Arquivos Mensais: Julho 2008


Chegaram há alguns dias da Bike Components os meus novos garfos rígidos da Surly, o 1×1 e o Instigator (este ultimo já a pensar no próximo quadro Voodoo ou Slingshot). O 1×1 era para colocar na frente do novo quadro da Prime, o WRC, que comprei há uns tempos, com objectivo de tentar ‘corrigir’ a geometria do quadro que, já agora, tem um ângulo muito aberto no tubo de direcção, penso que algo como 68,5º ou 69º. E penso que estará já por volta dos 70º (o que quero são 71), mas por outro lado o slooping quase desapareceu e baixou um pouco a distancia do eixo pedaleiro ao solo, o que é mau.
Para trás fica outro garfo rígido, mas camuflado de suspensão, de marca Zoom (não sei o modelo).

Surly 1x1 Fork/Garfo
Para os menos atentos, a roda está montada ao contrário mesmo. Para a foto serve :P

Em circuitos urbanos/estradas:
A minha experiência com os 1×1 resume-se, nestes circuitos, a cerca de 70km de utilização urbana sobre asfalto, buracos, paralelos, lombas, alguns passeios e ciclovias. A versão para uso único de V-Brakes que comprei, pesa, sem cortes, 1,030g. Como tive de cortar quatro centímetros, penso que deve andar pelas 900 e tal gramas (mais para as 1000 do que para as 900, provavelmente :P).
Ate ver, só tenho a apontar coisas positivas, a começar pelo peso: subir é mais fácil, já que a suspensão anterior pesava decerto algo a volta dos 3kg. Estamos por isso a falar de um corte de aproximadamente 2kg, que se notam bem. A absorver vibrações é também visivelmente melhor do que a suspensão, coisa que se nota a andar em cima de paralelos. Existe à mesma vibração, mas é muito mais suave, muito mais confortável. Também é mais fácil puxar a roda da frente para cima para subir passeios por exemplo. No amortecimento dos buracos de estrada (que devem ter uns 5 cm de profundidade), pelo – a cerca de 30km/h é semelhante à suspensão. Um pouco mais rígido, mas nada de significativo, de tal forma que se tem de estar atento para perceber.
A diferença nota-se apenas em desníveis maiores. Descer de passeios altos sem posicionar o corpo mais para trás, torna o impacto mais forte, mas mais uma vez, não e nada de especial (já que não magoa nem e perturba). Mas deduzo que em trilhos com rochas/pedras granditas ou terreno muito acidentado e ‘duro’, obrigue mesmo a andar mais lento ou a mexer bastante o ‘corpixo’ :P E isso é a próxima coisa a fazer, andar com eles num trilho.
Ate ver estou a adorar a experiência de andar com um garfo rígido, penso que em trilho me vai obrigar a mexer mais os braços e o corpo que, sinceramente, é algo muito bem vindo. E buracos à parte, com um garfo rígido existe uma leitura natural do terreno, é mais precisa.

Os pneus que tenho usado para teste, são uns Schwalbe Kojak 26 x 2.00. São completamente ‘carecas’ como é possível observar na foto, rolam muito bem (permitem-me, e estou meio enferrujado, andar a velocidades entre 25 e 40km/h em subidas normais e rectas, sem me esforçar muito, mas também sem ‘grandes’ ventos contrários :P). Mas há que ter cuidado a travar a fundo em pisos onde existe alguma areia solta, ou somente travar quando existe areia mesmo. Ai, o mais seguro é andar lento. São pneus confortáveis também, mas já com suspensão andava com eles (ultimamente pelo menos), daí que os pneus não tenham influenciado em nada a minha experiência com este novo garfo. Muito embora, rodas para o gordo, sejam benéficas para estes garfos, por ajudarem no amortecimento.

