Arquivos Mensais: Setembro 2008


Conforme prometido, cá vão as minhas sugestões para as ocasiões onde se quer só dar umas pedaladas ou andar uns kilometrozitos, uns 8km por exemplo, sem pressa, para ir comprar uma coisa ou outra ao supermercado e aproveitar ao máximo a ‘paisagem’.
Não é bicicleta que ia comprar para mim, pelo facto de não gostar de andar nestes ritmos. Mas se comprasse (e comprava se tivesse dinheiro para gastar em objectos de colecção) ou se me pedissem um conselho, ia dar estes. Nenhum é barato (mas ficam todos abaixo dos 1000€) e são capazes de não ter uma boa relação de preço para o uso a que se destinam, mas são mesmo as únicas que me agradam.

Porquê que estas são boas para andar lento e as anteriores de que falei, não eram ?
A resposta é a geometria. Para quem não sabe o que me refiro quando falo da geometria e o que é essa coisa da geometria das bicicletas, não precisa de se assustar! Não é preciso fazer contas. Geometria são simplesmente as medidas e ângulos que o quadro apresenta e que são fornecidas pelo fabricante. As medidas (do quadro) são em polegadas ou centímetros, e são as medidas dos tubos, desde que começam até acabarem. E os ângulos, são os do tubo do Selim (o Selim é o ‘acento’ ou ‘banco’, independentemente do nome, é onde o cu se apoia :P) e do tubo de direcção (que é onde está o guiador ou o ‘volante’). Existem medidas de diâmetros e outros ângulos, mas são só importantes para quem monta tudo por peças.

A diferença entre estas bicicletas e as outras, é que estas permitem andar com o tronco na vertical, de forma a que o corpo fique muito relaxado mas sem comprometer o conforto das pernas, permitindo que estiquem até onde devem, de forma a que não andem sempre atrofiadas. Já as que apresentei no post anterior, são projectadas para se andar com o tronco inclinado para a frente, o selim bem em cima, para que se consiga mais eficiência de pedalada. E sim, uma posição relaxada como estas bicicletas de que vou falar, não é pensada para andar rápido, já que a posição do corpo não permite grande vantagem biomecânica e não se consegue retirar grande eficiência do esforço que se despende, nem o corpo nestas posições consegue imprimir grande potência.
A título de comparação, se quiséssemos pegar numa das bicicletas do post anterior e andar desta forma, independentemente das alterações que fizéssemos, as pernas iam andar irremediavelmente mal e para andarem bem, aumentando a altura do guiador (e do selim também), ia resultar uma bicicleta desequilibrada e sem outras vantagens que estas aqui têm.

Com isto esclarecido, segue-se a lista dos velocípedes em questão (:P):

> Pashley Phantom e Pashley Sonnet Pure

Pashley
Pashley Phantom
Pashley
Pashley Sonnet Pure

Não há grande coisa a apontar de negativo a estas bicicletas, porque todas dão bem ‘conta do recado’. Pelo que só vou referir o motivo porque gostei delas:

A Pashley oferece sempre geometria de senhora. Nem sempre são nos mesmo modelos, mas elas lá estão e com as mesmas características dos modelos de senhor. A estética foi um dos factores porque tinha já esta marca em consideração, já que nenhuma nas bicicletas é um painel publicitário nem quer dar a ilusão que é para ‘corridas’ com autocolantes manhosos. Além de existir uma clara preocupação com a construção e com a dignidade do material. Mas a Pashley é muito mais que estética.

