Arquivos Mensais: Janeiro 2009

Há dias fui confrontado – em jeito de interpelação – a propósito desse acto de dar e receber prendas. Na altura nem soube bem o que dizer, até porque, afinal é coisa com que poucas vezes me confronto, sendo essas poucas vezes, delineadas apenas pelas intervenções de algumas figuras familiares.
A verdade é que detesto dar e receber prendas. Nem consigo associar a prenda ao acto de prendar alguém. Prenda para mim é, do lado de quem dá, sempre uma tentativa de prender. E, do lado de quem recebe, um gesto desarticulado de, por momentos, se sujeitar por um valor qualquer, a um laço social.
Uma prenda é um exemplo clássico de interpelação (num sentido de intimação), cada um traz uma mensagem do género: ‘és dos nossos, ou não?’.
Como sou adverso a comunidades e grupos, é natural que sejam actos impensáveis para mim. E como não pertenço a nenhuma comunidade (que para mim só significa uma cambada de palhaços) é natural que não tente intimar ninguém para que continue a pertencer a um grupo.
De facto, para mim, dar prendas é um mero acto publicitário (e mesmo assim, algo débil) para a fidelização de clientes.

Se gostasse de dar prendas, iria adorar o tão afamado companheirismo do BTT. Era um ser familiar. Fazia um esforço para pertencer ao grupo das pessoas reprimidas ou adoradas nas aulas de língua portuguesa do secundário, e que escrevem e tentam impôr o gramaticalmente correcto, embora sem se preocuparem com o que, de facto, se diz. Era provável que gostasse de criar comunidades e amizades à volta de aparelhos e maquinetas e, muito provavelmente, de marcas e tipo de produtos que definissem um estilo de vida. Participaria em fóruns, workshops e ia a todos os concertos que se realizam em Portugal. Ah, espera lá! Ia-me esquecendo, já falei do estilo de vida (lifestyle, como se diz em marketês)?
Mas o que é certo, é que todas essas coisas não conseguem sair daquela caixinha do desinteresse que me acompanha todos os dias. E para ser sincero, respeitando obviamente a felicidade de todos, não consigo olhar para eles de outra forma, que não como números estatísticos e gente influenciada por uma boa dose de futilidade. Não que também não seja um número estatístico e influenciado por algumas coisas (porventura, fúteis :P).

Só gosto de dar prendas à minha bicharada, precisamente porque não entendem esse simbolismo todo. Nem são mais ou menos amigos. Nem eu espero nada de volta e nem é reforçado nada.

Acho que, quanto mais se repete a palavra ‘crise’ nos telejornais, mais disparates acontecem. Ou talvez, isso coincida com os dias em que eu vejo o telejornal e revejo tanta gente a usar essa palavra.

Por aqui, e o aqui é um local pequeno, vi numa estrada um acidente entre dois veículos, numa outra lá perto, uma pick-up com as ‘rodas para o ar’ caída num terreno perto do hospital, e já mais à noite um automóvel, parado no meio da estrada, com uma avaria. Além de alguém ter confundido uma agência de design, com uma agência de viagens.

Esta é, alias, uma crise curiosa, já que nunca vi tantos automóveis deste género, e também deste, deste, deste, deste e deste, a circularem na estrada. Nem lojas de roupa a ‘dispensarem’ funcionários ou a fecharem. Nem o valor dos combustíveis a um preço tão baixo, nem tanta noticia a dizer que a euribor esta a descer. Tanto isto se vê todos os dias, e tanto se fala de crise, que crise passa a ser do domínio da hipocrisia. É só para um grupo restrito de indivíduos, que muito provavelmente já viviam em crise à muito tempo e cujo acesso ao crédito é ainda mais complicado e, ao contrário de algumas empresas, não podem pedir dinheiro ao estado, ou por outras palavras, aos contribuintes. Coisa essa, de contribuir com o nosso dinheiro – de pessoas em crise – para adiar a por vezes fictícia reestruturação ou falência de algumas empresas, impossível de concordar. O estado, que alias, faz imensos favores a muita gente em detrimento de outras.

Mas, o que quer que seja (e, na verdade nunca percebi bem a razão dessa ‘crise’), toda gente parada e barafustada à sombra dessa palavra, como se nada conseguissem fazer, é que não deve resolver o problema.

Despeço-me com um aviso para quem venha a ter acidentes e avarias. É só para lerem melhor o código e vejam a que distância é que o triângulo tem de estar do veiculo!

É verdade senhor leitor! Mais um post de design a entupir este blog.

