Arquivos Mensais: Julho 2009

No post anterior referi que existem algumas marcas que vendem os seus próprios produtos, como se fossem alguns anjinhos que andassem para aí a dar realmente uma oportunidade a quem quer pagar o menos possível – e muitas vezes, mais rapidamente -, por produtos que já conhece, pesquisou e escolheu. E isto é muito ingénuo porque, a verdade é que todas essas marcas que conheço, vendem todas os seus produtos ao mesmo preço que se encontram numa loja, outras até vendem mais caro. Um bom exemplo são os sapatos da marca Fly London, que comprados na Amazon ficam bem mais baratos (com portes).
Não percebo porque é que os sapatos dessa marca são mais baratos na Inglaterra do que em Portugal, quer no site da marca como em qualquer loja que os venda. Afinal, se quiser comprar online, directamente da Fly London, os sapatos estão lá na fabrica, não lhes foi adicionado nenhum valor relacionado com transporte, nenhum lojista colocou lá a sua (ou definida pela própria marca) margem.
Mas a verdade é que os Srs. da Kyaia ou de qualquer outra empresa/marca, não iam andar a ‘quilhar’ os seus amiguitos lojistas ou qualquer outro intermediário que exista pelo meio.

Por isso, o problema de não passar ao lado de toda a cadeia comercial, para obter produtos a preços mais realistas e num prazo mais curto, não é da belíssima ideia das marcas venderem os seus próprios produtos ou da inexistência destas. O problema esta na forma como estas marcas – mas também se aplica aos distribuidores – querem que os negócios se efectuem. E estes, embora não prejudicassem em nada o fabricante se o consumidor final lhes comprasse os produtos ao preço que vendem ao distribuidor/lojista, quer as marcas como os distribuidores, preferem antes não dar qualquer saída ao consumidor, obrigando-o a alimentar desnecessariamente uma série de pessoas e a diminuir cada vez mais o poder de compra, pondo em causa a própria liberdade de escolha e opções que cada um deveria ter à disposição, pelo menos a nível financeiro. Se não vou – ou não quero – usufruir dos serviços de uma loja e distribuidor, porque tenho de os pagar?

Não digo que a forma como compramos actualmente seja errada, se não fosse assim, com essa óptica de venda em massa e muitas vezes por impulso, os preços até seriam mais altos. Mas correcta não será, de certo, para todas as situações. E não sei porquê, mas sempre que vou comprar coisas que saiam da rotina, deparo-me sempre com elas.

Em primeiro lugar, não me esqueci do restauro da bicicleta de estrada, ando é sem tempo e, ainda por cima, à espera de uma lata de tinta para finalizar a pintura. Depois ponho as fotos!

Também não tenho ocupado o tempo apenas com compras. Mas quando as faço, e falo de produtos que requerem algum envolvimento (leia-se, produtos que não são baratos embora também não sejam necessariamente caros, nem de consumo recorrente como a água por exemplo), deparo-me sempre com o mesmo problema, que só consigo definir como um companheirismo entre empresas e empresários, favorável a ambos mas onde o cliente final – aquela pessoas que é forçada a alimentar toda a gente – não ganha nada.

Porque é que não posso comprar directamente ao fabricante ou ao distribuidor? Se tenho, por ventura até perto de casa, um armazém qualquer com todos os produtos que eu quero, da cor, tamanho, modelo e sei lá mais o quê, que eu quero e que me fartei de pesquisar, porque é que tenho de esperar que alguma loja o compre ao distribuidor para que DEPOIS, passado não sei quanto tempo, eu possa comprar? E se, como é quase sempre o caso, não encontro nem online, nem numa loja perto de onde estou? Tenho de gastar ainda mais dinheiro com gasóleo, gastar tempo (ainda mais precioso) a arranjar alguém que, apenas por acaso, porque acha que vai vender, tenha comprado aquilo que eu também queria comprar?

Os senhores que fazem coisas (não os que somente as fabricam), também conseguem vender, também têm programas de facturação e conta bancária. E quem distribui marcas também consegue vender a qualquer pessoa (pelo menos há quem o faça). Mas o que se passa é que, embora em algumas marcas se consiga comprar directamente, a maioria destas decide que os seus companheiros – os distribuidores – também devem ganhar dinheiro, e o cliente final que pague. O distribuidor por sua vez, também acha que deve haver alguém que há de ganhar dinheiro com aquilo. Que se lixe quem de facto vai alimentar esta palhaçada toda – que pague mais. O Sr. distribuidor acha que só deve vender a lojistas. Assim ganha a marca, ganha o distribuidor e também os seus amigos lojistas. Mas não o cliente final, já que paga preços absurdos e tem de esperar imenso tempo para ter o que quer – e desnecessário, já que o que quer, está muitas vezes no armazém do distribuidor.

Quem tem preguiça de pesquisar e precisa de ir à loja para comprar, óptimo! Que pague esse companheirismo todo – é o que eu faço quando compro fruta, bolos, iogurtes e afins (não por preguiça mas por falta de tempo para saber onde comprar tanta coisa e, igualmente importante, porque são produtos de baixo envolvimento financeiro). Afinal se não conhecesse o produto nunca o poderia comprar. Agora quem já sabe o que precisa, sabe quem o produz e o modelo que quer, não precisa de participar nessa cadeia de ‘amizades’ e incremento do preço. É absolutamente desnecessário. Se grande parte das empresas faz esforços por reduzir custos, por se tornar mais competitiva e mais eficaz, não percebo porque razão é que todas as marcas não passam a vender os seus próprios produtos, e param de debitar no cliente final um preço inflacionado para alimentar outras empresas/lojas apenas porque sim. Já que hoje tudo é relativamente perto.

Eu estou farto de ser forçado a dar dinheiro a não sei quantas pessoas, que só me atrasam a vida, sempre que quero comprar alguma coisa.