Surly 1x1 Fork/Garfo
Símbolo da Prime :P

Em trilhos:
Só andei uma vez com este garfo num trilho, que deve ter cerca de 10/15km mas é exemplo daquilo que os trilhos são, só faltaram mesmo muitas pedras, uma ou outra saliência suficiente para dar uns saltos e mais raízes. Só me lembrei que ia com um garfo rígido quando já estava no trilho porque não notei diferença nenhuma. Mas existem diferenças, mesmo relativamente à minha velha suspensão Zoom qualquercoisa. Nota-se a velocidades superiores a 20km/h e obriga de facto a posicionar bem o corpo na bicicleta para amenizar o impacto, que acaba por nunca ser nada de muito ‘impactante’. Se o corpo estiver bem, é tudo suave. E mais uma vez, adorei a experiência. Já excluí completamente a compra da RockShox REBA Race Dual Air, que estava para comprar.
Isto porque me divirto muito mais assim, mas não é claramente uma coisa do agrado de toda a gente, é como andar com uma só velocidade na bicicleta (single speed). Há quem goste, outros não. E embora ache que esteja longe de substituir uma suspensão, recomendo a toda a gente experimentar (pelo menos) um garfo rígido e andar com o mesmo num trilho. É uma forma diferente de interpretar um terreno.
Do ponto de vista de quem não gostará, podemos dizer que não amortece nada a velocidades normais, que se perde tracção quando se passa sobre raizes, pedras e afins (se forem grandes ou se forem muitas), e que se cansa mais os braços.
Quem gosta, como eu, o prazer está no relacionamento com o trilho de forma a que esses aspectos fiquem em harmonia connosco.
Se o trilho for mesmo só composto de pedras e mais pedras, pontiagudas e grandes. Então é coisa a esquecer, como também seria uma bicicleta com suspensão à frente (somente) e também uma com suspensão total com cursos baixos.

Nesta minha passagem pelo trilho, usei como é habitual, os meus Schwalbe Nobby Nic 26 x 2.25 SnakeSkin. Que ajudam como sempre com a sua resistência, ‘rolabilidade’, tracção e versatilidade.

A única coisa que posso concluir daqui, alem do prazer imenso que é andar com este Surly 1×1, é que acho um completo disparate venderem-se bicicletas (gama baixa e media-baixa) com garfos de suspensão de merda (não que todos o sejam), como o meu e muitos outros, quando se pode ter uma bicicleta mais barata, muito mais leve e igualmente confortável (e mais GIRA também! EU ACHO :P). Enfim, as suspensões acabam por representar uma faceta negativa das ‘modas’.
Este garfo convenceu-me ainda mais de adquirir um quadro em aço, por isso o Voodoo Wanga ganha aqui algum terreno à Slingshot Ripper.

Surly 1x1 Fork/Garfo
Não à volta a dar a má geometria deste quadro, vai desenrascando…

Por fim, para quem estiver interessado, não escolha é um garfo de alumínio, como este aqui! Aço e carbono apenas (a Pace tem um e afinal, existem muitos mais. Como este da White Brothers, este e este da FRM, o DT Swiss XRR, um modelo da Shimano/Pro Bike Gear, mais este Ritchey WCS Carbon e por fim, penso seu, este Bontrager Race X Lite Switchblade. Há dias descobri estes da On-One que acho interessantes também. Sendo que parte deles é quase ou tão caro como uma boa suspensão de XC, e os restantes andam à volta dos 50/150€). O alumínio, só me parece bem para suspensões totais. Nunca testei nenhum, mas pelo mau trato que o meu corpo tem dos quadros em alumínio, é material para esquecer em ‘hardtails’, embora concorde em parte com o artigo do Sheldon Brown, na sua explicação de materiais para bicicletas de viagem. Eu não vejo a hora de me livrar do meu, não só pelo material, mas mais ainda pela geometria que trazia como ‘presente’ :P

Apercebi-me agora (umas horas depois de fazer o post) que esta deve ser a análise mais entusiástica, jamais feita por alguém, sobre um garfo rígido de aço :D


Continuando a viagem pelos ‘US of A’ na descoberta (re-descoberta no meu caso) das verdadeiras mães binas – as mais ‘espétacláres’ – está na altura de dar umas voltas ‘in the streets of philiadelphiaaaaa trálálá lálá lá’, que afinal de contas fica no estado da Pennsylvania. Quem diria, hã ? Para os interessados, o estado da Pensilvânia diz que é um bom estado para viver, trabalhar, jogar e aprender. Sim, para eles viver, afinal é uma coisa em separado. E não dizem se têm as piscinas públicas abertas como Michigan, por isso para quem quer dar um mergulho ao ar livre, é mais seguro irem para o Michigan.