Devo dizer que já suspeitava dos cinco anos (sim, refiro-me a esse lugar no tempo em que uma licenciatura tinha essa duração) que andei a estudar design. No final do curso, disse a mim mesmo que não queria mais nada com aquilo, que queria ir distribuir a correspondência para os CTT, para não ter chatices e ganhar dinheiro à mesma. Depois, acabei o curso e fui, de facto, experimentar isso de distribuir cartas para os CTT, e não gostei de ter um trabalho em que não fosse obrigado a pensar e criar nada. Nesta altura, ainda não tinha bem a noção daquela coisa a que chamam mercado de trabalho, e muito menos do ponto de vista da profissão do design nesse mercado. E hoje, após dois anos de experiência profissional nisto do design, o que acabo por constatar é que após um investimento de cinco ano a estudar (num curso que não é barato), a adquirir um conhecimento e ferramentas das quais me orgulho bastante, estas, não parecem ter qualquer valor para esse mesmo mercado. E embora se olhe todos os dias para o benefício do design, seja em que manifestação for, a paradoxal invisibilidade deste, torna-o inexistência para quase toda a gente. É de tal forma assim, que a quem a ele recorre, fá-lo sem saber bem de onde é que aquelas ‘coisas’ todas saem. E recorrem antes a um interlocutor que tem, segundo essas pessoas, autoridade nesse mercado. Essa pessoa é muitas vezes, ou um gestor, ou um comercial, ou um marketeer. Nem que seja, porque o raio do nome da profissão deles é familiar na língua portuguesa.

Esses senhores e senhoras com autoridade e reconhecimento no mercado, recorrem então a equipas de criativos que criam lá as ‘coisinhas’ para o cliente ganhar dinheiro (e bem sei, nem sempre é assim). Se o leitor estiver atento, reparou que estou a falar das grandes agências de publicidade que fazem de facto, essas campanhas. Dado importante para este post, já que somente a essas agências é que se dá crédito para a criação de campanhas com medição de metas, objectivos concretos baseados estudos de mercado e estratégias de meios. Neste contexto, as equipas criativas, são equivalentes directos a operários fabris e ao chefes/inspectores de secção, correspondendo respectivamente ao designer e director criativo. Designer e director criativo que, numa outra agência de menor dimensão, não só, fazem maioritariamente o que o cliente manda (que se assume como uma espécie de director criativo), como ainda não são tomados pela sociedade e por esse tal de mercado, como gente capaz de perceber os negócios e necessidades de cada cliente. E daí, qualquer designer, seja de facto (ou ainda), alguém no mesmo estado de operário fabril. Mas atenção, um operário fabril ‘clean’ e ‘fashion’ ! Mantendo o mesmo estatuto de fraca autoridade, inaptidão social e situação precária. Ficando, uns por culpa de um discurso idiossincrático e outros sem querer, socialmente a par de quem não sabe nada do que faz e se auto-intitula designer.

Não tenho absolutamente nada contra quem assume a função de operário numa fabrica, só não vejo é a necessidade de tirar uma licenciatura para ser um. E é isto que me deixa revoltado, com a sensação que fui sendo enganado nos cinco anos em que andei a estudar porque, nunca ninguém tocava nestes assuntos. A tal ponto que já estou decidido a tirar, quanto antes (quando juntar dinheiro e algum tempo) um mestrado em marketing. Ou isso, ou o mestrado em algo tenha valor na sociedade de agora, e que me permita ganhar dinheiro correspondente ao que investi (e investiram) nos cinco anos que andei a estudar. Um doutoramento, embora – e também com orgulho -, esteja ao meu alcance, demora demasiado tempo para o considerar prático.

No fundo, tenho pena é não ter estudado medicina. E como tantos palhaços com bata que andam para aí, ficava ’sentadinho’ a receitar descanso, esperança e um Panadol a toda a gente, que se me desse mais trabalho mandava a um especialista. E ainda tinha 150.000€ para gastar num Mercedes AMG (ou cerca de 10 Renaults Clio, uma casa por exemplo, e possivelmente um barco e um avião de jeito) e ainda outros tantos para meter férias quando quisesse e ir para onde bem me apetecesse.

Imagens de Marca, é um programa que dá na SIC Noticias, meio despercebido para mim que só vejo televisão entre a 1h30 e 3am (por vezes até mais tarde, é verdade!). A SIC que, já agora, ao contrário da RTP, não coloca arquivos dos seus programas na Internet (embora este programa em particular, ao contrário do que pensava, tem as emissões aqui). Mas pronto, há quem teime em ser ‘conas’.

