Arquivos Mensais: Agosto 2008


A Cannondale vai finalizar por agora esta série das bicicletas espectaculares. Não é por nenhum motivo especial, foi a que calhou. Existem outras marcas que gosto e que introduzem aperfeiçoamentos e pequenas inovações ao que produzem, seja a aspectos determinantes do design ou manufactura de um quadro, os materiais aplicados, a introdução de suspensões ‘proprietárias’, sistemas de amortecimento particulares e patenteados, pesos mais baixos, etc. Não são inovações substâncias, ou significativamente diferentes para as listar, mais significativa terá sido certamente o pneu como o conhecemos hoje.
Vou finalizar este conjunto de registos, por agora, porque não conheço mais nada de significativo, e as que conhecia já ‘cá cantam’. Já não estão somente na minha memória. Quando conhecer outras, logo volto com isto.

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Lefty. Foto de RoRRo

A Cannondale também é das “americas”, da Califórnia. Também é, como mais uma centena de outros fabricantes, gente obcecada com testes de produto. Afirmam, tal como essas outras centenas, que sabem que as bicicletas deles são as melhores porque as testam juntamente com as da concorrência. Gostam de afirmar que têm laboratórios supersónicos, os melhores engenheiros do mundo e que é tudo gente muito simpática e especializada que, por acaso, também adora andar de bicicleta. Os últimos de que li viverem nessa Alice do País das Bicicletas, foi a Cérvelo (e penso que ainda devem ter isso no site). Acho que são textos disparatados mas que imprimem confiança a quem quer acreditar neles. E até é natural para uma industria que teima em deixar lacunas imensas do que toca a informação empírica, com aquela coisa chamada de ’sustÂncia’ no que toca a vantagens dos respectivos produtos. Um outro bom exemplo (entre centenas) é a Nicolai, que não faz muito uso dos textos, mas sim de uma abordagem fotográfica. Funciona, e eu gosto de ver os quadros assim. Só ainda não percebi é porque raio é que ninguém faz o mesmo que eles.

Voltando aos Sr. da Cannondale. O que acho de significativo são somente os garfos de suspensão que eles fazem. Não só são mais uns. São diferentes de todos os outros não só em aspecto mas também em características. Dizem (as pessoas que os têm e testam) ser eficazes, apresentam uma relação invejável de peso/resistência e expressam uma atitude simples e simultaneamente diferente de se estar numa bicicleta, e de uma suspensão estar numa bicicleta.
Penso que a beleza das Lefty e Super Fatty Ultra da Cannondale resida nessa coisa de se ser eficaz com simplicidade. O senão é que só funciona em quadros da Cannondale ou outros feitos a pensar especificamente no diâmetro que os tubos têm. Não conheço nenhuma marca que faça isso, mas pode-se sempre fazer por medida (penso eu) nos locais onde isso é possível.

Relativamente aos quadros, sou admirador dos rígidos. Embora dificilmente os fosse comprar (porque não gosto de quadros de alumínio). Os com suspensão já não admiro assim tanto, ou nada na maioria dos casos (com excepção da Scapel), em grande parte porque não sou grande adepto de “single pivots”. Por isso fica aqui o apelo aos restantes fabricantes, façam lá uns quadros em que se possa escolher um tubo de direcção com o mesmo diâmetro das ‘headshox’ da Cannondale! Já que existem bastantes rodas para as Lefty. E sim, é outro senão. Os cubos têm de ser diferentes nos normais. E como é normal a caixa de direcção também é diferente. Alias, um dos argumentos da Cannondale é que ter a suspensão, eixo, caixa de direcção e direcção integrados, aumenta a rigidez e força do material, diminuindo o peso. E de facto a Lefty Speed Carbon SL é impressionante, 110mm, 1.2kg.
Já estou farto de olhar para uma Cannondale e ficar com inveja dos garfos que lá estão. Quero um!

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Cannondale F2 c/ Super Fatty Ultra. Foto roubada do site da Cannondale

De facto, um dos problemas de todas estas marcas sobre as quais tenho escrito por aqui, é que está tudo circunscrito a quem detém a tecnologia e inovação. Tudo se vai apoiando na incompatibilidade, e dizem: ’se queres a porta, vais ter de comprar a casa toda’. Que contribui apenas, “IMHO” (que nem é assim tão humilde quanto isso :P), para um retrocesso naquilo que é a experiência de andar de bicicleta de toda a gente. É profundamente negativo.