Christini AWD

Christini ? que raio de nome.. a mim só me lembra jesus christi e Cristina :P ainda por cima o senhor faz bicicletas que parecem iguais às outras, e motociclos também! O que até parece combinar na perfeição com as lojas mais antigas aqui do nosso Portugal, aquelas que vendiam e vendem (poucas hoje em dia) motas e bicicletas. Qual a recompensa da Christini, afinal ? É o AWD, Advanced and Weird Devices :P .. é mais uma piadóla :P AWD, é como toda a gente sabe, All Wheel Drive. E o que o senhor Steve Christini têm vindo a desenvolver desde 1994, é isso mesmo, uma bicicleta 2×2, com opção de tracção às duas ou a só uma roda (como as bicicletas ‘normais’). Através de um engenho que liga o cubo da frente ao de trás, através do quadro e da suspensão. Por isso, quando alguém quiser ter uma Cristina (até já não é preciso por um nome a bicicleta, como muita gente faz), como se fosse comprar um quadro, já sabe, o pacote vêm com: quadro, suspensão da White Brothers (parecem boa$! ;)), cubos, a coisa que faz o trabalho lá na parte de trás, manipulozito para ligar e desligar a ‘tracção às duas’, e claro, todas as peças que compõem o sistema.
Algo me diz que isso deve sair caro, embora não saiba onde se vende, e embora também, tenha conhecimento que a Bikemagazine, fez uma análise a uma, o que me diz que talvez exista um distribuidor em Portugal. Qual e onde, é que não sei, já que a Cristina faz questão de não dizer. Já agora, Bikemagazine, porque não colocar a lista que vinha no final da revista com marcas, modelos e preços, no vosso site ? hã ? Talvez até com uma lista de distribuidores ? Se calhar até colocar lá testes/comparativos antigos e tal..?


O sistema AWD da Christini

E prontos, é isso. Agora só não me importava de andar numa! A ver se gosto e se vale a pena ou não.
Para ver se as análises e texto informativo do site das bicicletas do esteves cristino, que nos dizem ter mais tracção em subida, em curvas ‘escorregadiças’, quando levantamos o ‘rabito’ do selim e mudamos o peso de trás para a frente e enfim, sempre que se perde tracção numa das rodas, e é necessário transferir isso para a outra e continuar a andar.
É um pouco mais pesadita do que outras bicicletas (e têm uma garantia limitadita também), mas lá está, as outras bicicletas também não têm tracção às duas rodas e, fazem tudo o que disse acima pior do que uma Christini, ou não farão de todo. É uma proposta excelente para o ciclismo de montanha, mas não é bicicleta, assim à primeira vista, para mim. Já que não ando assim tanto em trilhos que exijam esse potencial. Acho que são daquelas coisas que se vêm, e se gostava de ter em todas a bicicletas de montanha. E não só numa marca, ou na única que usa o mesmo sistema, que á a Jeep.. quem diria, hã ? :P

As Christini têm ainda outra coisa de que não falam muito, é o sistema de amortecimento Active Arc, que é patenteado por eles também. E se eles não falam, não sou eu que o vou fazer, porque não tenho informação suficiente, e porque os sistemas de amortecimento são para se testar, já que a proposta de amortecer é uma constante a todos eles :P

Para terminar, fica aqui uma análise interessante.


Ainda das “americas”, na cidade de Bellingham em Washington e San Diego, Califórnia, podemos encontrar a Softride Inc e a TitanFlex, respectivamente.
As Softride e Titanflex parecem ser boas proposta para ciclismo de estrada, triatlo e time trial. Mas não consigo deixar de lado o descrédito com que expõem as bicicletas no site, (especialmente a Softride), e naturalmente a forma como se retratam no mesmo. Que têm uma influência grande nos argumentos que usam para vender a ideia.