Qualquer dos modelos tem os seguintes argumentos a seu favor:
- Transmissão interna de três velocidades da Sturmey-Archer (um dos fabricantes que se dedica a esse tipo de transmissão, sendo os outros a Rohloff, Shimano, Sram e Ellsworth). Que não requer grande, ou nenhuma (segundo dizem), manutenção*. Já que é lubrificada internamente, está isolada dos elementos naturais e da sujidade normal, que surge devido à areia e às poças de água quando chove. Outra vantagem de uma transmissão interna, que a faz brilhar para andar na cidade, é o facto de não se ter de pedalar para mudar de mudança. Por isso, mesmo que se pare num semáforo na 3ª mudança, enquanto se está parado à espera, pode-se colocar a 1ª, que ela encaixa sem termos de pedalar. Depois é começar de novo a marcha, sem nunca haver problema.
- Quadro de aço, com uma geometria adequada para estes andamentos conforme expliquei no inicio.
- Guiador curvo, há quem goste e quem não goste. Eu já usei um, e para andar calmamente são bons, embora se estranhe quando se anda com uns horizontais de BTT.
- Selim da Brooks (Ingleses tal como a Pashley). São clássicos modernos, pensados para quem anda na vertical e logo, têm grande parte do peso no ‘rabito’ (a Selle Royal tem umas ilustrações excelentes para perceberem isto. Aprecem quando queremos escolhemos o selim). Como em tudo que tenha a ver com o ‘rabito’ nas bicicletas, há quem goste e quem deteste. A mim parece-me adequado.
- Guarda lamas, Campainha, Luzes e Reflectores. Acessórios indispensáveis para andar em locais onde também andam outros veículos e outras pessoas, seja a pé ou de bicicleta. A Pashley conjuga-os discretamente, o que é um ponto a favor.
- Protector de corrente (na Sonnet), que também é útil.
- Travões de tambor. Já useis uns, mas não sei o que ‘gastam’ a nível de manutenção já que a bicicleta não era minha. Mas travam bem para estas utilizações, muito semelhantes a um V-Brake. Penso serem ideais para estas bicicletas, já que ao contrário dos outros, estão isolados de elementos naturais e sujidade. E como são internos, não devem precisar de muita manutenção.*

Só tinha a acrescentar uns suportes para carga mais discretos, e no caso da Sonnet, mais em baixo e com um cesto mais pequeno. Porque o que lá têm, dá a ideia que obstrui a visão. No entanto, isto depende das necessidades de cada um. Acho os suportes para carga indispensáveis para estas bicicletas.
Acrescentava era um descanso para a bicicleta, de preferência leve e discreto.

> Pashley Paramount e Provence

Pashley
Pashley Paramount
Pashley
Pashley Provence

- Todas as vantagens das anteriores, mas com uma transmissão de cinco velocidades, que permite mais abrangência de terreno, com algumas subidas mais íngremes (mas desconheço as relações dessa transmissão em particular).
- Rodas de 26″, só serão úteis para quem anda muito pouco de cada vez e está à procura de uma aceleração mais rápida.
- Gosto mais dos suportes de carga que equipam estes modelos.

Tal como nas restantes, onde está o descanso ?

> Biomega Amsterdam

Biomega
Biomega AMS men
Biomega
Biomega AMS lady

A Biomega tem muitos modelos que à primeira vista parecem interessantes, mas depois falha sempre alguma coisa. A transmissão e a geometria parecem não contemplar o uso que essas bicicletas teriam. Embora ainda fique a pensar em incluir o modelo MN1 cuja cor do quadro fica fosforescente de noite (vão lá ver que vale a pena), para a primeira parte desta sequência de posts, esta Amsterdam é a que acho mais realista e que encaixa na perfeição neste tipo de utilização.

- O material de quadro é algo de novo, já que é um processo particular escolhido pela Biomega o qual dizem que emula o efeito do Aço. Não sei se é verdade ou não, mas se for, é bom!
- Geometria de senhora e senhor.
- Garfo de aço = conforto, durabilidade.
- Transmissão com uma novidade face às outras. No lugar de uma corrente existe um eixo de transmissão. Dizem ser menos eficiente, mais pesado e mais complexo (é de certeza), provavelmente mais caro de reparar. Mas não é coisa que se deva reparar assim tanta vez*. Por outro lado é uma extensão das vantagens de uma transmissão interna. É limpa, não requer manutenção, não prende as calças e fica tudo com um aspecto mais simples.
De facto esta transmissão nem é bem positiva, já que dizem ter uma eficácia inferior a uma transmissão por corrente. Mas como o uso que estas bicicletas têm não entra em conflito com eficácia, acho que não é problema nenhum.
- Acessórios para cidade tal como as as bicicletas da Pashley.
- Guiador curvo e alto.
- Aspecto sem grafismos manhosos e painéis publicitários. Vai talvez um pouco em demasia na onda da Apple, embora a mim não me faça confusão.

Acho mesmo desnecessário os travões de disco nestas bicicletas, mas mesmo que se queira mudar para V-Brakes, o quadro não tem suporte para os mesmos. E onde estão os descansos ? :P

Para andar lento também não importa o diâmetro da roda, por isso é coisa que aqui não dou muita importância.

