Arquivos Mensais: Fevereiro 2009

Eis, em principio (!), a última marca que vou adicionar à colecção ‘Bicicletas Espectaculares’.

A Surly – que não fica em Inglaterra como pensava – não é uma marca que chame especial atenção à maioria das pessoas que andam de bicicleta. Não têm modelos de alumínio, carbono e escandio; não usam decorações garridas (parolas para alguns); têm tubos finos; não pretendem ilustrar a ideia de que uma bicicleta não serve somente para transportar os pobres; Não têm suspensões supersónicas .. Enfim, não prendem o olhar guloso que parece definir o humano contemporâneo. A não ser, claro está, de quem procura essas mesmas características numa bicicleta e não se importa de montar uma, peça a peça.

Surly Pugsley, de Vik Approved (http://www.flickr.com/people/vikapproved/)

Surly Pugsley, de Vik Approved (http://www.flickr.com/people/vikapproved/)

Mas o que me faz destacar a Surly, não foram os quadros de aço e uma atitude do quotidiano que estes reflectem. De facto, a Surly nem precisa de ninguém para a destacar (tal com as restantes marcas), o que fazem é suficiente. Vou por isso passar a enumerar alguns aspectos que considero únicos nesta marca:

- Sim, a atitude do quotidiano, até com alguma despreocupação de quem parece saber que as bicicletas servem para andar e não para serem olhadas, é um desses aspectos;
- Mas também temos os aros Large Marge, que conseguem albergar um pneu de 3,7″. É mesmo 3.7″, não de 2,7″;
- Uns pneus de 3,7″, chamados de Endomorph. E;
- um garfo e um quadro a condizer com este equipamento largo, com o nome de Pugsley.

Sendo que neste pacote único – porque não existe mais ninguém que os fabrique -, de pneus gordíssimos para uma bicicleta, um aro que o suporta, um quadro e um garfo que permitem que tudo consiga encaixar e andar, que está a verdadeira particularidade da proposta da Surly. E se parece estranho uma bicicleta com rodas de volume tão grande (mas com um peso bom para o tamanho), basta contextualizarmos as mesmas numa praia, lama ou no meio da neve, que passam a fazer imenso sentido. Também, embora mais invulgar, é vê-las a ser usadas noutros locais tais como em provas de cross-country (XC).

mark-and-charlie-on-ride1, tirada de www.wildfirecycles.com

Criador da Fatbike e o seu cão, tirada de www.wildfirecycles.com

Contudo, isto só por si não é, de facto, uma proposta realmente única. Já que a ideia de uma bicicleta com grandes pneus, remonta, ao que parece, ao Sr. Remolino do México, que modificava peças e quadros para conseguírem acomodar os gordíssimos pneus. Ideia que, posteriormente, foi apropriada e cristalizada na Fatbike pela Wildfire Designs, que usava os aros e pneus da Remolino nos seus quadros, os quais eram e continuam a ser, feitos por medida, juntamente com outras peças a ‘condizer’.
Aparentemente, a Surly foi a única marca a conseguir produzir tudo isto em massa e a um preço acessível. E é aqui que se encontra a verdadeira razão para que hoje, sejam a marca de bicicletas de pneus gordos.

O sr. leitor pode ainda encontrar um bom post sobre a história das bicicletas gordas aqui. Uma boa análise aqui, outra análise aqui. Vídeos aqui, aqui e aqui.

A Surly (link da Wikipédia) é uma empresa do Minnesota, EUA. Para quem está em Portugal, penso que o melhor local para arranjar uma (peça a peça) é na bike-components.de. Já as Fatbike da Wildfire Designs, localizadas no Alaska, EUA, não conheço quem as represente na europa.

Eis algumas coisas de que me tenho apercebido e gostava de partilhar:

01. Descobri que é possível montar uma bicicleta de estrada que é bem mais barata do que qualquer outra bicicleta de ‘marca’ ou completa com o mesmo nível de equipamento. Coisa que vou fazer assim que tiver dinheiro.

