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Ouvi há dias num programa qualquer um ‘dizer’ que nos diz, que o que faz a diferença entre uma criança e um homem é o tamanho dos seus brinquedos. Sempre achei essa afirmação vazia, daquelas que se vão dizendo para preencher espaços de silêncio (daí por vezes o silêncio valer ouro).
É coisa típica de quem vive na conformidade absoluta com valores antigos, que são os que temos hoje em dia (caso ninguém tenha reparado). São aqueles que atentam muitas vezes contra a felicidade (de uns pelo menos), sendo que quem é feliz com isto, é feliz de uma forma limitada à ausência de confronto com experiências novas.
Mas é uma afirmação que, por incrível que seja, se pode observar diariamente.

Por exemplo, reparei há uns dias que quem compra um Audi A5, adora viver na ilusão da ficção cientifica. Senão, porque outro motivo iriam essas pessoas, em horas compreendidas entre o meio-dia e as cinco horas da tarde – em dias cheios de sol – andar constantemente com os mínimos ligados ? Estou convicto que é pelo aspecto de robot mal encarado que a frente do carro personifica, e que essas pessoas devem adorar.
Aliás, acho tão caricato essas frentes dos automóveis, que as vou passar a chamar de caras. As caras dos carros. Que são caras familiares e pertencentes a uma grande família..

A grande família dos pópós

O Audi, pelo menos estes novos modelos, são os robots maus do Espaço 1999, que evocam o antropomorfismo que foi sendo impresso à tecnologia e estética da ficção cientifica ao longo dos tempos. Porquê? porque personificam uns olhos robóticos (e sinceramente, na minha opinião, de um robot mau e bêbado).
Os BMW são mesmo os maus da fita, os mauzões, aqueles que nos desenhos animados andam com as sobrancelhas franzidas do género: “>:/”. E regra geral, quem vai lá dentro também queria ser assim, nem que seja assim para a pobre da mulher ou empregado (regra geral!).
Os Alfa Romeu também querem ser maus. Afinal de contas são os filhos do BMW: têm o mesmo aspecto mas, de facto, mecânicamente e “performancemente”, não fazem justiça ao aspecto. São carros com algum teor sexista como o nome sugere, que afinal de contas é a combinação perfeita para evocar as ‘hórmónias’ da juventude.
O Mercedes, tem a cara do velho que tira o olhar do livro e os dirige para a dúvida que neto lhe expõe. Mas também pode ser um olhar surpreendido para as asneiras e proezas do filho, ou ainda, um olhar contente sobre a sua família. Ao fim ao cabo, o Mercedes é aquele tipo de brinquedo, que faz a caricatura do avô experiente e inteligente.
Alias, podemos traçar essa família de popós pelo Mercedes. Os filhos responsáveis são o Volvo e os Saabs. Sóbrios e sérios, deixam até escapar um pouco de arrogância e autoridade. Os filhos que não são responsáveis, são todos os que falei anteriormente, sendo o BMW o vigarista e o Audi o apaixonado por ficção cientifica que ultimamente anda mal encarado. Que será o brinquedo de eleição para quem viveu na adolescência o Espaço 1999 e séries afins.
O irmão do Mercedes é o Land Rover (eu acho!), mas ao contrário deste, têm negócios nobres no campo, daí ser à mesma sóbrio mas usa aquelas botas de montanha que não dão muito nas vistas.
Por vezes o irmão Mercedes vai lá fazer uma visita e vai equipado mais ou menos da mesma maneira (com a sua gama de todo o terreno).
Além de irmãos, filhos e netos, o Mercedes também têm um pai. É o Bentley. Têm a mesma postura, mas como já é mais velho, têm mais dinheiro e pertence a uma era mais aristocrática, que transporta valores e aspecto mais clássico. Mas não é por isso que deixa de ter importância nos dias de hoje.
O seu irmão, o RollsRoyce, é aquele que ninguém gosta muito de falar, é o ‘elitista’ que vive lá enfiado nos museus e nas ‘culturas’. Contudo, ambos espelham a vida na estratosfera, aquela vida de quem consegue dar dinheiro aos outros e está perto e distante como a personagem de Deus.

De visita dos states, o Chrysler é o contemporâneo mais pobre do Bentley, e o Jeep o filho mais rebelde não se sabe de quem, o que dizem é que ultimamente já têm ‘assentado’, anda mais calmo, com uma cara mais serena e amigável. Também têm um negócio no campo mas não é nada de muito nobre, é mais virado para o comércio.

Os Renaults, Fords, Peugeots, Citröens, Fiats, Mazdas, Seats, Opeis, Toyotas, Hondas, Chevrolets, Mitsubishis, Suzukis, Volkswagens e Smarts, estão fora desse circulo de personagem estereotipadas, são os pobres que a família excluiu, mas vivem todos na ambição de serem iguais. Ficam-se todos pelo ‘sou alguém que gosta da evolução’ e ‘ena, mas que bom é viver!’, com um olhar admirado para os progressos e o futuro.

Enfim, todos os carros têm a sua personagem desenhada na frente, uns mais vincados do que outros, uns mais são mais semelhantes ao actionman, outros á barbie, outros aos robots do espaço 1999 e outros ainda aos personagens da Ferrero Rocher. Os outros são semelhantes aos bonecos que querem imitar o actionman, barbies, os robots do espaço 1999 e o sr.Ferrero Rocher.

Não que toda a gente escolha o carro pela personagem que é (escolher já envolve que todos tenhamos dinheiro para decidir entre todas as marcas), mas uma boa parte, escolhe-os tal como qualquer criança escolhe o brinquedo. Isto é, escolhe conforme o que ambiciona ser, o que admira e o que valoriza. Não que seja de facto essa coisa.

Se tal como os brinquedos, os carros são alimento para nossa imaginação e um treino para alguns hábitos e ambições de uma sociedade. É fácil deduzir que muita gente ambiciona uma sociedade de merda :P

Também tal como no universo das crianças, onde as divisões do sexo estão muito pronunciadas. Nestes adultos bebés, passa-se o mesmo. Os meninos gostam de carros e ferramentas e as meninas fazem outras coisas. Coisas que serão abordadas no próximo episódio :P

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