Acho ambas as propostas interessantes e com algumas possíveis vantagens face a outras bicicletas de estrada que também me interessam (sem saber os preços de todas ainda), e que aproveito aqui para abrir um parênteses grandito para listar algumas delas:
Bottecchia 8avio, Specialized Roubaix, Cérvelo RS, Pinarello FP5, DeRosa Neo Primato, Orbea Ora. Colnago Strada SC, Colnago Master X lite, BMC Racemaster SLX, Van Nicholas Zephyr, Guerciotti Alero, Felt F1SL, Simplon Pavo e Fondriest RP3.
Porque têm diferenças e promessas de viver uma viagem de forma diferente, que podem ser vantajosas.
Neste caso, estas vantagens estão relacionadas com o conforto, versatilidade de geometrias e um outro aspecto menos significativo para mim, a aerodinâmica. Não são nada que outras bicicletas também não tentem proporcionar, mas estas são claramente mais confortáveis (e mais aerodinâmicas também). Com o acréscimo de uma aparência singular, que me agrada, muito embora a ache visível de mais para mim tal como os painéis publicitários que a maioria das bicicletas teimam em ser hoje em dia.

Softride
foto: Road Bike Review

O conforto fica-se a dever ao tubo horizontal, que é também onde está o selim, absorvendo os impactos da estrada por intermédio quer, de uma ’suspensão’ qualquer (que não percebo qual é) nas Softride, e de um tubo de titânio que flecte nas Titanflex, daí o nome. Um aspecto único destas bicicletas é a possibilidade de a adequarmos ao nosso corpo, já que podemos alterar, quando bem entendermos, a distância entre o selim e o tubo de direcção, e posiciona-lo consoante interesses e conforto.
O peso mais para baixo e a suspensão, segundo dizem, faz com que curve mais facilmente, que é coisa boa, mas não incrivelmente necessário numa bicicleta de estrada.

A Softride afirma que é necessário menos energia para ir de A a B. Mas uma simulação por computador não é argumento suficiente para convencer ninguém. Nem nunca vi ninguém a andar mais rápido porque tinha uma bicicleta com suspensão. Alías, são coisas como estas que me fazem ter mais credibilidade na Titanflex, com boas explicações técnicas, analises e um fórum, que transparece um atitude de quem confia do que faz.

Eu tenho os olhos postos na Qualifier SE Road ou na TitanFlex Transition, às quais adicionaria um Easton AeroForce MOD (ou produtos do género :P). Mas de facto, não estou inteiramente convencido com os argumentos da Softride, e nem com uma empresa que dá mais relevância a um suporte para colocar a bicicleta no carro do que à bicicleta em si. A ideia que transmitem, é de que o produto não vale nada. Acabo por me inclinar mais para as Titanflex, até porque os quadros são mais leves.
No fundo, não consigo sentir o mesmo entusiasmo que senti da primeira vez que conheci as marca, especialmente a Softride. Mas sei que devem ser mais confortáveis, e para quem anda todo equipado; é magro; forte, e anda numa posição adequada com um equipamento para o efeito, devem ser de certo, bicicletas bastante aerodinâmica e que devem reduzir de facto o esforço para chegar de um lado ao outro. Lembram-me a Kestrel Airfoil.

Contudo, quem experimentou, parece ter adorado, e existem até bastantes fotos de quem têm uma Softride no flickr e bem menos de quem tem uma Titanflex.
Gostava de testar uma de cada marca, mas até que ambas as marcas decidam distribuir as suas bicicletas na Europa e em Portugal, fico à espera, confortavelmente, até que isso aconteça. Até porque existem outras marcas com propostas excelentes, e o conforto em última instância, é algo que se resolve com um USE RX Carbon Shokpost (ou algo de género), ficando contudo, longe de permitir a flexibilidade no ajuste da geometria como ambas as marcas.

