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Este post é à ‘carapau-de-corrida’, porque vou despejar aqui opiniões e especulações sobre os fabricantes de câmaras fotográficas e do que acho vir ser o seu futuro segundo os meus interesses, sendo que não conheço, por experiência própria/prolongada, 80% deles. É para mais tarde recordar por mim e comparar com a realidade. Se interessar a alguém, ainda bem :P

A CANON continuará a dominar o mercado da fotografia digital, e espero que continuem as propostas que mantêm em vários segmentos de mercado, como por exemplo a Canon S90 – que é um objecto único face ao que existe actualmente -, as série G e as dSLRs que mantém a boa qualidade de imagem (embora já não a dominem). O grande número de objectivas, quer da própria marca como da Sigma, Tokina e Tamron, vai continuar a servir de íman para quem procura uma dSLR, já que em princípio terão algo para alguém e a um preço razoável.

A CASIO, KODAK e SAMSUNG são marcas que não conheço bem, porque nunca acho interesse aos seus produtos. Não tenho nada a dizer sobre estes, apenas tenho curiosidade na nova ‘rangefinder’ da Samsung.

A FUJIFILM deixou-se das dSLR e penso que sairá das ‘bridges’ do género da minha S9600. A Fuji talvez opte por se focar cada vez mais nas point & shoot e no seu novo sistema de melhoria do alcance dinâmico denominado de EXR (conceito que existe noutros fabricantes também). Gostava é que melhorassem o processamento de ruído das câmaras, que sendo OK em alguns modelos, deixa sempre o mesmo ‘efeito’ nas imagens. Também não consigo afastar a ideia que é uma marca que a pouco e pouco vai abandonando a fotografia digital, pelo que não espero nada deles.

A NIKON, actualmente, tem apenas boas câmaras dSLR – que deram um passo relevante no que toca ao processamento do ruído das fotografias – e deverá focar-se aí devido à concorrência da Canon, Panasonic e Fujifilm em ‘bridges’ e point & shoots. Até pode ser que assumam outra posição, mas tanto eles como a Canon dão a ideia de estarem presos à forma de tirar fotografias ‘do antigamente’, o que pode ser tão bom como mau. E tal como a Canon, o número de objectivas será um motivo para os escolher – se bem que tenho a ideia que em acessórios, a Nikon tenha mais ofera que a Canon para fotografia macro. A popularidade que têm, tal como se passa com a Canon, será o motivo para que muita gente opte por estes dois fabricantes, muito embora tenham pouco de inovação e de adequação a nichos.

Já a PANASONIC dá-me ideia que irá, a par com a Canon, dominar o mercado da fotografia digital. Quer com a suas novas ‘rangefinders’ rápidas e com boa qualidade de imagem, como com as compactas – se as decidirem continuar – como a LX3; as ‘SLRs’ como a G1 e mesmo as point-n-shoots como a LZ8 e as chamadas ‘bridges’ como a FZ50 (não sei qual é a sucessora). Como um senão, têm um leque de objectivas e provavelmente em acessórios especializados, muito inferior à Canon e Nikon, que também não espero virem a aumentar exponencialmente, já que se posicionam entre o mercado destes dois e outro de nicho, ficando-se os acessórios apenas pelo necessário. Eu, pelo menos, ficarei atento a estes Srs. e espero muito sinceramente que não confundam câmaras fotográficas com câmaras de vídeo…

Sobre a PENTAX, infelizmente não parece haver muito a dizer. Ou passa por uma grande ruptura ou deverá deixar de existir, já que a oferta que têm actualmente não tem vantagem nenhuma face à concorrência, sendo igual apenas.

E a OLYMPUS, caso não fossem as novas ‘rangefinders’ como a Olympus EP-1 e 2 – que tiveram boa aceitação, e às quais provavelmente irão adicionar flashes incorporados e aumentar a velocidade de auto-focagem – era uma marca que me lembraria imenso as Minolta (Konica Minolta), no sentido em que prometem imenso e nunca chegam a corresponder bem ao que dizem. Ou seja, se a focagem das dSLRs, em modo LiveView não aumentar, não estou a ver a razão da existência destas, até porque a qualidade de imagem (e falo sempre de ISOs superior ao 400) não compensa isso. E no campo das compactas, também não acredito que voltem a lançar produtos como a antiga Olympus C-8080, embora gostasse que houvesse uma concorrente para a Canon S90. E tal como a Panasonic, Pentax e Sony, precisam de mais objectivas para aliciar mais pessoas para as suas dSLRs.

Com a SONY, não prevejo grandes coisas. A qualidade das imagens nas SLRs nunca consegue ser superior à concorrência e não parece que vá mudar tal como o tamanhão dos corpos. Nas dSLR têm a grande vantagem da focagem via Liveview ser rapidíssima e têm LCDs articuláveis, e esses dois pontos são o que mais gosto na Sony e os quais penso evoluirem. De facto, gostava que a Sony tentasse competir mais com a Panasonic e Olympus, do que com a Nikon e Canon – pelo menos nas dSLRs -, que gozam de um leque enorme de objectivas que a Sony não tem. Era bom que tentassem inovar mais (lembro-me da Sony R1).

RIOCH e SIGMA. Gosto da tecnologia deles, mas a verdade é que todos os produtos deles falham imenso enquanto objectos fotográficos. Gostava que as sucessoras da Sigma DP1/1s/2, fossem mais objectos fotográficos do que electrodomésticos, quer por questões de rapidez de focagem automática mas porque também acho ridículo controlar aberturas/obturações/focagem por botõesitos (lembro-me mais da Sigma aqui), especialmente em câmaras a ir para o caro. O ruído em sensibilidades superior a ISO400, em ambas as marcas, é um problema para resolver. Por isso, acho que a este ritmo, a sigma vai continuar estagnada ou vai mesmo deixar de produzir câmaras e a RICOH andara na mesma onda que tem andando.