Em qualquer destas bicicletas, dois pontos a ter em atenção, e que me deixarem algo confuso. As dimensão do quadro da Pashley, já que parecem ter um numero incrivelmente limitado de dimensões (todas para o grande). Nas Biomega é fácil de ver, porque é uma marca que se encontra em bastantes lojas aqui em Portugal, já a Pashley não. O outro ponto é o peso. 13kg é um bom peso para estas bicicletas. Se for mas leve é melhor, mas mais que 14kg, já é algo que não comprava, a não ser que os locais onde andem sejam sempre planos.

* Sobre a durabilidade de travões de tambor e transmissões internas, deixo aqui em aberto, já que não usei nenhuma com tanta regularidade para saber se é coisa que dá problemas ou não. Mas se fosse comprar era bem capaz de arriscar pelas vantagens que apresentam.

Tenho visto alguns blogs e fóruns onde uma pergunta comum é “qual a bicicleta escolher ?”. Não sou a pessoa mais indicada para responder a essa pergunta (e daí nunca responder a essas pessoas), porque acho mais natural que se monte uma ‘a lá carte’. Mesmo assim não resisto a colocar aqui as minhas sugestões para quem quer andar de bicicleta mas não sabe bem que raio de bicicleta é que lhe serve.
Não estou aqui a olhar a relações de preço/qualidade, mas uma das sugestões desde já, é que se é a primeira bicicleta, não vale a pena gastar grande quantia. Penso que para saber se gostamos ou não de pedalar, uma bicicleta de 100€ de uma grande superfície comercial é o suficiente. Se gostarmos mesmo, então aí sim, as restantes sugestões que vou aqui expor já podem ser úteis, muito embora não aconselhe ninguém a gastar mais de 1200€ (e é muito), e muito menos a pedir créditos/endividar-se por qualquer tipo de bicicleta, a não ser que já goste mesmo de andar e tenha uma noção muito clara do que precisa.

Um dos maiores disparates que se vê por todo o lado, é a quantidade enorme de bicicletas “todo o terreno” que existem. Porque nem toda a gente as usa em trilhos, e fora destes, embora as BTT funcionem bem, existem bicicletas bem mais eficazes. Um outro disparate é chamar ‘bicicleta de montanha’ a uma bicicleta todo o terreno, já que qualquer bicicleta de estrada ‘trepa’ qualquer montanha muito bem, desde que seja sobre asfalto. E muitas outras, trepam até em todo-o-terreno desde que este seja rolante, como é o caso daquelas bicicletas de estrada com algumas coisas de TT, que se denominam de Ciclo Cross (que é, em primeiro lugar, uma modalidade).

Vejo muita gente (eu inclusive), a andar em ciclovias. As que existem perto de Leiria (Praia da Vieira até Nazaré) são boas, com excepção do troço que passa em S.Pedro (pela quantidade imensa de gente que por lá anda a algumas horas do dia, e da sua infeliz falta de civismo), mas muitas não dão para andar a sério, quer pela sua dimensão ou pela quantidade de pessoas que por lá andam.
Andar em estadas, cidades e ciclovias, requer um esforço diferente de andar no meio do trilho (pelo menos uma boa parte deles), já que este último é arrítmico, a resistência é exigida numa sucessão de explosões de força e de movimentos técnicos. Andar em estrada, é muito sobre ritmo de pedalada – a cadência – e da resistência ao mesmo. Não se fica sujo, não se desgastam as peças da bicicleta ao mesmo ritmo de uma BTT, não requer tantas afinações e é, quanto a mim, mais eficaz para perder peso. É igualmente um vicio, já que se começa a ficar obsessivo com relações de distância e tempo para as percorrer, e é natural que se aumente progressivamente a cadência, força e resistência. Como é natural é na estrada que se sentem velocidades altas, se bem que quem pratica Down Hill também as sentirá, mas de forma diferente.
Por outro lado, quando se anda em estrada/cidades, não existe a natureza, não existem saltos, nem a constante alteração de ritmos e outras emoções derivadas ao terreno no BTT.

O andar de bicicleta têm uma relação estreita com a própria bicicleta, mas penso que antes de se olhar para a máquina é bom ter uma noção do que nos dá mais prazer a fazer. Porque andar no meio de trilhos, silvas, pedras, raízes e barro é coisa que não agrada a muita gente. O que é bom para os outros, pode não ser para nós. E a bicicleta não anda sozinha.