Titanflex
foto da Titanflex

No entanto, na dúvida, pela diferença e vantagens propostas por estas marcas e pela postura da TitanFlex, cá ficam as duas na minha históriazinha das bicicletas “espetaculares” :D


Ouvi há dias num programa qualquer um ‘dizer’ que nos diz, que o que faz a diferença entre uma criança e um homem é o tamanho dos seus brinquedos. Sempre achei essa afirmação vazia, daquelas que se vão dizendo para preencher espaços de silêncio (daí por vezes o silêncio valer ouro).
É coisa típica de quem vive na conformidade absoluta com valores antigos, que são os que temos hoje em dia (caso ninguém tenha reparado). São aqueles que atentam muitas vezes contra a felicidade (de uns pelo menos), sendo que quem é feliz com isto, é feliz de uma forma limitada à ausência de confronto com experiências novas.
Mas é uma afirmação que, por incrível que seja, se pode observar diariamente.

Por exemplo, reparei há uns dias que quem compra um Audi A5, adora viver na ilusão da ficção cientifica. Senão, porque outro motivo iriam essas pessoas, em horas compreendidas entre o meio-dia e as cinco horas da tarde – em dias cheios de sol – andar constantemente com os mínimos ligados ? Estou convicto que é pelo aspecto de robot mal encarado que a frente do carro personifica, e que essas pessoas devem adorar.
Aliás, acho tão caricato essas frentes dos automóveis, que as vou passar a chamar de caras. As caras dos carros. Que são caras familiares e pertencentes a uma grande família..

A grande família dos pópós

O Audi, pelo menos estes novos modelos, são os robots maus do Espaço 1999, que evocam o antropomorfismo que foi sendo impresso à tecnologia e estética da ficção cientifica ao longo dos tempos. Porquê? porque personificam uns olhos robóticos (e sinceramente, na minha opinião, de um robot mau e bêbado).
Os BMW são mesmo os maus da fita, os mauzões, aqueles que nos desenhos animados andam com as sobrancelhas franzidas do género: “>:/”. E regra geral, quem vai lá dentro também queria ser assim, nem que seja assim para a pobre da mulher ou empregado (regra geral!).
Os Alfa Romeu também querem ser maus. Afinal de contas são os filhos do BMW: têm o mesmo aspecto mas, de facto, mecânicamente e “performancemente”, não fazem justiça ao aspecto. São carros com algum teor sexista como o nome sugere, que afinal de contas é a combinação perfeita para evocar as ‘hórmónias’ da juventude.
O Mercedes, tem a cara do velho que tira o olhar do livro e os dirige para a dúvida que neto lhe expõe. Mas também pode ser um olhar surpreendido para as asneiras e proezas do filho, ou ainda, um olhar contente sobre a sua família. Ao fim ao cabo, o Mercedes é aquele tipo de brinquedo, que faz a caricatura do avô experiente e inteligente.
Alias, podemos traçar essa família de popós pelo Mercedes. Os filhos responsáveis são o Volvo e os Saabs. Sóbrios e sérios, deixam até escapar um pouco de arrogância e autoridade. Os filhos que não são responsáveis, são todos os que falei anteriormente, sendo o BMW o vigarista e o Audi o apaixonado por ficção cientifica que ultimamente anda mal encarado. Que será o brinquedo de eleição para quem viveu na adolescência o Espaço 1999 e séries afins.
O irmão do Mercedes é o Land Rover (eu acho!), mas ao contrário deste, têm negócios nobres no campo, daí ser à mesma sóbrio mas usa aquelas botas de montanha que não dão muito nas vistas.
Por vezes o irmão Mercedes vai lá fazer uma visita e vai equipado mais ou menos da mesma maneira (com a sua gama de todo o terreno).
Além de irmãos, filhos e netos, o Mercedes também têm um pai. É o Bentley. Têm a mesma postura, mas como já é mais velho, têm mais dinheiro e pertence a uma era mais aristocrática, que transporta valores e aspecto mais clássico. Mas não é por isso que deixa de ter importância nos dias de hoje.
O seu irmão, o RollsRoyce, é aquele que ninguém gosta muito de falar, é o ‘elitista’ que vive lá enfiado nos museus e nas ‘culturas’. Contudo, ambos espelham a vida na estratosfera, aquela vida de quem consegue dar dinheiro aos outros e está perto e distante como a personagem de Deus.

