Eis, em principio (!), a última marca que vou adicionar à colecção ‘Bicicletas Espectaculares’.
A Surly – que não fica em Inglaterra como pensava – não é uma marca que chame especial atenção à maioria das pessoas que andam de bicicleta. Não têm modelos de alumínio, carbono e escandio; não usam decorações garridas (parolas para alguns); têm tubos finos; não pretendem ilustrar a ideia de que uma bicicleta não serve somente para transportar os pobres; Não têm suspensões supersónicas .. Enfim, não prendem o olhar guloso que parece definir o humano contemporâneo. A não ser, claro está, de quem procura essas mesmas características numa bicicleta e não se importa de montar uma, peça a peça.

Surly Pugsley, de Vik Approved (http://www.flickr.com/people/vikapproved/)
Mas o que me faz destacar a Surly, não foram os quadros de aço e uma atitude do quotidiano que estes reflectem. De facto, a Surly nem precisa de ninguém para a destacar (tal com as restantes marcas), o que fazem é suficiente. Vou por isso passar a enumerar alguns aspectos que considero únicos nesta marca:
- Sim, a atitude do quotidiano, até com alguma despreocupação de quem parece saber que as bicicletas servem para andar e não para serem olhadas, é um desses aspectos;
- Mas também temos os aros Large Marge, que conseguem albergar um pneu de 3,7″. É mesmo 3.7″, não de 2,7″;
- Uns pneus de 3,7″, chamados de Endomorph. E;
- um garfo e um quadro a condizer com este equipamento largo, com o nome de Pugsley.
Sendo que neste pacote único – porque não existe mais ninguém que os fabrique -, de pneus gordíssimos para uma bicicleta, um aro que o suporta, um quadro e um garfo que permitem que tudo consiga encaixar e andar, que está a verdadeira particularidade da proposta da Surly. E se parece estranho uma bicicleta com rodas de volume tão grande (mas com um peso bom para o tamanho), basta contextualizarmos as mesmas numa praia, lama ou no meio da neve, que passam a fazer imenso sentido. Também, embora mais invulgar, é vê-las a ser usadas noutros locais tais como em provas de cross-country (XC).

Criador da Fatbike e o seu cão, tirada de www.wildfirecycles.com
Contudo, isto só por si não é, de facto, uma proposta realmente única. Já que a ideia de uma bicicleta com grandes pneus, remonta, ao que parece, ao Sr. Remolino do México, que modificava peças e quadros para conseguírem acomodar os gordíssimos pneus. Ideia que, posteriormente, foi apropriada e cristalizada na Fatbike pela Wildfire Designs, que usava os aros e pneus da Remolino nos seus quadros, os quais eram e continuam a ser, feitos por medida, juntamente com outras peças a ‘condizer’.
Aparentemente, a Surly foi a única marca a conseguir produzir tudo isto em massa e a um preço acessível. E é aqui que se encontra a verdadeira razão para que hoje, sejam a marca de bicicletas de pneus gordos.
O sr. leitor pode ainda encontrar um bom post sobre a história das bicicletas gordas aqui. Uma boa análise aqui, outra análise aqui. Vídeos aqui, aqui e aqui.
A Surly (link da Wikipédia) é uma empresa do Minnesota, EUA. Para quem está em Portugal, penso que o melhor local para arranjar uma (peça a peça) é na bike-components.de. Já as Fatbike da Wildfire Designs, localizadas no Alaska, EUA, não conheço quem as represente na europa.


