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Há dias vi este filme e gostei. O que me fez ficar a ver foi aquela música da festa funk que aparece logo ao início (o “Rap das Armas”), se essa cena fosse diferente acho que não tinha ficado para ver.

Quanto à história narrada no filme, está no IMDB e é pouco interessante. De facto existe tanta coisa mais interessante no filme que provavelmente não vou falar de tudo.

Gostei da sobreposição do actor sob a personagem, a qual é sempre justaposta ao seu lado pessoal, e penso que é por isto que existe o fascínio pelo Cap. Nascimento.

É uma personagem que resolve problemas de uma forma que toda a gente gostava de resolver, mas que, tal como no filme, seria injusto. Daí que, no dia-a-dia, não se veja disso muita vez (pelo menos aqui onde eu vivo :P). Eu gostei desse aspecto da personagem, identifico-me com ela para outras decisões que tomo :P. Mas este tipo de atitude só ganha significado se a abstrairmos do contexto do filme.

De resto é um filme que por basear o seu argumento na esfera pessoal de cada personagem, roça por vezes no documentário, sem tomar partido de nenhum dos lados (um aspecto curioso já que é narrado pelo personagem principal), embora o ponto de vista seja o da BOPE (Batalhão de Operações Policias Especiais). De facto, achei tão estranho o registro que fizerem desse batalhão no filme, que ainda tive de ir ver se existia mesmo, mas é verdade, de facto existem, embora duvide que seja da mesma forma de que no filme.

Como em quase todos os filmes brasileiros que vejo (ou todos mesmos), a forma como retratam o quotidiano da universidade e das ruas fora da favela, é sempre simpático. Com pessoas muito humanas que parecem ter consciência da condição humana, que quase usam o corpo como adorno para as ruas e os locais que habitam (será da fotografia?), e que a mim pelo menos, me transmite uma alegria e naturalidade muito particulares, já que por aqui por Portugal não se vive isso.

É um filme que nos faz reflectir sobre os nossos gestos, embora nunca perceba bem o que se passa pelo Brasil porque não moro lá, e não tenho uma opinião formada sobre os assuntos que este filme vai abordando. Mas o argumento é excelente, e se olharmos para os resíduos da realidade brasileira que nos chegam, é fácil perceber a verosimilhança das personagem e dos seus actos.

Também é curioso o facto da violência e tensão retractada no filme não ter grande impacto. Já que toda a gente deve ter visto bem pior em documentários ou nas noticias. A violência psicológica, tal como no dia a dia é deixada para depois. Um aspecto importante no filme.

Ah! já me estava a esquecer do apontamento deixado no filme de Michael Foucault, que quanto a mim, resume parte da mensagem do filme e explica muito do que se passa na narrativa. Um ponto alto do filme reside na cena em que alguns “dizeres” do sr. Foucault são discutido com grande hipocrisia e falta de sentido critico por uma classe média/alta lá retratada.

Não sei porque é que estes filmes não passam no cinema aqui, nem porquê é que não passam alguns filmes que surgiam por vezes no canal Brasil (que já desapareceu da TV cabo em Portugal) e que eram igualmente bons. Fico sempre com a sensação que é por desfazerem a imagem que a TV Globo constrói do Brasil, aqui em Portugal.

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