De visita dos states, o Chrysler é o contemporâneo mais pobre do Bentley, e o Jeep o filho mais rebelde não se sabe de quem, o que dizem é que ultimamente já têm ‘assentado’, anda mais calmo, com uma cara mais serena e amigável. Também têm um negócio no campo mas não é nada de muito nobre, é mais virado para o comércio.

Os Renaults, Fords, Peugeots, Citröens, Fiats, Mazdas, Seats, Opeis, Toyotas, Hondas, Chevrolets, Mitsubishis, Suzukis, Volkswagens e Smarts, estão fora desse circulo de personagem estereotipadas, são os pobres que a família excluiu, mas vivem todos na ambição de serem iguais. Ficam-se todos pelo ’sou alguém que gosta da evolução’ e ‘ena, mas que bom é viver!’, com um olhar admirado para os progressos e o futuro.

Enfim, todos os carros têm a sua personagem desenhada na frente, uns mais vincados do que outros, uns mais são mais semelhantes ao actionman, outros á barbie, outros aos robots do espaço 1999 e outros ainda aos personagens da Ferrero Rocher. Os outros são semelhantes aos bonecos que querem imitar o actionman, barbies, os robots do espaço 1999 e o sr.Ferrero Rocher.

Não que toda a gente escolha o carro pela personagem que é (escolher já envolve que todos tenhamos dinheiro para decidir entre todas as marcas), mas uma boa parte, escolhe-os tal como qualquer criança escolhe o brinquedo. Isto é, escolhe conforme o que ambiciona ser, o que admira e o que valoriza. Não que seja de facto essa coisa.

Se tal como os brinquedos, os carros são alimento para nossa imaginação e um treino para alguns hábitos e ambições de uma sociedade. É fácil deduzir que muita gente ambiciona uma sociedade de merda :P

Também tal como no universo das crianças, onde as divisões do sexo estão muito pronunciadas. Nestes adultos bebés, passa-se o mesmo. Os meninos gostam de carros e ferramentas e as meninas fazem outras coisas. Coisas que serão abordadas no próximo episódio :P


Slingshot logo

Demorou a lembrar, mas sempre consegui chegar ao nome daquelas bicicletas, que unem com um cabo de aço e uma mola, a parte de baixo do tubo do selim com o tubo de direcção. Ainda procurei por “Slipknot” mas depois lembrei-me que era uma banda, e lá surgiu Slingshot. As fisgas amAricanas :P, mais propriamente de Grand Rapids no Michigan, sobre a qual não tenho nenhuma curiosidade para contar a não ser que as piscinas ao ar livre estão abertas ao público. Agora já sabem! :P

Piadolas à parte, identifico-me imenso com a ideia por detrás destas bicicletas, e mantenho o mesmo entusiasmo e ânsia de ter uma Ripper. Tanta ânsia, que vou adiar a compra da Voodoo Wango, esperar mais um tempo (já que custa o dobro) e tentar de alguma forma comprar uma Slingshot Ripper aqui na UE… ou não! redescobrir a Slingshot trouxe-me algumas indecisões..

Li há muito que na génese da Slingshot está o Sr.Fisga (Mark Groendal) a andar na sua bike, ainda em tenra idade. Até que uma vez sente a ‘motocicleta’ mais suave e a amortecer as irregularidades do terreno por onde passava. Olhou para baixo, e reparou que o tubo de baixo estava quase partido ao meio. Gostou tanto da sensação (do tubo de baixo partido, não da tareia que deve ter levado dos pais por dar cabo da bike :P) que acabou por criar este tipo de bicicletas. Mas como li há muito, se calhar não é de confiar… encontrei à pouco este sitio com uma história mais como deve ser.