A LEICA.. Só pode estar bem onde está e para quem as compra. (NOTA: ver com mais atenção as SLRs..)

No fundo, a minha previsão é que o sucesso de marcas como a Panasonic, Olympus, Ricoh, Pentax, Sony e Sigma venha associados ao domínio de algum nicho. Nicho esse em que me incluo, mas do qual só vejo retorno da Panasonic e Olympus. Vejo ainda a Nikon e Canon a continuar dominar a fotografia ‘convencional’ de foto-jornalismo, desporto, fotografia macro, da natureza, casamentos e afins, fotografia de estúdio (embora aqui, as câmaras de médio e grande formato façam mais sentido), fotografia de ‘turista’, os estudantes de fotografia, as fotografias de férias e familiares. E ainda me incluo neste grande mercado, embora não me dê prazer nenhum, daí que actualmente ache ambas a Canon e Nikon (Pentax e Sony também) pouco interessantes.

Nestas últimas semanas andei envolvido na pesquisa para a compra de uma câmara fotográfica que pudesse andar sempre comigo, fosse discreta e pequena mas que me proporcionasse o mesmo controlo manual da Fujifilm Finepix S9600 ou da Nikon D200. E como tal, resolvi fazer um post com algumas conclusões.

A razão de procurar outra câmara quando já tenho essas duas, é devido ao facto de ambas serem grandes, e a Fuji anda sempre com a Dra. Kosmos. A D200 é enorme e com qualquer objectiva fica a pesar mais de 1kg, não passa despercebida a ninguém e para fotografar em ruas e locais com muita gente (ou pouca também) é desapropriada.

Após dar uma vista de olhos a todas as câmaras digitais disponíveis actualmente e também as antigas – com excepção das point’n’shoot automáticas -, e ponderar bem os prós e contras de cada uma (incluindo preços), restringi a minha selecção à Canon S90, Panasonic Lumix LX3 e Canon G11.
Dei também conta de um ‘novo’ tipo de câmara digital, que é um revivalismo das antigas rangefinders cuja referência actual, no mundo da fotografia digital (e analógico), são as Leica M. De facto, nem são novidade nem são rangefinders a sério como é o caso das Leica M. O que a Panasonic, Olympus e Sigma tentam fazer é uma interpretação da ideia de uma rangefinder, mas sem o rangefinder :P. O que é bom.

Essas câmaras são a Panasonic GF1, a Olympus E-P1 e a Sigma DP1. E fiquei surpreendido pelo simples facto de existirem, pela excelente ideia de fazerem uma câmara portátil, com um sensor grande, com uma qualidade de imagem igual a uma dSLR e com um tamanho pequeno, portável e discreto. Uma outra surpresa muito agradável são as objectivas que foram feitas para essas câmaras, principalmente as panquecas de distancia fixa, como a Panasonic/Leica 20mm f1.7, que além de ter uma boa qualidade óptica, é leve e principalmente, pequena.

De facto, as Canon S90, a G11 e a Panasonic LX3 são uma espécie de objectos actuais que ao lado destas novas ‘rangefinders’, representam também o passado. E isto é assim porque estas câmaras ambicionam ser aquilo que a GF1, E-P1 e DP1 são. Têm sensores pequenos, objectivas embutidas, tamanho ainda mais pequeno e sobretudo, são muito mais baratas. Mas quem as compra, o que vai mesmo à procura é de um objecto com mais qualidade de imagem. E esses objectos, agora existem. Embora excluísse, desde já, a Sigma DP1 porque foca incrivelmente lento e a qualidade de imagem, embora muito boa até ISO400, a partir daí é tipo uma compacta com sensor pequeno.

Daí que, muito embora goste IMENSO da S90, G11 e LX3, achei que não valiam o preço entre 350 e 430€ (Canon G11, em www.andorrafreemarket.com, se não me engano). Por acaso, até tinha excluído a S90 e LX3, porque não têm LCDs articuláveis que uso muito, e a LX3 tem controlos horríveis – em forma de joystick – para quem se farta de usar o modo manual e de prioridades. A Canon G11 tem ainda uma objectiva pouco luminosa para o preço (e a luminosidade para mim é fundamental, já que tiro muitas fotos com pouca luz disponível), e vendo bem, a articulação do LCD é complexa de mais para o que quero. Contudo, se a Canon G11 tivesse a objectiva da Panasonic LX3 e um preço abaixo dos 400€.. ainda era capaz de ponderar se a comprava ou não. A nível de qualidade de imagem, todas são sensivelmente a mesma coisa.

Já sobre este novo nicho de mercado das ‘rangefinders’, a sua evolução nos próximos anos é algo que estou extremamente curioso, até porque já me decidi em comprar uma câmara destas quando existirem mais propostas de outros fabricantes, o preço descer e os objectos em si evoluírem a nível de flexibilidade de utilização e manuseamento. Razões pelas quais não comprei a Panasonic GF1 (seja com o zoom 14-qualquer coisa, ou a panqueca de 20mm – que faz muito mais sentido para mim).
Alias, além do preço que estas câmaras têm e que acho excessivo, não as comprei porque não têm lcds articuláveis; porque deviam olhar um pouco mais para a Leica M e a ‘manualidade’ desta, bem como o layout das SLRs e algumas câmaras antigas para ver onde os controlos devem estar – e neste campo a melhor é a Olympus E-P1; E embora já tenha dito, porque para o ano devem surgir propostas novas e se comprasse uma coisas destas agora, por este preço, ia arrepender-me de certeza.