E afinal não vai ser a Cannondale a finalizar esta série, lembrei-me agora de outra marca (não digo qual é! talvez assim venha cá mais gente na expectativa de saber! :P), mas deixei à mesma aquela primeira parte, nem que seja para me lembrar que já estou um bocado cansado de registar estas memórias e crenças por aqui. Bem como do mercado de brinquedos-bicicletas.


Muitas vezes vem ter comigo (:P) a ideia de que cidades deviam ser definidas, não pelo numero de habitantes ou ‘equipamento’ que detêm, mas pela dinâmica sócio-económica. Porque é esta que acaba por deixar que tudo o que é qualidade – e mais importante, a diversidade – acontecer.
Leiria por exemplo não é uma cidade. A economia circundante, pelo que conheço, é devido à industria dos moldes e outras empresas que auxiliam esses mesmos fabricantes. Depois é comércio/distribuição e negócios locais de fabrico de coisas que vêm de outro lado qualquer/que são copias baratas de outro lado qualquer/que têm a ver com metal ou plástico. Existem outras coisas, mas neste contexto são insignificantes.
Socialmente, Leiria é um aglomerado moribundo. A dinâmica é exactamente igual a qualquer aldeia que toda a gente deve conhecer. E de facto, para se conhecer quem está por detrás de 90% dos ‘negócios’ que se fazem por cá, basta ir às redondezas de Leiria (não se preocupem, que é rápido lá chegar), e ver as aldeias e as pessoas que, não só lá habitam, como também participam e ajudam na edificação de valores locais (/pessoais). Nem toda a gente que mora em aldeias/cidades/estados ou países é sinónimo da mesma, mas quando participam e incorporam valores, ideologia, hábitos e investem na mesma, então isso já os transforma em sinónimos. E a maioria dos empresários de Leiria são assim. Ou é família, ou são amigos, e os negócios são garantidos por um destes factores, e depois expandidos para outros mercados já fora desse circulo. Se não é isto, é porque é uma grande cadeia de comércio nacional/internacional.

Como numa aldeia, as pessoas vão a um local porque conhecem X ou Y que lá trabalha, ou que fundou esse tal local. Se pretendem ir a outro, procuram conhecer quem está por detrás, ou alguém relacionado ou alguém que lá marque presença e seja conhecido. Como numa aldeia, existem laços normais de família, que mesmo que não se goste há que os ‘aceitar’. E tal como numa aldeia, existem laços de cumplicidade, que no caso de Leiria pelo menos, estão relacionados com a precariedade de onde muitos desses negócios nasceram e, na maioria dos casos, da inaptidão de quem esteve e está por trás.
Por fim, como numa aldeia, os negócios são maioritariamente familiares, e herdam-se, contaminam-se e passam por períodos de transição, que se misturam com intrigas da família, e intrigas da família com a aldeia, e dos problemas hierárquicos e pessoais que isso trás atrás.
Ah! ainda existe outra coisa semelhante a aldeias. Quem quer pertencer a essa aldeia e participar lá, têm de ser aceite pela comunidade, seja por obedecer aos seus critérios, seja por ter ou criar amizades por lá. E nada mais exemplar do que a ‘entrada’ da MediaMarkt, os electrodomésticos do chupa chupa (é o que o logotipo deles parece), que se nega a colocar preços e uma loja online, embora estejam convictos que têm os preços mais baixos. A MediaMarkt deu um chupa chupa a uma entidade de caridade aqui da região (assim obriga toda a gente a gostar deles), anunciaram em jeito de circo a sua presença na aldeia e que, embora discreta, pela dimensão da aldeia, pareceu ocupar todos os espaços existentes. E já dentro da comunidade e com presença internacional, que todas as aldeias admiram, porque se sentem importantes – afinal até uma superfície comercial de nível internacional acha que nós os merecemos, que temos valor! -, chamam toda a gente idiota, ou parvo talvez, fazendo-os querer que têm de ir lá mesmo que achem que não, porque afinal x numero de pessoas já foi! Mas dar doces e criar alvoroço não é suficiente, há que participar nessa coisa da integração do mercado com as universidades/politécnicos. Como Portugal no geral, gosta de sonhar, nada mais fácil do que dizer ser maravilhas e oportunidades para a Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPL. Como sou um leitor assíduo mas ausente da presença online da imprensa escrita, não cheguei a perceber como é que isso será levado a cabo… será em colocar lá os estudantes a trabalhar ? grande futuro para quem estuda engenharia, sim senhor. Mas há que reconhecer que são ambições equivalentes à da maioria de quem anda estuda nessa escola.. ou será que vão promover a industrialização e venda de alguma engenhoca inventada pelos estudantes ? 5.000€ já não chegam para iludir ninguém nesse caso…
No fim de contas, esta achega a Leiria por parte da MediaMarkt, revelou o que é uma estratégia de penetração adequada para esta aldeia/cidade (e aldeia/cidade não é só Leiria em si, é a região toda com quem têm alguma sinergia), ao contrário do CinemaCity, que embora como qualquer outro negócio, traga benefícios para a cidade. Para os chefes da aldeia tal não é óbvio, e sem docinho reagiram um bocado mal a este novo habitante, até porque a câmara já tem cinemas.

