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já há uns bons tempos que reparei que quem abraça e vive esse conceito de família ou quem por acaso gosta de facto de se relacionar com essas figuras do pai, mãe, irmãos, primos, tios e avós (e mais uns tantos que não sei a designação), têm uma tendência a brincar com tudo o que são relações fora desse circulo. Ou seja, existe a ideia de que, aquilo cuja designação é somente a de amigo, e ‘somente’ no sentido de não existir qualquer grau de parentesco (acho que é isso que se chama a alguém ligado à família), não é séria e deve ser levada como uma brincadeira, sem empenho e responsabilidade.

Por acaso, não gosto de empregar isso do empenho e da responsabilidade a tudo onde se possa aplicar esse conceito de amizade, porque acho a amizade qualquer coisa de natural, que é naturalmente forte e coesa. E não exige nenhum esforço extra, com é o empenho e a responsabilidade.

O empenho e a responsabilidade, são outra forma (e uma forma bem infeliz) de dizer que as amizades são criadas por nós e de forma mútua. Se não acredito que a amizade é algo de substancial, de criativo nem sustentável, nunca me vou pré-dispor a ser amigo de ninguém nem a gostar de ninguém com sinceridade. Vai-se saltando de sitio em sitio, de contexto em contexto, com inevitável superficialidade e, muitas vezes quando se chega a uma certa idade, vai-se à procura de alguém para incluir na família ou para ‘formar’ família.

Penso até que a génese desse descrédito do que é somente amizade, vêm de uma inaptidão para aceitar o que é diferente, o que está fora de nós e do nosso universo intelectual. E então é fácil criar um circulo e fecharmo-nos dentro dele e das suas regras, deveres e obrigações, consequentemente aumentando a ausência de empenho nessa coisa do ser-se amigo.
Por isso a família vai, muitas vezes, pervertendo o que deveria estar na sua base. A tal ponto que essas duas palavras, empenho e responsabilidade já se confundem com as próprias relações em si, e nos vamos esquecendo da felicidade por exemplo.

Como é natural, não tenho simpatia nenhuma pela família nem pelas suas figuras, e não é só pelo que mencionei em cima.
Penso que a família é uma materialização da coação psicológica, que é constantemente empregue devido à confusão entre duas coisas completamente diferentes. Uma é composta por aquilo que é a dependência económica e a nossa evolução enquanto mamíferos (o que requer cuidados particulares e um tempo de aprendizagem e protecção), e a outra é composta pela felicidade e amor (que raio de palavra mais ‘mariconça’). Normalmente, na chegada de uma vida ao nosso mundo, acha-se por si só, que a vontade da figura dos pais quererem ter um filho, obriga o filho a ser amigo deles. Coisa que vai aumentando com o cumprimento desses cuidados biológicos dos sr. mamíferos que somos, e ainda os sociais (como a educação). E só por aqui, é possível verificar o tom autoritário que é imposto ao conceito de amizade.
Posteriormente com a evolução das necessidades da educação que temos (que são bem longas) e do materialismo normal em algumas idades, associa-se o dinheiro ao gostar-se de alguém, ao ‘amar’ alguém e gera-se algo que vou chamar de divida emocional. Divida emocional porque, se espera que alguém que surgiu num projecto dos pais e da sociedade, goste automaticamente daquelas pessoas (e da sociedade também).

É pena não existir uma poder critico maior em toda esta gente, para que não confundissem o que são necessidades económicas e biológicas com a amizade, felicidade, criatividade e tudo o que é saudável. E é interessante o facto de ser-se impossível falar de amizade sem referir a família, já que é aqui que infelizmente (a meu ver) as interacções interpessoais começam, e onde são moldadas até uma certa idade (as vezes é para a vida toda também).

E para passar da família para a pessoa, se olharmos para isto tudo assim ‘por alto’, dá a ideia que se vai mimificando o que nos foram habituando, da mesma forma de quando tínhamos 5 ou 6 anos, isto é, sem reflectir no que se está a fazer. Mantendo as confusões todas e denegrindo o que é amizade.

Uma outra forma de ver isto, e dado os valores associados à família serem incutidos durante muito tempo e existirem desde sempre, é interpretar a razão pela qual estas pessoas as quais me refiro aqui agirem assim face às ‘amizades comuns’, como o facto de gostarem ou pensarem que o conjunto e escala de valores que a família propõe, é o melhor para eles. Embora ao dizer isto me sinta brando demais, já que este tipo de compreensão não é reciproca.

Enfim, penso que expliquei porque é que umas pessoas tratam outras como objectos (e sem pagar ainda por cima! :D) e o vazio que se sente só de interagir brevemente (ou não) com essas pessoas.

E prontos, sem perceber bem o lucro que estas pessoas têm com isto, despeço-me com felicidade ;)

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  1. […] propagação, Social, voz Não sei se me vou repetir neste post, até porque nunca mais li o que escrevi anteriormente sobre a essa amalgama de valores e tentativa de perpetuação de sexo forçado, denominada de […]

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