Ao ver isto, ainda olhei para outras duas câmaras, a Olympus E-420/450/620 e a Panasonic G1. As primeiras são SLRs, com um tamanho muito bom (muito pequeno), mas as duas primeiras além de não terem lcds articuláveis, ‘auto-focam’ muito lentamente pelo LiveView (razão pela qual as ponderei), e a terceira, a E-620, embora tenha o LCD retráctil, ainda consegue focar mais lento. A qualidade de imagem também não compensa isso, por isso ficaram excluídas. Já a panasonic G1 faz ambas as coisas bem, mas iria ficar cara com uma panqueca e nunca ia ser tão portátil quanto queria. A G1, já agora, não é uma SLR, não tem espelho nem pentaprisma. É semelhante até à GF1, mas com forma de uma SLR.

Ou seja, não comprei câmara nenhuma :D. Optei antes por comprar uma objectiva pequena e luminosa para a Nikon D200 e usa-la para as minhas grandes caminhadas e outras voltas (ficou bem mais barato do que qualquer das opções que falei aqui). Não ando sempre com ela nem é portátil, mas funciona por agora e não me tenho de preocupar com velocidades de focagem lentas, nem da qualidade de imagem ser má (porque não é problema na D200), nem de não conseguir apanhar o momento por causa do lag de disparo. Mas sobre isto falo num outro post.

Daqui a um ano e meio logo se vê o que há no mercado, e aí vou comprar uma compacta com um grande sensor que ande sempre comigo. Por agora vou acompanhando a evolução da Panasonic GF1, Olympus E-P2, Sigma DP2, Ricoh GR Digital III, e ver o que a Samsung (que já anunciou que vai lançar uma ‘rangefinder’), Canon, Nikon e Pentax lançam para o mercado neste próximos anos. Acho até que a Canon G12 será a proposta da Canon para esse segmento.

E prontos, estes posts são o resultado dos dias chuvosos que me obrigam a ficar em casa :\. Espero que amanhã fique melhor.

No post anterior referi que existem algumas marcas que vendem os seus próprios produtos, como se fossem alguns anjinhos que andassem para aí a dar realmente uma oportunidade a quem quer pagar o menos possível – e muitas vezes, mais rapidamente -, por produtos que já conhece, pesquisou e escolheu. E isto é muito ingénuo porque, a verdade é que todas essas marcas que conheço, vendem todas os seus produtos ao mesmo preço que se encontram numa loja, outras até vendem mais caro. Um bom exemplo são os sapatos da marca Fly London, que comprados na Amazon ficam bem mais baratos (com portes).
Não percebo porque é que os sapatos dessa marca são mais baratos na Inglaterra do que em Portugal, quer no site da marca como em qualquer loja que os venda. Afinal, se quiser comprar online, directamente da Fly London, os sapatos estão lá na fabrica, não lhes foi adicionado nenhum valor relacionado com transporte, nenhum lojista colocou lá a sua (ou definida pela própria marca) margem.
Mas a verdade é que os Srs. da Kyaia ou de qualquer outra empresa/marca, não iam andar a ‘quilhar’ os seus amiguitos lojistas ou qualquer outro intermediário que exista pelo meio.

Por isso, o problema de não passar ao lado de toda a cadeia comercial, para obter produtos a preços mais realistas e num prazo mais curto, não é da belíssima ideia das marcas venderem os seus próprios produtos ou da inexistência destas. O problema esta na forma como estas marcas – mas também se aplica aos distribuidores – querem que os negócios se efectuem. E estes, embora não prejudicassem em nada o fabricante se o consumidor final lhes comprasse os produtos ao preço que vendem ao distribuidor/lojista, quer as marcas como os distribuidores, preferem antes não dar qualquer saída ao consumidor, obrigando-o a alimentar desnecessariamente uma série de pessoas e a diminuir cada vez mais o poder de compra, pondo em causa a própria liberdade de escolha e opções que cada um deveria ter à disposição, pelo menos a nível financeiro. Se não vou – ou não quero – usufruir dos serviços de uma loja e distribuidor, porque tenho de os pagar?

Não digo que a forma como compramos actualmente seja errada, se não fosse assim, com essa óptica de venda em massa e muitas vezes por impulso, os preços até seriam mais altos. Mas correcta não será, de certo, para todas as situações. E não sei porquê, mas sempre que vou comprar coisas que saiam da rotina, deparo-me sempre com elas.

Em primeiro lugar, não me esqueci do restauro da bicicleta de estrada, ando é sem tempo e, ainda por cima, à espera de uma lata de tinta para finalizar a pintura. Depois ponho as fotos!

Também não tenho ocupado o tempo apenas com compras. Mas quando as faço, e falo de produtos que requerem algum envolvimento (leia-se, produtos que não são baratos embora também não sejam necessariamente caros, nem de consumo recorrente como a água por exemplo), deparo-me sempre com o mesmo problema, que só consigo definir como um companheirismo entre empresas e empresários, favorável a ambos mas onde o cliente final – aquela pessoas que é forçada a alimentar toda a gente – não ganha nada.

Porque é que não posso comprar directamente ao fabricante ou ao distribuidor? Se tenho, por ventura até perto de casa, um armazém qualquer com todos os produtos que eu quero, da cor, tamanho, modelo e sei lá mais o quê, que eu quero e que me fartei de pesquisar, porque é que tenho de esperar que alguma loja o compre ao distribuidor para que DEPOIS, passado não sei quanto tempo, eu possa comprar? E se, como é quase sempre o caso, não encontro nem online, nem numa loja perto de onde estou? Tenho de gastar ainda mais dinheiro com gasóleo, gastar tempo (ainda mais precioso) a arranjar alguém que, apenas por acaso, porque acha que vai vender, tenha comprado aquilo que eu também queria comprar?