Porém, qualquer destes exemplos, para mim, reforça a ideia que a designação de cidade devia ser mais exigente, não por quantidades, mas por capacidades, dinâmica social, capital intelectual, grau de anonimato e liberdade dos ‘eleitores’ ou ‘cidadãos’ ou das pessoas que habitam nessa região, grau de respeito e abertura, capacidade de criar soluções, de adequação, e claro, também a prosperidade que é capaz de gerar e o potencial de investimento desta. Um pouco como esta definição que esta na wikipedia, e que foi retirada de um exposição qualquer, dita por uma pessoa qualquer também: “A cidade é um habitat humano que permite com que pessoas formem relações umas com as outras em diferentes níveis de intimidade, enquanto permanecem inteiramente anónimos.”.
Se é para definir uma cidade pelos números, então penso que cidade deveria ter no mínimo 1 milhão de habitantes, e aquelas parametros da lei Portuguesa para definir uma cidade, deviam ser todos (e não apenas parte deles) cumpridos, e de forma relevante. Tudo o resto, principalmente num país onde os resíduos de uma história muito particular (e negativa) ainda são presentes, é aldeia.

O problema de Leiria e da sua sociedade moribunda e da estreita relação que isto têm com industria de cá, das gentes ‘técnicas’ e operárias (que teima em querer ser semelhante às linhas de produção da Ford, na época do Modelo T), têm de igual forma, a sua expressão na gestão da própria cidade, nos recursos e infraestruturas, que se relacionam com precariedade com aquilo que se assemelha a uma rede de transportes públicos. Mas isso já são outros assuntos, que nem a mim me interessam. O que me interessava era dizer, sem grandes exemplos e fundamentos mas apoiado na minha experiência (que está longe dos textos floreados da câmara e provavelmente, do turismo), que as cidades deveriam ser uma designação exigente e responsável, de forma a não enganar ninguém, sem que este tenha de submergir no seu tecido. E que Leiria não é certamente uma.

Ah! Falei das aldeias, num ‘tom’ depreciativo (o que me parece ser uma forma simpática, mas cínica, de catalogar o que escrevi). Ser aldeia não é mau, é terrível. Tenha ela o nome de Leiria ou outro nome qualquer. A aldeia têm ainda um poder de inibição e coacção psicológica grande – precisamente por condensar um numero considerável de pessoas num espaço pequeno -, pelos seus agentes mais velhos – que não são os idosos – e que hoje praticam essa coisa de ser pai e mãe de uma forma activa, e que por acaso, são também quem detém esses tais negócios na região. O poder é reflectido nesses outros que praticam, sem querer, essa coisa de ser filho (que regra geral, vai fazer o mesmo). E é de igual forma propagado na ética de trabalho, na hierarquização da empresa, nas discrepâncias imensas dos salários, e nas decisões de quem entra ou não para essa aldeia maior que é, neste caso, Leiria. Se aliarmos isto a origens de grande pobreza intelectual e material, é fácil observar que a primeira ficou onde estava e a segunda é procurada e conquistada a todo o custo. Da mesma forma dá-se mais valor ao que se pode comprar e vender, do que ao que têm de ser criado, exigindo um esforço intelectual imenso, que para muita gente daqui, é ainda inacreditável o facto de alguém fazer negócio disso.
Por muito que se compre e venda (e Portugal sofre imenso por só conseguir fazer isso), a sociedade fica igual porque não pensa, não critica, não sabe reflectir e nem sabe criar ou agir. Apenas copia e consome o que os outros lhes dão, da mesma forma que as crianças esperam que os pais quando vão as compras, lhes tragam um ‘doce’.