Bom, mas em qualquer caso, se andar entre ciclovias, cidades ou outras estradas (asfalto) é o que querem, algumas sugestões são:

> a Cannondale Bad Boy Ultra

Cannondale Bad Boy
Cannondale Bad Boy Ultra

Aspectos positivos:
- Primeiro a geometria do quadro, que pelo menos para o meu corpo, me permite dispor bem o peso e de igual forma, proporciona mais tracção. Não é uma geometria relaxada, o que é excelente para subir, mas pouco confortável para quem quer andar lento.
- O quadro tem uma tubagem que me agrada particularmente, já que dá a ideia (não sei se é ou não verdade) de ser rígida e construída para ser eficaz onde é preciso com simplicidade e sem excessos (= peso extra). O slooping acentuado (a inclinação do tubo que vai da direcção ao tubo do selim), é boa para manter o centro de gravidade da bicicleta mais baixo e permitir mais manuseabilidade, que também trás a vantagem de ser um pouco mais confortável para montar e desmontar, especialmente para as ‘gajas’.
- O guiador horizontal é bom para andar em cidades e distâncias médias e curtas, porque permite manter uma posição mais vertical do tronco, e os manípulos dos desviadores (que servem para pôr e tirar mudanças) bem como os travões, estão literalmente, sempre à mão. Embora para longas distâncias – que não é a ideia por detrás da bicicleta – seja desconfortável. Mas para isso existem as bicicletas de estrada com os seus guiadores característicos.
- Rodas de 28″, que são de estrada (as de BTT têm 26″). E embora não conheça bem as rodas que esta bicicleta têm, o que é certo é que é possível colocar lá umas leves, que rolam rápido. Bem mais rápido do que qualquer uma de BTT rolará. Devido ao diâmetro, que cobre mais cm por pedalada do que uma roda de BTT (26″), à leveza que é importantíssimo para que rolem facilmente, e pela dimensão do pneu que acomoda – que ao ser mais estreito e mais leve, causa menos atrito, rolando mais facilmente. Ou seja, dada a mesma energia na pedalada, é possível andar mais rápido com esta combinação de roda/pneu do que com umas de BTT.
- Relação da transmissão, que é adequada para a cidade e mesmo para a ciclovia. Embora nesta última, talvez se esgotem facilmente. E isto é relevante. A relação que a transmissão têm é a relação entre os ‘dentes’ daqueles pratos que estão perto dos pedais e os ‘dentes’ dos pratos que estão ao pé da roda de trás. Fundamentar isto com factos, está fora dos objectivos deste post, porque é algo que ia maçar toda a gente e que mais tarde ou mais cedo vão acabar por descobrir. Por agora, a Cannondale Bad Boy têm uma relação boa, porque os dentinhos dos pratos da frente têm, de fora para dentro, 48/36/26 dentes (e esta é mesmo a contagem exacta.), e atrás têm nove pratos (3 da frente a multiplicar por estes 9 pratos, faz as tais 27 mudanças possíveis) cujos extremos são de 11 e 32 dentes. O que normalmente proporciona intervalos suaves entre as várias mudanças (sem grande discrepância entre os dentes de cada prato). Provavelmente para a ciclovia, para quem já anda a algum tempo, ter dois pratos à frente com 53/39, é mais adequado, mas lá está, a Bad Boy é veiculo mais direccionada para quem anda rápido na cidade e estradas/vias circundantes.
- O peso da bicicleta, deve ser modesto, mas isto é ver na loja mesmo. Bicicletas pesadas são terríveis para subir e não aconselho a ninguém (incluindo esta Bad Boy, caso seja pesada).
- A suspensão Bad Boy é algo que me agrada imenso, embora nem ache necessário suspensão para andar nos locais onde esta bicicleta está pensada para andar. Mas a Super Fatty Ultra é simples, eficaz, tem um botãozito logo no extremo, perto do guiador, para se bloquear. E quando está desbloqueada, proporciona conforto extra. À frente pelo menos… :P
- Desviador de trás Sram X7 e da frente Shimano Deore, é uma boa escolha e são bons. Alias, não aconselho nada menos que estes dois em qualquer bicicleta deste tipo (se for Sram, é o X7 para cima, e se for Shimano, é Deore para cima – e isto é para tudo, desde o pedaleiro às mudanças). E este conselho deve-se à relação de peso/preço/qualidade, ao seu bom peso, ao facto de funcionam bem e suavemente, de serem fáceis de montar e desmontar, fáceis de afinar e durarem bastante. Pelo menos, nunca tive de trocar nenhum por se partir, nem de os afinar após quedas. Embora nada escape a isto, seja caro ou barato.