Os senhores que fazem coisas (não os que somente as fabricam), também conseguem vender, também têm programas de facturação e conta bancária. E quem distribui marcas também consegue vender a qualquer pessoa (pelo menos há quem o faça). Mas o que se passa é que, embora em algumas marcas se consiga comprar directamente, a maioria destas decide que os seus companheiros – os distribuidores – também devem ganhar dinheiro, e o cliente final que pague. O distribuidor por sua vez, também acha que deve haver alguém que há de ganhar dinheiro com aquilo. Que se lixe quem de facto vai alimentar esta palhaçada toda – que pague mais. O Sr. distribuidor acha que só deve vender a lojistas. Assim ganha a marca, ganha o distribuidor e também os seus amigos lojistas. Mas não o cliente final, já que paga preços absurdos e tem de esperar imenso tempo para ter o que quer – e desnecessário, já que o que quer, está muitas vezes no armazém do distribuidor.

Quem tem preguiça de pesquisar e precisa de ir à loja para comprar, óptimo! Que pague esse companheirismo todo – é o que eu faço quando compro fruta, bolos, iogurtes e afins (não por preguiça mas por falta de tempo para saber onde comprar tanta coisa e, igualmente importante, porque são produtos de baixo envolvimento financeiro). Afinal se não conhecesse o produto nunca o poderia comprar. Agora quem já sabe o que precisa, sabe quem o produz e o modelo que quer, não precisa de participar nessa cadeia de ‘amizades’ e incremento do preço. É absolutamente desnecessário. Se grande parte das empresas faz esforços por reduzir custos, por se tornar mais competitiva e mais eficaz, não percebo porque razão é que todas as marcas não passam a vender os seus próprios produtos, e param de debitar no cliente final um preço inflacionado para alimentar outras empresas/lojas apenas porque sim. Já que hoje tudo é relativamente perto.

Eu estou farto de ser forçado a dar dinheiro a não sei quantas pessoas, que só me atrasam a vida, sempre que quero comprar alguma coisa.

Fase 2: Decapagem

Fase 2: Decapagem

Já não tocava neste quadro há imenso tempo. Esta é, como já saberá quem acompanhou o post anterior, a Confersil SM Flyer após umas 7/8 horas agarrado ao berbequim com umas brocas curiosas de palha de aço e não sei quantas folhas de lixa. Como se verá mais adiante, devia ter incluído algum tipo de liquido decapante, porque quer a lixa como o berbequim e as suas brocas maravilhosas, não conseguem chegar a todos os cantinhos e pequenos defeitos dos tubos. Fica para a próxima, já que terei de arranjar outro quadro, com um tubo horizontal de 56cm. Este é mais pequeno, mas também não há problema, já que assenta muito bem à Dra. Kosmos.

Fase 2: Decapagem

Fase 2: Decapagem

Detalhes como o seguinte, requerem bastante tempo para ficar isentos de tinta antiga e é curioso que sem tinta ganham mais destaque. Um outro aspecto interessante do quadro, são as zonas das soldaduras, que têm um tom dourado. Que material é aquele?

Fase 2: Decapagem (Detalhe de detalhes)

Fase 2: Decapagem (Detalhe de detalhes)

Cá está de novo o dourado das soldaduras (é mais vivo na realidade) e o número de série da bicicleta, que nem sequer tinha reparado lá estar.

Fase 2: Decapagem (Detalhe, nr. série)

Fase 2: Decapagem (Detalhe, nr. série)

Este tubo, abaixo, deixou-me preocupado, já que aquelas manchas pretas parecem ser ferrugem ou qualquer outra coisa que me diz para ficar preocupado. Não poupei lixa em cima deste local mas fico à mesma com as minhas reservas sobre os problemas que isto possa vir a dar no futuro.

Fase 2: Decapagem (Detalhe da ferrugem?)

Fase 2: Decapagem (Detalhe da ferrugem?)

Nas duas fotos abaixo, é possível ver porquê que um berbequim e lixas não chegam para decapar um quadro a 100%. As imperfeições dos tubos aliadas às formas inacessíveis são uma dor de cabeça. Não se consegue remover a tinta que já lá estava. Isso foi o melhor que consegui fazer. Deu tanto trabalho que resolvi desistir por ali. Será que um liquido decapante, isto é, alguma forma de decapagem química, conseguiria resolver esses artefactos?

Fase 2: Decapagem (Detalhe de restos de tinta)

Fase 2: Decapagem (Detalhe de restos de tinta)

Fase 2: Decapagem (Detalhe de restos de tinta)

Fase 2: Decapagem (Detalhe de restos de tinta)

E pronto, ‘resolvida’ a fase anterior passei para a aplicação do primário de base acrílica (existem outras?), não sem antes passar um algodão com álcool do quadro para o limpar e remover a gordura que lá pudesse estar (remover a gordura é uma sugestão da própria marca que faz o primário, limpar com álcool foi uma sugestão que retive de algum site…). Nas seguintes fotos estão aplicadas duas demãos, embora a primeira tenha sido mais uma ‘achega’, muito envergonhada, da tinta ao quadro. Daí que ainda vá lixar esta demão, com uma lixa suave, e aplicar outra de seguida. Mas isso só será no próximo fim de semana, onde espero também conseguir espalhar a tinta uniformemente a todo o quadro que (nas fotos dá a ideia de estar melhor do que está na realidade), pelas condições onde o faço, sujeitas a algum vento e, por ser a primeira vez que estou a pintar alguma coisa com spray, já se tornou claro ser algo difícil de conseguir.

Fase 3: Primário

Fase 3: Primário

Fase 3: Primário

Fase 3: Primário

Até ver, as minhas observações sobre este processo estão ainda confusas. Por um lado é um processo que me familiariza com o quadro, por outro, será que gosto mas de passar o meu tempo a restaurar um quadro ou a ‘andar’ nele? É verdade que gostei destes passos que dei até agora, mas também só tive motivação para ir avante com este restauro porque o tempo (aquele que diz se chove ou faz sol) não me motivou muito para sair. Será que vale a pena este envolvimento todo mas sem, de facto, saber bem o que se está a passar, principalmente no que toca à pintura? Por outro lado, a aprendizagem começa sempre nalgum lado..