Pelo que conheço de Portugal (e a dimensão, que embora não queira dizer nada, aqui não ajuda), isto é algo comum em todo o lado talvez com excepção de Lisboa e Porto, onde existe mais variedade que vá iludir e desvanecer alguns estes aspectos negativos de que tenho falado. Numa outra escala de acção, existe claramente, uma aldeia Portugal, que para mim é fruto dessas aldeias que o vão formado.

Já tive conhecimento desta marca há uns anos, no Forum BTT (que é um sitio excelente para quem gosta de andar de bicicleta, mas particularmente direccionado para o BTT). Já era para falar dela em separado neste apanhado de bicicletas que vão apresentando propostas diferentes e inovadoras para esta coisa de andar de bicicleta. Mas como de vez em quando me ponho a pensar na compra de um quadro versátil, mais virado para as descidas – o que vai demorar algum tempo, porque em primeiro é o de estrada -, achei que o melhor era falar da Bionicon no meio de outras bicicletas que, pelo menos para mim, são “concorrentes directas”, isto das aspas é porque ainda não existe nada que se assemelhe à Bionicon.

Bionicon

Quando penso numa bicicleta virada para as descidas, estou também a pensar que têm que dar para chegar ao trilho e para o fazer bem, quer a andar em rectas, quer a subir. A diferença é que espero me divertir mais a descer, e fazer coisas que não posso fazer com a minha bicicleta actual (nem de perto). Tenho em mentes cursos nas suspensões de 150mm/160mm, ângulos de direcção de ~68º (algo que o quadro da prime já tinha de origem, só é pena não serem ângulos adequados ao uso que este permite :D) para não ter “vertigens” a descer e de 71º para subir (:P). Espero eficiência na pedalada, um quadro que têm que apresentar um relação peso/resistência muito boa, e pesos que não sugiram um quadro frágil mas que não sejam blocos de cimento, e isto não só no quadro como nos outros componentes que têm de fazer justiça ao uso que uma bicicleta assim têm.
De facto, acho este tipo de bicicletas uma boa medida para se ver até onde se pode ir, hoje em dia, nessa relação quase impossível entre peso e resistência, já que é aqui que ambos se têm de relacionar mais do que em outros ’segmentos’ que deixam sempre um desses factores de parte. Porque há que ter atenção que subir e descer são coisas diferentes! O esforço é diferente, o corpo têm de estar colocado de forma diferente e a bicicleta tem, geometricamente, que ajudar a disposição do peso de forma a que haja o máximo de tracção possível, para que se fique para a frente nas subidas, para trás nas descidas, e numa posição neutra (para mim é mais como nas subidas :P) em terreno nivelado. A gravidade também é um factor importante nisto.

Então afinal o que é que os fabricantes propõem ?
Propõem muita coisa, mas o que me interessa, de 2008 pelo menos, são as seguintes (com cursos frente/trás máximos e peso, que penso estarem correctos e já com o amortecer incluído):
Rocky Mountain Slayer SXC SE – 150/160mm, peso ? (antes diziam o peso dos quadros!)
Titus Guapo – 150/160mm, 3178g
Rotwild R.E1 – 150/160mm, peso ? (antes também diziam o peso dos quadros, mas está mas para fora da selecção devido ao preço)
Turner RFX – 150/160mm, 3269g
Banshee Rune – 150/ , 3265g
Cube Fritzz, 160/160mm, 2860g (não sei se com ou sem amortecedor)
Canyon ES – 160/160, 3305g
Santa Cruz Nomad – 165/160mm, 3225g
Yeti ASR 7 – 178/160mm, 3265g
Nicolai Nucleon TFR – 167/170mm, (já soube o peso e lembro-me que não é levezinha, e custa ainda 5.000€, o que faz com que a menciona aqui por mera curiosidade, até porque se não me importasse em gastar isso por um quadro/transmissão/desviadores/amortecedor/pedaleiro, não sei bem se a iria comprar. Mas sobre a transmissão que ela têm, irei falar num outro episódio :P)