02. O que é feito de “Os Contemporâneos” ?

03. O IC2 de Leiria para o Porto é a estrada com a paisagem mais feia que conheço. Quem não conhecer Portugal e estiver interessado no retrato sócio-económico do país, não precisa de ir mais longe.

04. Ao ir para o interior do país e onde existem serras (falo por exemplo, da Lousã para o interior), é de notar uma atmosfera diferente, devido à sensação de protecção que as serras transmitem e ao território mais ou menos grande que envolvem. É giro, mas incita uma atitude de repouso e incomunicabilidade (que gosto também), que é mais difícil de existir quando o mar está presente.

05. Lisboa está a perder alguma da sedução que tinha há uns tempos atrás. Pelo menos, para mim (:P). Eu gosto de ir lá para ‘business’ e para andar no meio de alguma actividade, confusão e principalmente no meio de algo semelhante a uma cidade, de preferência perto do aeroporto. Pode parecer estranho, mas a satisfação que viver memórias e semelhanças nos trás, também é difícil de perceber.

06. Coimbra, que há uns anos achava uma ilha de velhos e jovens entusiastas do ser-se universitário, está saudável, mais activa, mais comercial e mais dinâmica do que nunca. Estou a gostar bastante de por lá passar, quem sabe não será lá que irei tirar um mestrado ou realizar futuros ‘businesses’ (:D)…

07. A Fnac está uma merda. Não que fosse muito boa antes.

08. Vale a pena estar muito tempo pela costa de S.Pedro de Moel (e não só), nunca se sabe quando se pode ver um grupo de golfinhos em pleno oceano e aos ’saltos’. Inesquecível e impressionante para quem nunca tinha visto (como eu).

09. A Serra da Estrela está a rivalizar com as praias enquanto ponto de atracção para os tempos ‘livres’ que tenho. E ainda bem que ambas estão por perto.

10. A livraria (e grupo de editoras) Almedina, no estádio de Coimbra, está de parabéns por ter os livros organizados. Coisa que parece ser difícil hoje em dia.

E acho que é só. Cartoons novos para a semana! :D E sim, não são mandamentos e muito menos os últimos, mas achei o titulo mais divertido :P.

… ou da maioria (pelo menos) e através do meu conhecimento empírico.

Nas notícias da Exame Informática (online) de ontem, diziam que teclados da IBM, Lenovo, Dell, Microsoft e HP, eram fabricados em instalações com condições precárias para os trabalhadores. Anteontem, Francisco Louçã disse que o lucro de Américo Amorim (acho) daria para pagar o salário dos funcionários que despediu, durante 4000 anos. E agora, e como sempre, abundam nos telejornais notícias de despedimentos e falências de empresas.

Facto é que, quase – ou todas – as empresas que conheço (que não são Sonaes, BPNs, EDPs e PTs, mas sim, sociedades de responsabilidade limitada, unipessoais e anónimas mas maioritariamente de pequena e média dimensão), para conseguirem gerar lucro, nem que seja para manter uma disparidade acentuada entre ordenados de funcionários e de ‘patrões’, praticam essa coisa de pagar pouco a 90% dos funcionários. E fazem-no no conforto de um argumento intimidativo, do género de ’se não queres o lugar, existem muitos que querem’ (que não é mentira nenhuma). Depois, se isto gerar muito lucro, melhor para eles já que retiram mais para o bolso numa espécie de investimentos “empresopessoais”. Mas a hipótese de aumentar proporcionalmente o ordenado de quem contribui para o sucesso da empresa, é coisa que está longe dos planos da maioria dos gerentes/administradores/donos.
Os resultados disto são óbvios: acentuação da desigualdade social, aumento da pobreza, sentimento de injustiça, aumento do crime e por aí fora. E também é verdade que não é preciso ser muito iluminado para perceber isto, mas a ganancia desmedida e insensibilidade social desses tais dirigentes, parece ser mais forte do que qualquer coisa. Na verdade, não os posso censurar, já que para alguns serve como vingança de tempos menos bons, mas não deixa por isso de ser errado e, quanto a mim, essas disparidades salariais deviam ser reguladas no mundo inteiro.