Relativamente a cada passo, acho que a decapagem é muito morosa e cansativa, o que talvez fosse mais suave com um liquido decapante. Supostamente com as ferramentas certas, embora demorado, é um processo fácil. E gostei de ver o metal com as soldaduras à vista.
A pintura é mais rápida, embora no seu total acabe por demorar tanto ou mais que a decapagem devido ao tempo necessário entre cada demão (nesta tinta, sprays Motip, que arranjei no Aki, é de ~2h30m). Contudo, parece ser difícil pintar com uniformidade, e nem sei se uma lata de spray é a melhor forma. Mas gosto mais desta fase, talvez por não ter de mexer muito na tinta nem usar catalisadores nem nada disso. É só apontar, fazer pressão, pintar e ver o quadro a ganhar uma nova vida. Talvez para o próximo quadro, se vir que merece a pena, compre uma pistola de ar, o tal de primário de dois compostos e outro tipo de tinta (os quais nem sei onde se vendem). Ou então procurar alguém que faça isso todos os dias e poupar algum do meu tempo.

…entretanto, ao ler este post e o anterior, apercebi-me que me esqueci de pintar o garfo :D. Fica mais uma tarefa para o próximo fim-de-semana.

Já andava a planear comprar uma bicicleta de estrada há algum tempo, mas a oferta de bicicletas actual vem, infelizmente, com uma etiqueta de valores demasiadamente inflacionados. Escrevi num post antigo alguns quadros de estrada que me interessavam, mas olhando bem para quanto vou andar com a bicicleta, que estimo serem em média, uma ou duas vezes por semana, é completamente disparatado gastar 1500€ num quadro, como também seria gastar tanto dinheiro numa bicicleta completa.

Os preços das bicicletas afastam-me – como já tinha referido no post do festival das bicicletas em Santarém – do mundo das bicicletas e do ciclismo. Não consigo olhar para todos aqueles quadros/bicicletas/rodas e etc., sem me lembrar de palavras como ‘palhaçada’, ‘brinquedos’, ‘vigarice’ e ‘excesso de entusiasmo’. Acho até que só gasta tanto numa bicicleta, quem nunca andou e vive apaixonado pelo ciclismo e/ou pelos amigos ciclistas ou então, quem compete. É o meu ponto de vista! Gosto imenso de bicicletas, mas são todas tubos metálicos/carbono com as mesmas peças que funcionam melhor ou pior e são mais ou menos leves, e todas são MUITO mais caras do que deveriam ser. Sou ainda incapaz de dar o que quer que seja por um quadro rígido de alumínio (ou a esmagadora maiora destes), até pode pesar 900g. Para a grande maioria das pessoas, eu inclusive, compensa mais comprar um quadro de 2kg e perder 1100g de gordura, do que o oposto. É mais saudável.

Dito isto, tinha há muito tempo montado no papel uma bicicleta com o objectivo de conseguir o preço mais baixo possível para um peso e componentes bons, isto é, adequados ao que vou fazer com a bicicleta. Na altura o preço andava pelos 500 e tal euros, com o quadro de alumínio/carbono. Mas, entretanto, os preços das peças acabaram por subir, já que bastantes eram de anos anteriores e acabaram por ser vendidas (como é natural) e, como a ideia de um quadro em alumínio nunca me agradou, acabou por surgir a ideia de arranjar uma bicicleta de estrada antiga, em aço, por um preço muito baixo (ou mesmo a custo zero) para compensar o aumento do preço das peças e dessa forma conseguir um valor semelhante ao que tinha projectado, ou pelo menos, abaixo dos 600€.

Estado original, como a comprei

Estado original, como a comprei

E cá estamos. Arranjei este quadro, do qual desconheço a idade embora o vendedor tenha estimado 20 anos, de marca ‘SM’ fabricada pela extinta Confersil, sendo o modelo ‘Flyer’, por 10€. O qual ando a averiguar bem, para saber que peças é que são necessárias, que peças é que fazem sentido ser restauradas, que peças é que tem de ser feitas, o preço/peso/beneficio disto tudo e, se vale a pena seguir com este quadro o não, se o melhor é ir procurar outro.

Já sem alguma peças

Já sem alguma peças

Ficam aqui os alguns dados e problemas relativos ao quadro, garfo e componentes:
Quadro: “SM Flyer”, 2600g, 54cm, aço normal, ou seja, não é Reynolds, nem Columbus nem Tange, nem nada de espectacular como este Kona Kapu e esta Gios Compact PRO. É um quadro normalíssimo, com soldaduras também muito normais e algumas imperfeições na construção. Está bem alinhado e sim, é bastante pesado.
Tubo do eixo do pedaleiro: 65mm. < vai-me obrigar a usar o eixo que já vinha com a bicicleta (que parece ok, embora não goste nada deste tipo de eixos..), já que não existem eixos com esta medida nem com espaçadores que a compensem.
Tubo de direcção: 25,4mm (1″) de diâmetro e altura de 11cm.
Tubo do espigão do selim: 25mm de diâmetro. < A única marca que conheço que ainda faz esta medida é a Kalloy Uno
Tubo horizontal: 55cm;
Tubo vertical (onde está o espigão do selim): 54cm e 29mm de diâmetro.
BB ao eixo da roda traseira: 43cm
Eixo da roda traseira: 126mm de largura.< Que supostamente só têm espaço para cubos antigos com cassettes de 6/7 velocidades. No entanto basta fazer alguma força nas escoras (para abrir) e encaixar lá um cubo com 130mm, e funciona na perfeição. VER: http://www.sheldonbrown.com/frame-spacing.html