Vi mais umas tantas que também achei interessantes, mas que achei mais viradas para uma coisa mais leve, como a Litespeed Niota Ti, Scott Genius MC-40, Ibis Mojo e Maverick Durance. Outras pareceram-me ambíguas neste contexto: Yeti 575, Cove Hustler, Transition Covert, Felt Compulsion Team, e ambíguas porque o curso é pequeno e o peso não. A Scott Ransom 10 é excessivamente cara e é de ‘carbónio’, a 40 excessivamente pesada (de resto agradam-me imenso) sendo que o mesmo se passa com a Intense 6.6. Deixei outras de lado porque não vendem quadros à parte, Giant Reign, Trek Remedy, Ellsworth Moment, DeVinci Hectik, Mondraker Prayer, Lapierre Spicy, Cannondale Moto (desequilibrada de aspecto), IronHorse 6point, Haro Xeon, Commençal Meta55 e Començal Meta666, Kleins, Marins e mais um monte de marcas que têm este mau hábito, e as quais nem me vou esforçar mais em listar. Também vi outras tantas que não têm nada do meu interesse, como é o caso da Kona, Orange, Fusion, Da Bomb, Chumba Racing, Brooklyn Machine Works SR-6 (devido à dimensão do tubo do selim e do tubo horizontal), Norco Six (por causa do angulo e extensão do tubo do selim), Steppenwolf, Storck, Corratec, Bianchi, Focus, GT, Gary Fisher, Morewood, Kraftstoff e Simplon (por falta de informação), Ventana e mais algumas (muitas provavelmente!.. Olympia, Isaac, Bottecchia, Principia, Look, Kuota, Sintesi, Coluer, BH, Orbea, Mongoose, Schwin, Saracen, Kellys e por aí a fora.. ) que me devo ter esquecido.
O preço desses quadros que listei, anda aproximadamente entre os 1600 e 2500€ (que acho caro).

Outro factor, mais ou menos óbvio, que surgiu desta selecção é que bicicletas como a Genius MC-40, Niota Ti ou Cannondale Rize, são o que queria a pensar em subidas, mas a descer, fazer alguns drops e manobras semelhantes, as que listei parecem-me mais adequadas. É o meu ponto de vista, aquela de quem nunca usou uma bicicleta com duas suspensões (:P) e, de facto também nunca tive grande interesse, tirando estas, que me parecem adequadas para o que quero experimentar. Se já tivesse uma do género da Maverick Durance ou outra do género da Nomad, já era mais fácil saber o que era mais adequado. Ainda me passou pela cabeça comprar um quadro de dupla suspensão barato, da VAG por exemplo, mas, sem geometria disponível, cursos diferentes, um amortecimento que poderia não ser o mais eficaz e uma relação peso/curso provavelmente má, o mais certo era ficar com má impressão e nem experimentar nada que se assemelha-se ao que quero e gastar á volta de 1000€. O que era um disparate valente.
Como é óbvio não ia gastar dinheiro em nenhum sem dar pelo menos uma volta com uma num local que sirva de exemplo para o uso que lhes iria dar (que é algo difícil de fazer por aqui, já que as lojas o máximo que deixam experimentar é lá no parque à frente, onde qualquer bicicleta parece bem..). Mas mesmo assim é um escolha constrangedora, porque se vai gastar uma quantidade de dinheiro considerável num componente que talvez não surta o efeito pretendido, o qual também é, na verdade, bem complicado. Por vezes, olho para isto e penso que se fosse mesmo para comprar, talvez ainda optasse por uma Genius ou companhia, com receio que as outras sejam um excesso…

Como é natural nesta exposição de dúvidas que existe sob um titulo que diz ‘Bionicon’, havia de falar desta marca alguma vez! E é precisamente neste constrangimento de cursos e geometria, que a Bionicon surge com relevância, propondo um conjunto de quadro e suspensões (frente e trás), que, através de um botãozito, permite alterar o curso e geometria da bicicleta durante o andamento. De ângulos que aparentam estar na casa dos sessenta e tal graus passamos para outros que parecem ser amigos dos setenta. O curso diminui de 150 para 70mm, o curso traseiro mantém-se, sendo que uma parte que que compõem o amortecedor, é enchida pelo ar que é retirado à suspensão de forma a que a eixo pedaleiro não sofra alterações na altura ao solo. Ao voltar a carregar no botãozito, o ar sai desse local do amortecedor e volta para o garfo de suspensão. Nada melhor que estes dois vídeos para perceber:

e em acção:


video que aconcelho a ver apenas, sem som (:P). Acho os outros ciclistas a subirem a montanha a pé, algo suspeito.. para mim combinaram todos para tentarem passar a ideia que só com uma Bionicon é que se consegue subir aquilo.

