”, “isto é uma marca que têm muito valor no mercado”, e coisas deste género.
É disparatado porque nenhuma bicicleta tem mais valor do que outra, não que a marca não faça diferença, mas ninguém que compra bicicletas usadas liga a isso (eu não ligo, pelo menos :P). Nem as bicicletas são uma amalgama de coisas misteriosas que ninguém conhece. É facil comprar componentes à parte e informação sobre os mesmo não falta, é publica e feita para o consumidor final. Ah, e são baratos! (pelo menos a maioria das coisas). E bicicletas não são investimentos! a não ser que se queira competir.

Existe ainda quem não ligue ao peso dos materiais, que é um factor importante, e só discordará disto quem nunca subiu nada com uma bicicleta.

Por último temos o preço. Eu compro normalmente em lojas alemãs como a bike-components.de, bike24.net, actionsports.de. Também já fiz compras na Fizzbikes (Luxemburgo, e não se arranja muita variedade, mas o que há, costuma ter bom preço) e raramente na Chain Reaction Cycles (Reino Unido), e Pato Cycles (aqui em Portugal). Também espero poder contar com a The Barracuda Company (loja belga), e Speedgoat (em Pennsylvania, nos EUA, e loja onde se contram Voodoo’s entre outras marcas bem interessantes). As diferenças só se notam nas coisas mais caras. Por exemplo, um quadro Kona Explosif, aqui custa 500€ mas ‘lá fora’ custa 370€. Uma suspensão RockShox REBA Race dual air de 2008, custa 379€ (c/ transportes) e aqui custa à volta dos 470€. Em peças mais baratas o preço ou é igual ou não compensa comprar pela ‘interweb’. Em bicicletas completas já é melhor comprar aqui, já que se pode testa-la antes de comprar e a diferença de preço, pelo que vi, não é nada de extraordinário.

Para mim, existem ainda o problema de tudo o que é de ‘nicho’. Dado que aqui vende-se tudo o que é ‘comercial’, aposta-se muito em marcas como a Specialized, Scott, GT e Trek. Têm coisas boas, mas não oferecem produtos como a Surly, a On-One, Voodoo e a Salsa por exemplo. E que forçosamente se têm de mandar vir da europa ou dos states.

Por isso posso concluir que para mim não há nada aqui em Portugal a não ser a compra de peças pequenas. E desde os produtos ‘portugueses’ às lojas e respectivos vendedores, só me ocorrem as palavras inadequação e frustração. Com maus produtos, preços estranhos (até me atrevia a dizer, preços de “novo rico”), gente parada no tempo e com pouca sensibilidade para esta coisa das bicicletas.

Excepções são algumas lojas que não chateiam ninguém (são 3 apenas) e a um distribuidor (infelizmente) excelente que á a Bicimax.

Segue-se um texto sobre as bicicletas onde será mais fácil perceber a razão deste ponto de vista sob as lojas e bicicletas, e aproveito para falar de marcas sem ser portuguesas. Mas segue-se.. daqui a uns tempos, não é para já!


Já há algum tempo que ando para escrever alguma coisa sobre interfaces de ambientes gráficos. Mas após remoer o assunto vezes sem conta, lá achei que o melhor era escrever aqui a minha conclusão: os interfaces do linux pervertem a percepção do sistema operativo em si.

Já experimentei o gnome, kde e xfce (este já depois da instalação do gentoo) e embora esteja a gostar bastante do xfce que deve demorar uns 6s a iniciar, não confiava nele para trabalhar a sério. O problema de todos eles é que tentam ser uma espécie de MS Windows sem fazer justiça (gráfica neste caso :P) ao linux. Ao contrário do Windows, que é ‘independente’, nos ambientes gráficos do linux não existe qualquer tentativa de visualização das possibilidades da linha de comandos do linux, relativamente à nossa interacção com dispositivos. E como tal, esse ponto é deixado para quem gosta de escrever (= linha de comandos), .. enfim, falta aquela coisa que se chama de visualização de informação. Será que os anõezinhos do linux sabem o que é isso ?

Na utilização de qualquer um desses ambientes gráficos (kde, gnome, etc), resulta um conhecimento muito pobre sobre o que se pode fazer com o computador, e não me estou a referir ao software disponível para o linux (como o Blender, Open Office, Gimp, etc.), o que estou a apontar é mesmo a nível de instalação e configuração de hardware. Um disparate, quando se têm uma linha de comandos imensa.
Consequentemente existe – para mim pelo menos – uma sensação de prisão constante. Dá ideia que em primeiro lugar existe muita coisa oculta, e depois não se pode mexer muito mesmo naquilo existe, se não estraga e depois não dá para arranjar. Sinto-me mais confortável no TWM que vinha com o pacote do X Server que instalei (alias, é um dos gestores de janelas que mais gosto !).