Logotipo e autocolante da marca SM

Logotipo e autocolante da marca SM


Totalmente desmontada

Totalmente desmontada

O quadro têm ainda as escoras um pouco mal alinhadas, o que não parece afectar o alinhamento das rodas nem a sua rotação:

Mau alinhamento das escoras trazeiras

Mau alinhamento das escoras trazeiras

… bem como esta peça que reforça as escoras trazeiras:

Mau alinhamento de algumas partes do quadro

Mau alinhamento de algumas partes do quadro

Garfo: 776g (peso normal mesmo hoje em dia, basta olhar para os garfos da Surly ou Salsa), aço e de rosca, ~4cm rake e com a coluna de direcção com 14.7cm.
Caixa de direcção: de rosca e apenas com um dos apertos preparados para chaves, o outro aperto é completamente redondo, teve de ser tirado com alicate e nem a pesei porque vou comprar uma Stronglight A9, mais amiga de instalações ;).

Caixa de direcção / threaded headset

Caixa de direcção / threaded headset

“Avanço”: Não tinha marca, 247g, 85cm de extensão, 15.5cm de altura, 25.4cm de diâmetro para o guiador. O encaixe no garfo tem 22cm de diâmetro.
Pedaleiro: Stronglight (já não têm lá coisas antigas) 170mm, 672g, 52×42, “Tapered Square”, BCD de 98mm (será possível?) e esqueci-me de medir o Q-Factor e espaço entre corrente e quadro. Penso que também seja em aço.
Este pedaleiro vem infelizmente, com um dos braços defeituosos, já que alguém deve ter feito asneira ao tentar remove-los e, na ausência de uma ferramenta adequada, acabou por moer aquilo e abrir um ‘buraco’ novo e fazer ranhuras novas, com um diâmetro superior ao do outro braço e, naturalmente, ao de qualquer ferramenta para sacar os crenques. O que me deixa bastante irritado, já que gosto imenso deste pedaleiro e tem um bom peso também.

Pedaleiro Stronglight

Pedaleiro Stronglight


Eixo Pedaleiro: Cicclo Fapril (no eixo mesmo diz ‘Ciclo Fapril’. Diz ainda que é “Fabricado em Portugal” e, de facto, até foram, já que essa empresa ainda existe), 320gr, assimétrico (35-48-40 mm) com 113mm no total.
Travões: Lusito M81 (fabricados em Portugal por uma empresa que penso existir ainda hoje, a Sociedade Ciclista Lusitana, Lda.), 256gr (o par).
Travões Lusito M81

Travões Lusito M81


Não sei se são bons ou não, a construção não parece ser muito boa. Têm apenas um parafuso para encaixar no quadro (ao centro), e vou usa-los porque o quadro não vem com os suportes que se usam hoje em dia para os travões:
Local onde o travão de trás encaixa

Local onde o travão de trás encaixa


Desviadores: Simplex. Só vinha com o desviador da frente, o de trás já tinha ido embora com as rodas há muito tempo. O que me deixa enrascado para ver como posso adequar um desviador moderno a este quadro (que não tem um suporte como esta Peugeot de 1970), já que precisa de um suporte grande (tipo o gancho deste para ficar assim), diferentes dos suportes actuais. E talvez tenha de fazer (pedir a quem faça) esta peça…
Eixo trazeiro

Eixo trazeiro


Manípulos dos desviadores: Estavam no tubo e penso serem da Simplex também. Não faço a mínima ideia se eram ou não indexados (se eram não se nota :P) nem, e refiro-me ao de trás, quantas mudanças tinha.
Manípulos dos desviadores

Manípulos dos desviadores

Selim: Tabor, não sei o modelo, pesa 441gr e é preto.
Espigão do Selim: Não tinha nada marcado, pesa 288g (é curto também), mas a Miralago faz uns exactamente iguais que até vinham na minha primeira bicicleta, e é do mais retrograda que há.
Guiador: é leve (não o pesei), não é ergonómico (como é natural), mas infelizmente não têm a minha medida e terei de comprar outro.

Tenho já definidos, como é obvio, os componentes que quero, onde os vou comprar e o preço, peso, transportes de tudo. Mas como não é definitivo ainda, fica para depois. O peso, vai-se ficar pelas 9,500gr. Preferia que fossem 9kg ou menos de 9, mas com um quadro de 2600g, é dificil fazer milagres com um orçamento de apróx. 600€. O que acaba por não me preocupar nada.

Relativamente a essa coisa do restauro, até nem sei se é uma palavra bem escolhida, já que só vou usar algumas peças que vinham com ela (‘avanço’, garfo, eixo pedaleiro, crenques e, em príncipio, o espigão do selim), mais por questões de orçamento e falta de componentes compatíveis, do que por estima. Quero restaurar uma estética antiga, de tubos finos, com cromados e uma geometria clássica, mas a funcionar com tanta eficácia como qualquer outra bicicleta actual e, principalmente, com um quadro/garfo de aço por este preço. Para a semana, espero ainda tomar uma decisão sobre a pintura, que ainda não me decidi se vai ser preta ou aproveitar a cor actual, e o acabamento.

Entretanto, peço desculpas por não traduzir coisas com BB (bottom bracket), Rake, Tapered Square e mais algumas.. não faço a mínima ideia de como se diz isso em português de forma a que faça sentido. Quem souber que diga :)

Nestes três últimos anos, tenho assistido a uma mudança de posicionamento das livrarias, a qual acho, por um lado curiosa e por outro, muito má.

Primeiro, por posicionamento, refiro-me à forma que as livrarias arranjaram para vender livros, isto é, aos livros que vendem, ao modo como os vendem e à forma como os categorizam. Com isto, posicionam-se face ao público que procuram. E não falo só das livrarias físicas, falo também das online, ou melhor, exclusivamente online como a Wook ou a Amazon.