Existem já há alguns tempos quadros que permitem regular o curso do amortecedor, como uma quadro antigo da Tomac (que na altura reparei, mas já não me lembro do nome :P) e o Cannondale Moto por exemplo. Mas têm de se desaparafusar e aparafusar de novo, e para quem não gosta de sair de cima da bicicleta quando se vai dar voltas, isto é desencorajador. Além de alterarem a posição do eixo pedaleiro. Não sei se existem outras formas de fazer isto, se houver, digam!
Garfos de suspensão que têm diferentes cursos também existem, lembro-me da RockShox Pike, mas não alteram a geometria da bicicleta, ‘viajam’ é menos dentro do curso máximo que permitem. E os Fox Talas, alteram a geometria ‘isoladamente’. Por isso, a proposta da Bionicon está bem longe disto. Agora, o que era bom é que a alteração de ‘modo’ descida para o de subida, fosse mais rápida, já que pelo que vi/li é coisa para se fazer com calma…

Outra questão que levanto sempre é se o sistema de amortecimento funciona bem. Já que para mim isso, e o comportamento da bicicleta em geral, é sempre algo em aberto e sujeito a apreciações empíricas.

O preço dos modelos que me interessam, a Edison, Golden Willow e Golden Willow escandium, está listado na alpha-bikes.de como 1900€, 1800€ e 2000€, respectivamente. Se contarmos que já vêm com as duas suspensões, caixa de direcção e controlos. Face às que listei a cima (quadro e talvez o amortecedor), até são baratas. E os pesos, parecem-me normais para um conjunto destes, embora tenha de pensar como montaria as outras para ter um ponto de comparação.
Por isso, se me apontassem uma arma à cabeça, me dessem o dinheiro necessário, e me obrigassem a escolher uma destas solução para futuras experimentações de espaços e tempos numa bicicleta (:P), o mais provável era deixar as Genius e Co. + a ASR e amigas, e escolhia esta.

Uma nota apenas para este ’segmento’ de bicicletas, prende-se com o facto de serem as bicicletas mais sujeitas e promotoras de tendências. Reparei que também anda ai a moda de quadros com tubos curvos, como se os quadros andassem “grávidos”. Enfim, tudo isto deverá ser aliciante para quem nunca andou de bicicleta e quem quer uma mais “bonita”. Para quem quer algo significativamente mais eficiente, não é de ano para ano que o vai obter (é o que tenho visto pelo menos).
A mim, vão transparecendo que isto tudo é de brincar. Já estou farto de ouvir em lojas expressões como ‘está na moda’, ‘têm-se vendido muito bem’, ‘gama superior’, ‘é Pro’, e por aí. Coisas que me vão trazendo uma sensação de descontentamento. Até porque comprei há uns tempos uns v-brakes Shimano Deore LX, e se não fosse o menor peso face aos Shimano Alivio/Altus ou mesmo aos Alhonga (ninguém deve conhecer, tirando lá os senhor da Órbita e amigos de Sangalhos) que já tive, não têm qualquer vantagem a nível daquilo que dizem fazer, que é travar. E travam, afinam-se e duram o mesmo que os outros. Os meus já estão no lixo, o parafuso que o prende ao quadro moeu e com ele levou o parafuso que suporta os v-brakes no próprio quadro, sem qualquer esforço a apertar. Nem me preocupei mais com isso já que estou a espera do meu novo travão de disco. Quando comprei os v-brakes, foi porque os meus antigos já estavam obsoletos, e como queria algo mais leve, lá optei por uns que pensava serem além de leves, mais eficazes. Mas a verdade, é que os v-brakes são todos iguais, têm um sistema de travagem rudimentar (tal como a transmissão “exterior”) e igual de marca para marca e gama para gama. É coisa, como muitas outras nisto das bicicletas, onde não compensa gastar muito dinheiro.

O que dizer mais sobre a Bionicon ? o que é de facto inovador e diferente não precisa de mais histórias. É história em si ;)