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Isto surgiu para reflectir sobre uma coisa que tenho ouvido muito ultimamente. A importância das coisas intemporais.

A mim, tudo me parece ser tão intemporal como o tempo que uma ideologia de determinado contexto social demora a desvanecer e como o nosso próprio universo de ideias e conceitos vai mudando de valores consoante tempos e espaços diferentes.. enfim, os tais contextos.

A Rolls-Royce (e falo apenas dos automóveis) pode ser hoje percepcionada como uma imagem intemporal, porque os valores que a caracterizam são ainda hoje aceites e importantes. Não o são em todos os contextos sociais, mas para uma grande maioria (que têm e não dinheiro para pagar um RollsRoyce) são coisas vividas que fazem sentido. A Jaguar, a Bentley, a Chrysler e hoje em dia um pouco a Mercedes também, por exemplo mantêm alguma dessa estética. Talvez sem a substância toda da RR, mas suficiente para deterem hoje uma parcela dessas coisas intemporais.


O intemporal vem de longe, vem do passado. Porque o intemporal passou um determinado tempo para ser julgado como tal. Têm ainda que marcar determinados valores de forma substancial como uma espécie de cebola do tempo, cujas várias camadas entertêm quem se interessar e evadem assim a sociedade, quer de outros interessados bem como tudo e todos que lhes estão adjacentes, e prolifera.

A Ferrari, será intemporal?.. Talvez. Tomando como base a noção de performance, que é o que me surge de imediato quando penso na Ferrari, depressa percebo que este conceito encaixa melhor na BMW. Porque está impregnada transversalmente a toda a sociedade, é um carro que todos têm ou pelo menos coabitam. Os super carros estão, para mim, ligados a uma intemporalidade da ordem da infância e do supérfulo. Mas sob este ponto de vista, quer a BMW como a Ferrari não têm muita intensidade intemporal, se é que têm alguma. A performance e a importância desta não é ainda muita antiga na nossa sociedade, bem como ambas as marcas.
Mas associar a Ferrari somente à performance é um erro, a sua imagem é, até com mais ênfase do que a performance, associada ao excesso e ao sexo. E essa noção de viver a vida como se fosse o último dia, onde tudo são excessos, é talvez intemporal.. com as suas cores garridas, formas agressivas e sexuais. Desta forma a Ferrari também detêm uma parcela das coisas intemporais. Já a BMW não.


Posso por isso deduzir que a intemporalidade não está sujeita a nenhuma ordem nem a categoria, se a ideia de algo intemporal se prende somente a um contexto especifico de infância e não é reconhecida por toda a gente, deixa de ser intemporal. Intemporais são valores transversais a toda a sociedade, mais ou menos intensos em diferentes contextos, mas nunca únicos de um ou outro. Têm diferentes intensidades, e atravessam o espaço e o tempo, tanto quando as nossas ideologias – as predominantes pelo menos numa dada cultura – as deixarem.

Como é natural, existe muito mais abrangência para estas coisas intemporais, não é só relativo à projecção de imagem. A criatividade por exemplo, é de certo intemporal.

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