Como se já não bastasse o tipo de livros que escolhem para vender, que são só relatos de desgraças e de sucessos, livros de ‘ajudem-me, por favor! que não sei como falar com o meu filho’, livros de figuras públicas, livros de concelhos práticos e ‘bricabraques’, álbuns de fotos que se arranjam em qualquer lado e mais uns tantos que considero livros da treta. E acho isso, porque não vejo a oferta de conhecimento que oferecem e a nível de entretenimento têm nas televisões e Internet uma melhor meio para expor o seu conteúdo.

Mas as livrarias, têm também demonstrado a sua adaptação à nova clientela, ao catalogar os livros. Um exemplo:
Quando vou à secção de Psicologia o que lá não falta são livros lúdicos que abordam, também de forma lúdica e leviana, alguns aspectos de natureza psicológica do quotidiano. Mas são pequenos textos, pequenos manuais práticos do mesmo género dos livros que nos ensinam a criar o nosso Bonsai. Agora, esses livros do Bonsai não estão (nunca os vi, pelo menos) na parte da Ciência/Biologia, da mesma forma que a história da Carochinha, que foca alguns aspectos antropológicos muito interessantes, não se encontra na parte de Antropologia porque, a história da Carochinha é um conto popular e que como tal, é natural que como história que é, contenha uma dimensão antropológica relevante, mas não deixa por isso de ser, essencialmente, uma história.

Contudo, a história da carochinha ou qualquer colecção de contos populares, não ocupa nenhum lugar na prateleira da Antropologia, pela simples razão de que não é um estudo ou ensaio cientifico/académico, porventura apoiado noutros estudos, textos e práticas relevantes, de natureza cientifica que dão forma à Antropologia e que são úteis para quem quer informação nesta área, apoiada nessa substância, rigor e profundidade.

O mesmo se passa noutras áreas, como a psicologia, sociologia, economia, gestão, marketing, medicina, filosofia (que pelo desinteresse que lhe é merecido pelo público contemporâneo de uma livraria, nem sequer é alvo dessas confusões), biologia, física, química, geografia e por ai fora.

E como se já não fosse suficiente a escolha de livros que compram e pretendem vender, a disposição física que usam para os divulgar (ver post das Livrarias), as livrarias usam ainda este método de catalogação para ficarem lado-a-lado com o seu novo cliente.
A única justificação que encontro, para este último aspecto, é a de que querem que este novo perfil de leitor se sinta bem consigo, se sinta inteligente e com elevada auto-estima, já que afinal de contas o podem encontrar na secção de Antropologia a comprar a colecção de contos populares, na secção de Psicologia a comprar um livro que o ensine a falar com os amigos e na de Biologia a comprar outro que o ensine a cuidar bem do seu Bonsai.

Nas livrarias que vendem online, estes mesmo livros ocupam as listas pelas mesmas categorias das lojas físicas e são uma imensa perda de tempo e paciência.

Para os senhores da Bertrand, Almedina, Fnac, Wook e Amazon, e outra livraria qualquer que pretenda ter uma presença online ou dignificar a física, propunha o seguinte:
– Usem as seguintes grandes categorias de livros: Científicos / Académicos, Literatura, Lúdicos / Lazer, B.D, Arte, ou outras grandes categorias, já que não me lembro de todas.
– Em cada uma, subdividam pelas respectivas áreas de conhecimento.

Assim não enganavam ninguém, não faziam perder tempo a ninguém e também não afastavam ninguém.
Ia diminuir o ego de quem actualmente compra histórias da carochinha na secção de Antropologia (uma caricatura, bem sei), já que iria passar a comprar em Lúdicos/Lazer>Antropologia, mas prontos.. está lá o nome de Antropologia à mesma.

E não tenho nada contra os manuais disto e daquilo, nem contra os contos populares (muito pelo contrário). Só não gosto é de ir à procura de um livro, que seja de facto, sobre antropologia e em primeiro lugar, não ver lá nada de substancial e, em segundo lugar, ver lá uma série de livros que nada têm a ver e só me fazem perder tempo. Da mesma forma que quando vou à procura de contos populares, não gosto de não saber onde é que estão ou ter de os procurar em sítios errados.

Só para relatar alguns factos dos quais não tenho achado qualquer piada:

01. A Reportagem da SIC sobre o desemprego/emprego (emitida dia 02/Março/2009) foi um autentico disparate, bem como o estudo do Ministério da Ciência e Ensino Superior.
Disparate da SIC porque:
– a Home Energy, não é nenhum prodígio do espírito empreendedor, nem fenómeno empresarial, nem uma história da Disney sobre o jovem empresário de sucesso, conforme a reportagem pintou. Se cresceu exponencialmente em 6 meses de existência (diziam na reportagem que existiam à meio ano), é porque pertence ao Grupo Martifer que está curiosamente ligado à construção e energia e, segundo os mesmos, as suas áreas de negócio são: “Construções metálicas”, “equipamento para energia”, “geração eléctrica” e “Agricultura e Biocombustiveis”.
– Uma reportagem que suporta apenas um ponto de vista é uma espécie de promoção/publicidade mascarada, uma espécie de Publicity, coisa que acontece bastante no Imagens de Marca.

Disparate do Ministério porque:
– O estudo que publicaram baseia-se numa ideia, também ela bem disparatada, de um par estabelecimento-de-ensino/curso, o que acaba por descredibiliza-lo, já que o próprio estudo, a certa altura, verifica que não existe uma relação entre esse par e o número de desempregados inscritos no centro de emprego.
– Grande parte dos dados carecem de estudos comparativos, pelo que não são nem próximos de se tornarem significativos e muito menos conclusivos.
– Quem faz o estudo não parece nunca andar na rua e reforça a ideia de que, dizer disparates gratuitos é coisa, infelizmente, abundante nos ministérios. Onde parece faltar até o senso comum.

