Arquivos Diários: Junho 26th, 2008


Vou começar por falar destas entidades – lojas e ‘fabricantes tugas’ -, antes de partir para as bicicletas em si, que é um tema bem mais interessante.

Prime WRC

Decidi ontém, após ter cometido o erro de encomendar um quadro Prime WRC (porque é barato, 70€, e supostamente seria mais adequado do que o actual e vinha sem autocolantes. É o da imagem em cima), que nunca mais vou gastar dinheiro em quadros que têm lá o autocolante de alguma marca portuguesa. As marcas com que tive alguma interacção foram a Órbita, VAG e agora a Prime. E por detrás disto estão alguns motivos: como um serviço que teima em não existir; falta de informação crucial na compra de quadros (pelo menos) quer em coisas que se assemelham a sites como nos revendedores; e por último, pelo facto de venderem (porque os fabricantes já nem parecem criar nada) productos desligados de quem usa, de facto, a bicicleta. Este último ponto é, para quem tem alguma experiencia em andar de bicicleta, fácil de constatar ao olhar para os quadros, com um leque pequeno de tamanhos disponíveis, geometrias que ninguém parece conhecer (até o próprio fabricante, que deve chegar lá à fabrica da China ou Tailândia e compra a olho), e uma oferta limitada ou disparatada (VAG e Órbita) relativamente à relação preço/peso.

Se enfiarmos isto tudo num saco, a forma não é das mais atractivas e até parece assumir a de charlatão se as compararmos com qualquer marca de qualquer outro país. Para mim, nem parece assumir nada, é de facto um negócio do género dos bancos (= vigarista).

Tenho ainda curiosidade em conhecer a Masil, já que soube que fazem quadros à medida em aço. Mas sem informação disponível em lado nenhum, as expectativas já são baixas.

Um outro aspecto disto do negócio das binas é a loja local (que são aquelas abreviaturas nos textos em inglês, as LBS, Local Bike Shop). Só conheço as lojas de Leiria, e para falar a verdade, não gosto de nenhuma.
Assim por alto, um problema que penso que toda a gente se depara é o vendedor pressionar o cliente a comprar o que têm por lá. E isto, na maioria dos casos, é grave. Um exemplo é a venda de bicicletas. Se o tamanho que lá têm for um pouco mais pequeno ou maior para quem vai comprar, pouco lhes interessa. Querem é vender a todo o custo. As consequências disto são graves para quem acaba por comprar a bicicleta, dado que ao contrário de se divertir, vai passar a vida desconfortável em cima do que comprou, fazendo justiça ao dizer “Comprar uma coisa para amassar o corpo? Só se fosse masoquista!”.
Mas afinal de contas, lá na óptica do vendedor, para que serve essa coisa da geometria ? ‘óh minha sinhora! isso mais coisa menos coisa, vai tudo dar ao mesmo’…

Um outro problema, ainda comum, é que tudo o que não se vende numa determinada loja é uma porcaria. O que têm tendência a afunilar (o que é para ser entendido literalmente, afunilar de inteligência por exemplo :P) para o que parece ser uma guerra de marcas.

Por último, temos o senhor que queria ser vendedor de carros mas vende bicicletas, e fala em coisas disparatadas como: “se vender daqui a uns tempos têm mais valor”, “olhe que é um bom negócio! não se vai arrepender!”, “isto é uma marca que têm muito valor no mercado”, e coisas deste género.
É disparatado porque nenhuma bicicleta tem mais valor do que outra, não que a marca não faça diferença, mas ninguém que compra bicicletas usadas liga a isso (eu não ligo, pelo menos :P). Nem as bicicletas são uma amalgama de coisas misteriosas que ninguém conhece. É facil comprar componentes à parte e informação sobre os mesmo não falta, é publica e feita para o consumidor final. Ah, e são baratos! (pelo menos a maioria das coisas). E bicicletas não são investimentos! a não ser que se queira competir.

Existe ainda quem não ligue ao peso dos materiais, que é um factor importante, e só discordará disto quem nunca subiu nada com uma bicicleta.

Por último temos o preço. Eu compro normalmente em lojas alemãs como a bike-components.de, bike24.net, actionsports.de. Também já fiz compras na Fizzbikes (Luxemburgo, e não se arranja muita variedade, mas o que há, costuma ter bom preço) e raramente na Chain Reaction Cycles (Reino Unido), e Pato Cycles (aqui em Portugal). Também espero poder contar com a The Barracuda Company (loja belga), e Speedgoat (em Pennsylvania, nos EUA, e loja onde se contram Voodoo’s entre outras marcas bem interessantes). As diferenças só se notam nas coisas mais caras. Por exemplo, um quadro Kona Explosif, aqui custa 500€ mas ‘lá fora’ custa 370€. Uma suspensão RockShox REBA Race dual air de 2008, custa 379€ (c/ transportes) e aqui custa à volta dos 470€. Em peças mais baratas o preço ou é igual ou não compensa comprar pela ‘interweb’. Em bicicletas completas já é melhor comprar aqui, já que se pode testa-la antes de comprar e a diferença de preço, pelo que vi, não é nada de extraordinário.

Para mim, existem ainda o problema de tudo o que é de ‘nicho’. Dado que aqui vende-se tudo o que é ‘comercial’, aposta-se muito em marcas como a Specialized, Scott, GT e Trek. Têm coisas boas, mas não oferecem produtos como a Surly, a On-One, Voodoo e a Salsa por exemplo. E que forçosamente se têm de mandar vir da europa ou dos states.

Por isso posso concluir que para mim não há nada aqui em Portugal a não ser a compra de peças pequenas. E desde os produtos ‘portugueses’ às lojas e respectivos vendedores, só me ocorrem as palavras inadequação e frustração. Com maus produtos, preços estranhos (até me atrevia a dizer, preços de “novo rico”), gente parada no tempo e com pouca sensibilidade para esta coisa das bicicletas.

Excepções são algumas lojas que não chateiam ninguém (são 3 apenas) e a um distribuidor (infelizmente) excelente que á a Bicimax.

Segue-se um texto sobre as bicicletas onde será mais fácil perceber a razão deste ponto de vista sob as lojas e bicicletas, e aproveito para falar de marcas sem ser portuguesas. Mas segue-se.. daqui a uns tempos, não é para já!