É impossível utilizar qualquer um desses ambientes gráficos e não os achar infantis. São giros e permitem configurar muitos aspectos gráficos, mas ficam-se por aí, não têm muitas capacidades de configuração de drivers, dispositivos, redes e afins. Será que se tem de instalar software ? num ambiente gráfico isto não devia de ser necessário. Por outro lado, os gestores de janelas já fazem justiça o linux. São interfaces maduros e que correspondem bem ao que o linux é. Não que os ache a única solução para um interface gráfico em linux nem sequer a mais adequada, mas de momento é a única coisa em que confio.

Acho que existem óptimos exemplos das vantagens da visualizar graficamente a estrutura e opções de aplicações que eram comuns nos tempos da linha de comandos. O winzip ou winrar por exemplo, fazem com que seja mais fácil compactar ou descompactar ficheiros. O thunar/explorer/konqueror e afins, tb são excelentes exemplos, dado que permitem visualizar toda a estrutura de ficheiros e ir para onde se quer sem os ‘cd isto’ ‘ls/dir aquilo’, sem deixarem de parte qualquer função dos comandos originais até porque o facto de visualizarem, bem como a própria natureza de um ambiente gráfico, só consegue é maximizar as possibilidades (não que seja o melhor para tudo). Acho isto tudo óbvio, mas num ambiente gráfico há que fazer isto em relação ao hardware, o que no ms windows é já um dado adquirido mas no linux não. O que não faz sentido nenhum, mais numa altura em que o linux até vai ganhando alguma popularidade.

Os ambientes gráficos do linux têm contudo um ponto onde são mais maduros que o Windows (além da variedade que dispomos para escolher, e da configuração gráfica que é por norma mais detalhada que no Windows): a organização do software que temos instalado. O que também é um bom exemplo das vantagens que se podem obter ao visualizar informação.

Ah! quando falo em ambiente gráfico, refiro-me aos desktops. Até porque referir-me somente ao kde, gnome e afins como ambientes gráficos, é um disparate. A linha de comandos é um ambiente gráfico, até bem útil para algumas coisas ou ainda mais adequado para algumas pessoas. Tem pouca resolução, mas não deixa de ser gráfico.

E prontos, são algumas linhas sobre a minha experiência com o linux. Não são as mais especificas e recheadas de exemplos (falta de tempo), mas já permitem levantar a poeira sobre este assunto que acho fundamental. Não é também um assunto tão aliciante como o sexo por exemplo, mas mantenho a promessa de analisar alguns filmes, daqueles com ’sustância’ sobre o assunto :P.

ah! relativamente o Gentoo. Embora até simpatize bastante com ele, acho-o inadequado para trabalhar a sério, devido ao tempo que tudo leva a compilar ( = instalações, re-instalações, actualizações, etc.). Mas penso que o vou manter, falta apenas testar o KDE quando tiver tempo.


Já ando a instalar o Gentoo há umas duas semanas.. :P também é certo que, a cada dia, não lhe dispenso muito tempo. Até ver o que mais problemas dá são os erros de compilação que não faço a menor ideia como resolver, nem sei sequer como interpretar a mensagem do compilador. O que experimento é reduzir os numero de pacotes de uma dada aplicação ou instalar outra coisa qualquer que dê menos trabalho. Enfim, os documentos de ajuda do Gentoo devem ser todos escritos no país das maravilhas :P (e não é fácil encontrar um errozito que uma aplicação que ninguém conhece deu num sistema qualquer com um hardware qualquer também)

A razão pela qual vou mantendo o que é chamado em muitos textos sobre o assunto de “aventura”, da instalação de um sistema operativo (o que me parece ridiculo), é porque não consigo olhar para o linux de outra forma. Para mim, se o sistema de baseia na linha de comandos, têm de se aprender a trabalhar com ela, e compilar o software parece-me também adequado para o optimizar para o nosso sistema, nem que seja para decidir o que quero ou não instalar de uma forma mais crua.
Está por isso fora de questão (por agora :P) instalar outra distribuição, como o ArchLinux e o Yoper, que também estou curioso em experimentar.

Como muita gente refere, também penso que a instalação do Gentoo é excelente para se aprender o linux, e é coerente com os meus objectivos, já que não me sinto confortável com outras distribuições como o Damn Small Linux ou o Ubuntu porque fico sempre com a sensação que muita coisa me passa ao lado e que, ainda por cima, me tentam ocultar.
Para mim, este contacto com um ecrã preto onde o texto é enorme e se consegue ver as linhas horizontais que andam atrás de cada letra que o vai povoando (pelo menos num CRT de 19″), é um refúgio da luminosidade de ambientes como o Windows, além de ser um encontro com o passado onde se usava o ms-dos.
Cada dia neste processo culmina num outro dia mais sólido e com maiores conhecimentos sobre o linux, o qual nem tenho necessidade de conhecer. Mas vale! nem que seja porque estou a aprender uma coisa nova.

Um outro aspecto interessante, de ficar mais-ou-menos sem computador, é umas férias da tarefa também mais-ou-menos intencional de arquivar e procurar coisas, como filmes, imagens (sim senhor, são de pessoas ‘destapadas’ :P) e livros. Sensação estranha, mas ainda não é preocupante.