02. Também nessa reportagem, mas já a sair deste universo da TV, notei que se começou a cristalizar publicamente a vontade que os engenheiros têm que lhes chamem de inteligentes. É, ao que parece, uma vontade de dominar totalmente esse conceito de inteligência e abriga-lo, com total exclusividade, no interior da área da engenharia. Estou a falar da entrevista a um dos fundadores (ou será ao fundador?) da Critical Software, que se fartou de repetir e dar ênfase às pessoas incrivelmente INTELIGENTES, cuja INTELIGÊNCIA querem aplicar ao desenvolvimento de software, não fosse a Critical Software uma empresa repleta de gente INTELIGENTE, que as torna ainda mais INTELIGENTES e procura constante outras pessoas com igual ou maior nível de INTELIGÊNCIA. Quem já falou com alguém da industria dos moldes, saberá que isto não é exclusivo da engenharia informática mas que é uma vontade de todos os engenheiros.
Coitados dos médicos, advogados, artistas, jornalistas, gestores, marketeers, professores, investigadores, cientistas, designers, empresários e, no fundo, toda a gente, que não tem direito nem detem sequer, essa tal de INTELIGÊNCIA. Segundo a Critical, por exemplo, se fossem realmente INTELIGENTES, estavam a desenvolver “tecnologias em que o sr. cliente pode confiar, para o sistema critico que o sr.cliente precisa” (:P). E se não estiverem a fazer isso, é porque, das duas uma, ou estão tristes no local de trabalho actual que não potencia a sua inteligência, ou então são uns grande idiotas.

03. As séries deviam ser mais honestas nos nomes. Até acho que deviam voltar a usar nomes como antigamente. Assim a E.R poderia ser chamada do Hospital do Amor ou a Sala de Urgências do Amor. Um nome bastante mais justo do que o actual e que servia na perfeição, entre muitas outras, à Grey’s Anatomy. Já que, pelo que vou vendo, hoje em dia tudo o que é série acaba por ser uma espécie de Barco do Amor com um cenário e personagens diferentes.

E é só para esta semana.

Eis, em principio (!), a última marca que vou adicionar à colecção ‘Bicicletas Espectaculares’.

A Surly – que não fica em Inglaterra como pensava – não é uma marca que chame especial atenção à maioria das pessoas que andam de bicicleta. Não têm modelos de alumínio, carbono e escandio; não usam decorações garridas (parolas para alguns); têm tubos finos; não pretendem ilustrar a ideia de que uma bicicleta não serve somente para transportar os pobres; Não têm suspensões supersónicas .. Enfim, não prendem o olhar guloso que parece definir o humano contemporâneo. A não ser, claro está, de quem procura essas mesmas características numa bicicleta e não se importa de montar uma, peça a peça.

Surly Pugsley, de Vik Approved (http://www.flickr.com/people/vikapproved/)

Surly Pugsley, de Vik Approved (http://www.flickr.com/people/vikapproved/)

Mas o que me faz destacar a Surly, não foram os quadros de aço e uma atitude do quotidiano que estes reflectem. De facto, a Surly nem precisa de ninguém para a destacar (tal com as restantes marcas), o que fazem é suficiente. Vou por isso passar a enumerar alguns aspectos que considero únicos nesta marca:

– Sim, a atitude do quotidiano, até com alguma despreocupação de quem parece saber que as bicicletas servem para andar e não para serem olhadas, é um desses aspectos;
– Mas também temos os aros Large Marge, que conseguem albergar um pneu de 3,7″. É mesmo 3.7″, não de 2,7″;
– Uns pneus de 3,7″, chamados de Endomorph. E;
– um garfo e um quadro a condizer com este equipamento largo, com o nome de Pugsley.

Sendo que neste pacote único – porque não existe mais ninguém que os fabrique -, de pneus gordíssimos para uma bicicleta, um aro que o suporta, um quadro e um garfo que permitem que tudo consiga encaixar e andar, que está a verdadeira particularidade da proposta da Surly. E se parece estranho uma bicicleta com rodas de volume tão grande (mas com um peso bom para o tamanho), basta contextualizarmos as mesmas numa praia, lama ou no meio da neve, que passam a fazer imenso sentido. Também, embora mais invulgar, é vê-las a ser usadas noutros locais tais como em provas de cross-country (XC).

mark-and-charlie-on-ride1, tirada de www.wildfirecycles.com

Criador da Fatbike e o seu cão, tirada de http://www.wildfirecycles.com

Contudo, isto só por si não é, de facto, uma proposta realmente única. Já que a ideia de uma bicicleta com grandes pneus, remonta, ao que parece, ao Sr. Remolino do México, que modificava peças e quadros para conseguírem acomodar os gordíssimos pneus. Ideia que, posteriormente, foi apropriada e cristalizada na Fatbike pela Wildfire Designs, que usava os aros e pneus da Remolino nos seus quadros, os quais eram e continuam a ser, feitos por medida, juntamente com outras peças a ‘condizer’.
Aparentemente, a Surly foi a única marca a conseguir produzir tudo isto em massa e a um preço acessível. E é aqui que se encontra a verdadeira razão para que hoje, sejam a marca de bicicletas de pneus gordos.

O sr. leitor pode ainda encontrar um bom post sobre a história das bicicletas gordas aqui. Uma boa análise aqui, outra análise aqui. Vídeos aqui, aqui e aqui.

A Surly (link da Wikipédia) é uma empresa do Minnesota, EUA. Para quem está em Portugal, penso que o melhor local para arranjar uma (peça a peça) é na bike-components.de. Já as Fatbike da Wildfire Designs, localizadas no Alaska, EUA, não conheço quem as represente na europa.

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