Aspectos negativos:
- Não existe uma geometria especifica de mulher. E acho isto inadmissível hoje em dia, já que o peso e fisionomia é diferente dos homem.
- Acho travões de disco uma absurdo para estas bicicletas, já que os V-Brakes chegam e sobram, e são bem mais leves e baratos do que os Avid Ball Bearing 5 que vêm equipados na Bad Boy Ultra, e mais leves e baratos que qualquer travão de disco (proporcionalmente pelo menos).
- A Cannondale parece já não ter disponível no site uma versão com a transmissão interna Rohloff. É estranho e é uma pena, mas sobre isto de transmissões falo num outro post.
- O quadro é bom, mas preferia que fosse de aço, já que o alumínio é material ranhoca (= pouco confortável) para andar em todo o lado com a excepção de uma boa estrada (que é coisa difícil em Portugal).
- O pedaleiro transporta consigo relações adequadas, mas não sou grande adepto de rolamentos internos (por serem mais ‘chatitos’ de se instalar e desinstalar), e aconselhava a mudarem para Shimano SLX ou Truvativ FireX.
- As rodas são um enigma, não se sabe o peso nem detalhes das mesmas. Em qualquer dos casos, umas Mavic Ksyrium SL resolviam o problema.

> a Surly Cross Check

Surly CrossCheck
Surly Cross Check

Aspectos positivos:
- Quadro de aço! com uma geometria que trás consigo as mesmas vantagens da Cannondale Bad Boy, embora a ausência de slooping – já que é um quadro com geometria clássica – tenha algumas desvantagens que também são importantes para perceber que a ideia aqui já não é a mesma que a Cannondale Bad Boy. Esta, está mais virada para a estrada e grandes ciclovias, e embora esteja em casa na cidade, o que têm em mente são viagens grandes e, caso se pretenda, fora do asfalto, bastando para isso mudar os pneus.
- A geometria e o material não é o único indicativo de que é uma bicicleta para viagens longas, ou qualquer tipo de viagem, de forma eficaz e confortável. A transmissão com pratos de 12-25 atrás e 48/36 à frente, sugere que foi pensada para andar fora da estrada em superfícies relativamente rolantes. Mas lá está, uma bicicleta comprada na sua totalidade tem sempre muitos “mas”, e este pedaleiro com 48/36 dentes não é adequado a longas viagens sobre asfalto. Para isso existe o 53/39. Embora o 48/36 seja perfeitamente adequado a quem não está ainda muito habituado a pedalar durante muito tempo. Especialmente com os pratos de 12-25 atrás.
- O quadro e garfo em aço, mais sendo da Surly, são sinónimos de conforto. Digo eu que tenho um garfo deles :P
- O guiador de estrada permite colocar as mãos (e o tronco) em 4 posições. Indispensável para longas distâncias.
- Rodas de 28″. Decisivas para este tipo de bicicletas.

Aspectos negativos:
- Não existem em geometria de senhora.
- Os manípulos dos desviadores e travões estão numa posição completamente inadequada para andar em locais como cidades. Os desviadores, que na foto estão no extremo de baixo dos guiadores, deviam estar atrás dos travões, que na foto, estão na parte da frente do guiador.
- Os desviadores são Shimano Tiagra. Aconselho no mínimo Shimano 105, pelos mesmos motivos que aconselhei a gama X7 da Sram e Shimano Deore na Cannondale Bad Boy. Os Sram’s X’s e Shimanos Acera/Alivio e Deores são para BTTs e bicicletas de ‘cidade’. Para estrada existem outras gamas. Na Shimano só vale a pena (para o valor que referi acima) da 105 para cima, na Campagnolo (a única marca aqui que só produz para ciclismo de estrada), a partir do Centaur, e Sram a partir da Rival (também não existem muitas gamas na Sram para escolher :D). Digo isto do ponto de vista de quem anda a escolher uma bicicleta de estrada e respectivos componentes, e pela experiência que tenho com as marcas em BTT. Que fique bem claro que nunca usei nenhum componente de estrada.
- Os restantes componentes não são grande “pistola”, e as rodas seriam para mudar tal como na Bad Boy. A cassete também, e o mesmo para a corrente. Por isso também ficam já a saber que quando falo em bicicletas boas, estou-me a referir essencialmente a quadros bons. Os componentes olho para eles à parte, embora sejam igualmente importantes.