Igualmente interessante é olhar para o computador como um espaço de constante reformulação. Se é um tanto exagerado definir a instalação no Gentoo como ‘divertida’, saber que ao ligar o computador vou remover algumas aplicações, alterar alguns dados, instalar outras aplicações (ou mesma de forma diferente), ver o resultado que dá, aprender com alguns erros, testar-me relativamente ao que sei sobre o sistema operativo, etc., etc (:P). Não deixa de instigar e de me fazer olhar para aquela caixa cheia de ‘pentilhices’ lá dentro como algo mais activo e divertido do que o uso normal que têm.
Para mim têm sido, entre outras coisas (:P), um acto libertador.

E prontos, despeço-me com amizade e com a promessa que é o útlimo post em geito de diário.


Finalmente tenho as drivers da nVidia para a minha velha geforce 2 MX 32mb (:P) e Xorg server a funcionar. Por mim, o sistema ficava assim. Sinceramente nem tenho vontade de instalar o KDE, mesmo já estando habituado ao Konqueror, Ktorrent, K3B, Kedit, KdiskFree (:P), GwenView e ao interface em geral.
Secalhar vou à procura de outro ambiente gráfico (agradecia sugestões :P), mais igual ao que aparece quando se faz # startx (após a instalação do xorg). De facto, para me sentir confortável, o ideal era que um browser como o elinks ou lynx conseguisse mostrar imagens, e haver um programa – como muitos no antigo ms-dos – que permitisse ver imagens e videos sem termos o X a funcionar. Se isto existisse, nem precisava de nenhum ambiente gráfico.

Mas como não deve existir, é melhor ir à procura de um ambiente gráfico, leve e mais abrangente no suporte ao software do que o fluxbox, mas com as mesmas capacidades de personalização do KDE (nomeadamente, a capacidade alterar o tamanho, escala, posição e opacidade da barra principal).

Quando tiver mais tempo, no post anterior sobre o Gentoo Linux, vou adicionar algumas resoluções aos problemas que lá estão ;)


Fui ver e gostei.

Não é um filme que suscite grandes analises, mas merece algumas palavras por ser diferente dos filmes anteriores. É mais fantástico e brinca descaradamente com o cinema em si (por época, personagens, tiques, tipos de filme, etc.), soa mais a BD e o humor é menos contido do que nos Indiana Jones anteriores e é mais ‘Quim barreiriano’ :P. Deixando ainda alguns apontamentos interessantes entre os diálogos das personagens.

Por isso, achei divertido. E faz bem ir ao cinema ver filmes assim (já tinha algumas saudades). Não tinha saudades é de me sentir pertencente a um grupinho de pessoas na mesma faixa etária, que viu os filmes do Indiana Jones quando era mais novo e resolveu reunir-se na sala de cinema para ver este último.
Pelo menos não haviam lá crianças a fazer barulho :D.


Tinha alguma esperança de falar aqui do desempenho do gentoo linux relativamente ao ubuntu. Mas o que é certo é que ainda não consegui instalar o xorg nem o kde, apenas instalei o kernel, portage, grub e as coisas do costume. O ‘erro’ (têm havido imensos) é logo no login inicial, já apos a tentativa de instalação do xorg, ‘root’ passou a ser um login invalido (bem como outros users que criei e que até tentar instalar o xorg funcionavam bem).

Ainda estou à volta disto (google e foruns em gentoo.org), para ver se resolvo o problema, mas o mais provavelmente é tentar, mais uma vez, instalar tudo de novo. Coisa para a qual já estou a perder a paciência.

Sobre o Gentoo linux sem modo gráfico não há muito a dizer, é igual aos outros (:P). Um aspecto positivo é sem dúvida o contacto com a linha de comandos e os seus ‘habitantes’ (especialmente o links 8D). Coisa que se tenta esconder no ubuntu por exemplo, mas que mais tarde ou mais cedo acabamos por ter de aprender. E agrada-me mesmo esta honestidade sobre o linux e sobre os sistemas operativos no geral. Como também gostei de compilar o software quando da sua instalação. E gostei porque é automático (:P) e porque tenho a expectativa que isso aumenta a eficácia (= velocidade) do software quando este corre num sistema ranhoso como o meu. Já não me agrada é o tempo que isto demora :P.

Se tudo correr bem e conseguir instalar o xorg e o kde, espero escrever alguma coisa mais útil e esclarecedora das vantagens (ou não) do Gentoo.

Até lá, fica o aviso de que o instalador gráfico do Gentoo, além de ser incrivelmente limitado, acaba por dar sempre erros que invalidam a instalação. E ainda, que os manuais de instalação, quer o guia de instalação rápida, como o gentoo handbook e os guias para instalar o xorg, drivers e kde (ou gnome e fluxbox), embora sejam ‘compreensivos’ não compreendem um série de problemas que podem acontecer e nem estão na sequência uns dos outros, ou seja, uns esperam que já se saiba alguma coisa sobre o gentoo e outros não. Coisa que, para quem não sabe muita coisa sobre o linux e o gentoo, torna a tarefa da instalação uma coisa que parece roçar no impossivel.