E também é facto que, não faz sentido manter empregados a trabalhar desnecessariamente, mesmo que se tenha dinheiro para lhes pagar. Afinal, as máquinas ameaçam isso mesmo à muito tempo e são economicamente mais rentáveis. Daí que, sempre me fez alguma confusão tomar o emprego numa fabrica como algo garantido. E é racional, do ponto de vista competitivo, despedir mão de obra desnecessária para volumes de trabalho ou por opções estratégicas diferentes, ou, para aumentar os lucros do tal do ‘patrão’. As duas primeiras razões são inevitáveis e a segunda é injusta mas legal.

No fundo, o que queria aqui escrever como se estivesse a pensar alto, é que acho que o desemprego está a tornar-se um reflexo rápido e óbvio da desadequação do sistema económico (era para dizer capitalismo, mas não tenho conhecimento suficiente para falar sobre esse conceito) ao ritmo, necessidades, expectativas, nível de informação, conhecimento e ambições de toda a gente.
Hoje, é intolerável essa discrepância entre gerência, patronato e o funcionário. Hoje é inconcebível ser-se forçado a aceitar a ideia de que se é dispensável e, pior ainda, a investir em cursos que geram gente dispensável, mas também em não investir nos mesmo, já que assim é que nos tornamos certamente dispensáveis.

Acho também disparatado atribuir-se o desemprego à crise. As empresas que precisam de investir em publicidade (por exemplo), continuam a investir, mas quem o fazia por capricho já não o fará com tanta leviandade. Quem precisa de comprar matéria prima (seja ela qual for) para o seu negócio, vai continuar a fazê-lo. E vai continuar a haver quem venda, porque há quem continue a comprar. Só não existe é tanto disparate a comprar, mas isso nunca devia ter existido em primeiro lugar. Existem, decerto, empresas que deixam de ser competitivas, que já não o eram provavelmente e, que sem esses caprichos, poderão viver mal. Mas isto já existia tudo.
O desemprego existirá inevitavelmente sempre que existir a necessidade de competitividade. Em fábricas, existirão máquinas melhores e independentes e, nos serviços, existem pessoas cada vez mais qualificadas e ferramentas cada vez mais eficazes que automatizam o trabalho e reduzem a necessidade de recursos humanos. O contraponto disto, para manter ambos mão de obra e competitividade, parece ser sempre aquele que a Microsoft, Lenovo (e há uns dias pensei em comprar um teclado deles, que provavelmente até irei comprar) e mais umas tantas, recorrem para baixar preços, ou seja, um trabalho semelhante à escravatura. Mas quem é que resiste em comprar um produto funcional e barato?…

Por isso, não seria também oportuno aproveitar as oportunidades que a crise proporciona, para pensar e implantar algo de novo que, de facto, funcionasse na sociedade actual? Tenho a certeza que não seria mais utópico do que continuar com a economia de hoje em dia, que a cada dia só parece fazer regredir em vez de progredir. Ou será que, o que faz toda a gente feliz é informática a preços baratos e aplicações inúteis para o iphone? Digo isto, porque é a única coisa que parece ter evoluído nestes últimos tempos.

Capitalismo para Todos

Capitalismo para Todos


O meu novo entertém, em desenvolvimento claro.

Não sei se me vou repetir neste post, até porque nunca mais li o que escrevi anteriormente sobre a essa amalgama de valores e tentativa de perpetuação de sexo forçado, denominada de família.