Slingshot
imagem ou do site da Slingshot ou do espaço no MySpace da Slingshot :P

Na Slingshot não existe assim tanta coisa para falar como na Maverick, já que a novidade reside unicamente no desenho particular do quadro. O sistema parece simples e a vantagem é a acumulação de energia e consequente aproveitamento da mesma no acto de pedalada, denominado de Sling Power. Como com as Maverick, gosto mais de uma observação empírica para falar da eficácia. E tal como nas Maverick, no papel, as Slingshot soam muito bem. Mas é difícil de compreender exactamente o que é isso do Sling Power, porque remete a um ponto morto que se observa ao pedalar num quadro normal, e como todos temos um quadro normal, não sabemos bem o que é esta coisa de ponto morto na pedalada, nem que raio de diferença será essa.
O ponto morto é bem óbvio até ! ‘dá-se’ quando os pedais se encontram todos na vertical: um completamente em cima o outro em baixo, onde é impossível transferir energia. Encontrei ainda outra empresa que já conhecia há uns tempos, mas tinha caído no esquecimento. A Rotor (estes já não são amaricanos, são mesmo aqui ao lado, de Espanha) tem uns pedaleiros que ajudam a resolver esse problemas e trazem benefícios ergonómicos também, tal como as Slingshot, já que parece prevenir a tendinite e lesões nos joelhos.

Slingshot quadro
imagem ou do site da Slingshot ou do espaço no MySpace da Slingshot :P

Imaginar a ‘fisga’ a funcionar já é mais simples (ou não, só vendo mesmo). Já que uma mola a comprimir e expandir é coisa que toda a gente já viu, e é fácil perceber que esta mola vá agindo assim ao pedalar e a suportar impactos, fazendo oscilar a roda de trás para trás e para a frente e compensando assim o ponto morto nos pedais.
Mas a verdade é que não consigo ter uma ideia exacta de como é que isto, de facto, funciona. Será que a traseira anda para trás e para frente de forma brusca ? o pedaleiro flecte muito ? a parte da frente anda desalinhada da parte de trás ?
Nos fóruns e testemunhos da mtbr.com dizem que isto tudo funciona muito bem (tirando uma ou outra pessoa), não se sente perda nenhuma de energia, muito pelo contrário; e é rígida como todas as outras bicicletas. A BikeRadar têm uma boa análise da versão 29er a FarmBoy aqui. Mas para gente como eu que só ligam à própria experiência, penso que são estas dúvidas e a vontade de obter a performance tão prometida pelo sistema da Slingshot, que me fazem querer ter uma.

Relativamente ao conforto deste sistema, que fica enquadrado naquilo que se chama de caudas-suaves (soft tails :P), acho muito dúbio, já que o tubo do selim fica preso as escoras traseiras e deve apanhar com o impacto todo, reflectindo-o no ‘rabito’ e costas como qualquer outra cauda-dura :P (hardtail). Mas não é objectivo da Slingshot que os quadros sejam o paradigma do conforto.

Existe ainda outra marca, do mesmo senhor que esteve na génese da Slingshot, são as ERB, Energy Return Bicycles. Sendo que a única vantagem, assim por alto, me parece ser mesmo o conforto, já que o espigão/selim não têm qualquer ligação com as escoras traseiras e logo não balançam com estas.

ERB, Energy Return Bicycles
imagem roubada do site da ERB

Resumindo, é daqueles quadros que estou mesmo disposto experimentar, ao ponto de arriscar comprar um, mesmo sem fazer um testride (já que nunca vi nenhuma em Portugal). Se a pedalada é mais eficaz, a geometria é boa, o peso é normal (não são os quadros mais leves do mundo), e traz benefícios para a saúde, para mim é o suficiente. Só fica a faltar o conforto.