Imagens de Marca, tem a sua audiência sintetizada na apresentadora. É aquela senhora, que está responsável pela comunicação lá da empresa do marido, ou talvez até nem tenha nenhuma posição a sério em empresa nenhuma. Mas quando o marido chega a casa, lá dá um conselho ou outro sobre essas coisas da decoração, design, marcas e etc. e tal. E digo isto porque, o programa apresenta as coisas de forma comprometida entre, por um lado, a vantagem económica do desenvolvimento de uma marca – ligada aos empresários – e a palhaçada dos clichés que envolvem ‘essa coisa’ da publicidade, cheia de ‘ena!’ e ‘ai é assim?’ e ‘uau!’, ligada ao universo de fascínio doméstico.
Então tudo acaba por se confundir, é ‘decór’, branding, fashion, ajudar as crianças, arranjo floral ou sei lá o quê. Pouco lhes importa. Se é ‘giro’, der para dar conselhos à empresa e ‘coisa e tal’, e entreter a ‘fada do lar’ ou a ‘fada da empresa’, eles apresentam. Afinal quem tem jeito para essas coisas das artes, não são as mulheres?
E se no meio fizerem publicidade, de forma bem clara, a algumas empresas de quem gostam.. porque não?

No fundo só queria expresso aqui o meu desagrado com esse programa porque, até podia ser engraçado para quem está no meio, se lhe tirar-mos, além de outras coisas, a publicidade gratuita (ou não).

Antes, quando só ocupava o lugar de passageiro no automóvel, não gostava de carros nem de quem fazia girar a sua vida em torno dos mesmo.
Hoje continuo a não gostar dessas pessoas – e são bastantes -, mas acabo por ir gostando cada vez mais de conduzir, e a pouco e pouco, lá vou criando o meu nichozito na condução, reflectindo aí um pouco da minha vida.

É verdade que continuo a não gostar do carro-publicidade-individual; do carro cara-de-qualquercoisa; do carro “carapau de corrida” com um tubo da canalização em lugar do escape e uma discoteca lá dentro; do carro que traz o quarto + sala de estar + casa de banho + o gosto ‘artístico’ do dono para a rua; do carro quero-à-força-ser-grande; do M3/AMG-dos-40km-casa-trabalho; do carro-que-diz-que-sou-rico, e afins. Não tenho nada contra eles, mas estava a mentir se dissesse que os adoro ou que a existência destes era saudável.
Tenho vindo sim, a ganhar uma simpatia por carros musculados americanos. Mas sinceramente só gostava de ter um para fazer viagens muito longas, tipo a travessia de um continente (de preferência com poucos limites de velocidade). Para depois vender e comprar outro, quando quisesse atravessar outro continente qualquer.

Agora, embora seja muito engraçado falar dos meus objectivos/sonhos, a verdade é que escrevi este post porque não me agrada nada, ao contrário do que acontece no ciclismo, da ausência de informação, divulgação, hábitos, locais de venda e disponibilidade para a aquisição de peças (sem ser a porcaria dos ‘alerôs’, jantes ‘especiais’ e os tubos de escape maiores do que o carro).
Coisas que me deixam frustrado, em altura de substituições, de não ter a oportunidade de comprar peças melhores do que as que vinham de origem do automóvel, com a excepção dos pneus. Acho que, por exemplo, devia poder optar por travões melhores e mais leves, ou jantes mais leves (e não mais giras), que levassem o carro a consumir menos. Ou outras peças, com materiais melhores, mais leves e mais duradouros.
Por outro lado, não sei se esta falta de opções não será mais uma falha das oficinas, que também não se interessam muito pelo assunto. Ainda gostava que me dissessem as diferenças entre várias suspensões, e o efeito que têm na condução. Gostava ainda que me indiciassem o peso das mesmas, e aproximadamente, os km que duram. Mas o ‘isso anda tudo pelo mesmo, mais coisa menos coisa’, é a resposta mais comum. Isto para nem falar da escassa informação sobre pneus e ainda outras ausências, como por exemplo o preço dos motores que equipam ou poderiam equipar os automóveis com que andamos.

A ideia que tenho é que o mundo automóvel é o mundo das marcas automóveis, preços ridículos mas socialmente aceites e pouco mais.
Sendo este ‘pouco mais’, talvez totalmente composto por fanáticos de rodas largas, com grande diâmetro, pneus de baixo perfil e uma determinada estética que acham que os carros devem ter.

Normalmente sinto-me mais confortável a falar mal das coisas, ao fim ao cabo é mais simples.
Desta vez vai ser diferente, vou falar bem :P.

Se muitas vezes existe um esforço enorme e prolongado para conseguir esclarecer um determinado ponto de vista, existem também os casos em que alguns minutos bem pensados, conseguem ser tão assertivos como uma tese inteira. Estou a falar, conforme o titulo sugere, de alguns sketches da série ‘Os Contemporâneos’, em particular do sketch do ep. de 11-01-2009 aos 35m11s ou do ep. de 04-01-2009 a 1m15s. Foram os que me chamaram mais a atenção, talvez porque já tinha vivido situações semelhantes.

A rtp1 está ainda de parabéns por colocar todos os vídeos online, já que é coisa que nunca vejo na tv.