Se, essa vontade de sexo forçado – aquele que é do dever e obrigação dos elementos do ‘casal’ – fosse a razão deste post, era a pessoa mais feliz do mundo, tal era supérfluo essa coisa da família. E também ficava contente se fosse sobre o resumo dos documentários do National Geographic e dos restantes canais para as crianças que querem ser adultos à força, que nos dizem que isto tudo é para perpetuar a espécie. Se fosse só isto, o mundo era, sem sobra de dúvida, um lugar melhor.

Mas o que é certo – e a família tem a particularidade de ser um assunto, tal como a religião, que se for bem analisado, revela uma perversão assustadora -, é que a família tem uma função de estratificação e ordenação social. Isto é, desde cedo, se impõe que os mais velhos têm mais (ou total) poder, respeito e credibilidade face aos outros elementos mais novos. Não falo de crianças com menos de 15/16 anos, com é óbvio. Falo em idades superior a estas.
Aspecto que, só por si, não favorece em nada a produtividade do país. Já que mesmo com 20 anos de idade, se tratam essas pessoas – as mais novas da família – como crianças. Um aspecto que é aliás, favorecido pelo ensino, pela pouca responsabilidade que delega a cada uma dessas tais crianças.

O mal – que só pelo aspecto acima descrito, já sairá de uma mera opinião – começa por aqui, mas propaga-se durante mais tempo, com a aplicação do mesmo descrédito a quem se lança no mercado de trabalho. Tentando até imprimir-se um criancice à força, a essas pessoas que começam a laborar, para as mascarar de ineptos sociais. Um atitude que combina na perfeição, com a própria educação sem responsabilidades que lhes foi imposta.
E este é mais um ponto para o lado do retrocesso e perversão social (e por favor, não entendam a palavra ‘perversão’ como se de um contexto sexual se tratasse) levado a cabo pela família.

Para mim, e nem importa dizer a minha posição no mercado de trabalho, isto é um factor decisivo para um insucesso, um ‘fecha portas’ real, que todos os dias põe em causa o meu meio de subsistência. Facto esse que, embora escrevendo suavemente sobre ele, acarreto com grande peso (ou será rancor?) todos os dias.

Um outro ponto que a família adiciona a esse retrocesso e perversão social, é um efeito secundário do primeiro. Ou seja, por os valores da família estarem de tal forma vinculados à nossa sociedade, sendo parte da vida da grande maioria dos seres que por cá abundam (e já são demais), acabam também por ser o dia-a-dia dessa massa abundante. São intrigas, amores, ódios, paixões e fantasias e, mais importante, são também assunto de partilha e amizade nas conversas desse mesmo dia-a-dia. Conversas que criam empatias, laços de amizade e confiança, sensações de credibilidade e segurança e, isto tudo, pela mesma ordem hierárquica definida no próprio seio familiar. Sendo que, até se poderá achar piada a alguém que, numa família seria dos ‘mais novos’, admirar essa mesma ideia de família sem ter ‘contraído matrimónio’. Coisa que até merecerá a confiança de alguns benefícios, por parte dos mais velhos.

Para mim, que não abraço esses valores e não consigo ser falso quanto a isto, a oportunidade da criar esses laços de confiança, credibilidade e até de amizade, são completamente postos de parte. Coisa que também me prejudica, e muito, no dia-a-dia. Prejudica de tal forma que penso que, aos olhos da sociedade, quem não abraça esses valores, é olhado com tanto ou mais preconceito e descrédito como quem gosta de alguém do mesmo sexo.

E o sr. leitor pode perguntar: mas, para o dr.kosmos, os homossexuais são piores ou melhores do que quem não gosta dos valores familiares? Acha ‘mau’ alguém que é homossexual ?
Claro que não, os homossexuais são, como é óbvio (e não é para alguns, pelos vistos), iguais a toda a gente. Mas a razão pela qual escrevi este post, é que muito se fala do direito da homossexualidade – e com razão -, mas sobre quem não abraça os valores da família e está sujeito ao mesmo escárnio social (daí a comparação), nunca se abre a boca. Será que, por estar tão enraizado (até na luta dos direitos dos homossexuais), ninguém dá conta?