Slingshot
imagem ou do site da Slingshot ou do espaço no MySpace da Slingshot :P

Espero que este post traga a marca Slingshot para a língua portuguesa, já que era capaz de ir a qualquer ponto do pais só para testar uma e eventualmente comprar. Espero também que venha a suscitar o interesse e a mesma curiosidade que eu para que um dia todos a possamos experimentar.
No site da Slingshot reparei em dois distribuidores europeus na Itália, Suécia e Alemanha, mas nos sites destes distribuidores não dava para ver os vendedores aos quais distribuem (ou fui eu que não me esforcei assim tanto..). Se alguém souber, que diga! Se alguém tiver uma, que fale também da sua experiência :)


Maverick

Há muito que ando para fazer algures um registo de marcas, que bastantes vezes são o nome do próprio fabricante/empresa, e que me despertam interesse.
Vou começar pela Maverick, que é lá das americas, no Colorado (aquele estado onde os habitantes da série South Park vivem :P. E onde o Dodge Challenger do filme Vanishing Point começou a sua viagem).

duc32
Maverick DUC32

A primeira vez que vi o que a Maverick fazia, só reparei nos garfos de suspensão, o DUC32 e SC32. Porque tinham – e continuam a ter – um peso impressionante para o curso que ofereciam, bem como um total de aspectos técnicos que as continuam a destacar, como o desenho invertido, o quickflip, a estrutura em H, e (grandes) cubos especiais. Na altura não achei nada de especial o sistema de amortecimento que tinham, o MonoLink. Mas cada vez que vejo uma(e tenho visto algumas ao vivo) mais reparo nos quadros e no sistema de suspensão traseira.

Maverick Durance
Maverick Durance, de notar na trazeira o desenho MonoLink

Ao contrario de alguns tempos atrás, já não me preocupo em “imaginar” como uma suspensão funciona ou não, prefiro testar e definir com base na experiência. Também não estou bem ocorrente da oferta actual dos outros fabricantes, porque como tem vindo a salientar-se por aqui, ando mais à volta dos quadros rígidos. Mas sempre que vejo uma (e refiro-me ao actual modelo Durance, já que antes tinham outros nomes), penso que seria algo a pensar quando quiser uma suspensão total. O quadro parece extremamente rígido (tem a suspensão integrada no quadro), a curva do tubo do selim (necessária ao design da suspensão traseira) parece-me proporcionar mais conforto. De resto, slooping excelente, bom peso, bom curso, e uma geometria boa para este tipo de bicicleta.

speedball R
Maverick Speedball R e respectivo controlozito no guiador

Um outro aspecto particular da Maverick são os tubos do selim Speedball R, com altura regulável em tempo real. Isto é, um cabo que liga o tubo de selim ao guiador e através de um regulador, permite-nos alterar a altura do selim. É bom para compensar as flutuações da posição ao descer, subir e andar em rectas, sem ter de parar. É também uma coisa que nunca tinha visto (mentira, uns dias após escrever este post tomei conhecimento do GravityDropper, que parece ser mais antigo. E após mais uns dias, estes Crank Brothers Joplin. Pensava que só faziam pedais..). Podem não ser leves, mas são muito úteis.

Penso que a única marca que com quem a Maverick partilha este sistema de amortecimento traseiro, seja a Seven, para quem quer titânio no lugar do alumínio. Se já não tivesse onde gastar dinheiro, era capaz capaz de me inclinar para a Seven Duo 5.0 :P

Seja o MonoLink uma coisa boa ou má (a mim parece-me mais para o boa só pela explicação do sistema, e acho interessante o facto do eixo pedaleiro estar nas ligações da suspensão), as partes e o “pacote” que a Maverick oferece ainda hoje me soa apelativo. Talvez quando andar numa mude de opinião. Ate lá, continuo a acha-la uma marca, sem dúvida alguma, muito interessante. Repleta de detalhes, curiosidades e surpresas, que estruturam o carácter funcional da proposta da Maverick. E sem a grande cortina de ‘marketing ranhoca’ (falso), como a Scott, Trek, Giant e Specialized, ou exemplos péssimos de vendedor de rua, como todas as marcas portuguesas (Vag, Órbita, Prime, Esmaltina, Sirla e afins).

E com isto, espero manter um registo do que era, por esta altura, mais interessante para mim, na expectativa que possa ser interessante para outros. E aprender uma coisita ou outra também.