Para mim é um quadro a ter em conta (já ando de olho nele há uns tempos) e a Surly é essencialmente sobre quadros e componentes, com alguma idiossincrasia. E de facto tem de se mudar uma maior numero de componentes do que nas restante bicicletas.

> a Trek 7.5 FX

Trek 7.5 FX
Trek 7.5 FX WSD

Aspectos positivos ?
- Geometria com as mesmas características das bicicletas anteriores. Com a vantagem de existirem modelos específicos para ‘nino’ e ‘nina’. Coisa que me faz recomenda-la para as ‘ninas’. E mantém um slooping acentuado como a Cannondale Bad Boy com todas as suas vantagens.
- Um garfo rígido á frente, de carbono. Falam bem deste tipo de garfos e acredito que sejam tão bons como os meus Surly 1×1, quer em durabilidade como conforto. Mas nunca usei nenhum, por isso deixo isto em aberto.
- Pneus adequados na medida 700×32c (mais confortável). Se são rolantes ou não, não sei.
- Equipamento razoável em toda a bicicleta, com as gamas Shimano LX (que actualmente vai ser substituída pela SLX) e Shimano Deore. Embora com as rodas, fique sempre de pé atrás.
- Transmissão adequada ao uso que se propõe, que é um uso em tudo idêntico a Cannondale Bad Boy. Embora a cassete (o tipo de encaixe onde estão reunidos os pratos dentados de trás) com 26-11 possa ser exigente para pernas menos treinadas. Mas será suave nas transições, mais que uma 32-11.
- Guiador horizontal, que tem as mesmas vantagens que foram descritas na Cannondale Bad Boy.
- Rodas de 28″, pelas razões já descritas.

Aspectos negativos ?
- Alumínio! este quadro era algo que não tinha dúvida nenhuma em recomendar a 100% se fosse de aço. Porque é confortável, é resistente e dura.
- Cassete Sram PG950 provavelmente não é grande aposta a nível de peso, e uma Shimano Deore ou Deore XT era mais adequada (mas não sei se existem nas mesmas relações..).
- Rodas, não devem ser grande coisa de certeza (nem vêm listadas no site da Bontrager), mas isso pode-se mudar. Existem boas rodas quer da Shimano, como da Mavic, DT Swiss, American Classic, Campagnolo, Easton, FSA, Spinergy, Zipp, etc, etc. Eu gosto das Reynolds Solitude 28″, especialmente do preço :P

E é só. Por agora :P
Em qualquer das bicicletas, trocar o pedaleiro para um com pratos de 53/39 para andar mais rápido, e colocar uns pneus com a medida 700×23c para ir a voar. Para andar em trilhos relação 48/36 e pneus de trilho 700×32c (que são mais largos e confortáveis). Mas essas relações de transmissão e pneus é coisa ao gosto de cada um (como tudo o resto nas bicicletas). O selim é coisa que de certeza toda a gente acaba por mudar, seja que marca for e que preço tenha :P (eu gosto dos WTB :D e os da Selle Royal também são bonzitos. Já tive dois da Selle Italia, o Max Flyte Trans Am e o ProLink e não gostei nada.)
Em qualquer das bicicletas, é experimentar primeiro e ver se nos sentimos bem em cima dela e olhar com _muita_ atenção à geometria! Ver os defeitos da bicicleta anterior e optar por uma melhor. Sites com medições são o que não falta. E na www.bikemagazine.pt e www.competitivecyclist.com têm boas indicações e medições para vos ajudar. Mas a melhor ajuda é a experiência que cada um têm e os problemas que vai sentindo.

Uma outra bicicleta (quadro) que me agrada é a DeRosa Neo Primato, mas é semelhante à Surly que aqui analisei, embora o quadro pese menos 400g. Por isso é algo a ponderar (para mim é, que estou de olho nesses quadros ;P) e fica aqui a sugestão para quem não têm problemas em montar bicicletas.

Isto também veio desmascarar o facto de me inclinar sempre para o que anda mais rápido.
E para quem gostar de andar mesmo na cidade, sem grandes pressas, como transporte para o trabalho ou compras, num raio de 4/5km ?
..Isso é no próximo episódio.