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Chegaram há alguns dias da Bike Components os meus novos garfos rígidos da Surly, o 1×1 e o Instigator (este ultimo já a pensar no próximo quadro Voodoo ou Slingshot). O 1×1 era para colocar na frente do novo quadro da Prime, o WRC, que comprei há uns tempos, com objectivo de tentar ‘corrigir’ a geometria do quadro que, já agora, tem um ângulo muito aberto no tubo de direcção, penso que algo como 68,5º ou 69º. E penso que estará já por volta dos 70º (o que quero são 71), mas por outro lado o slooping quase desapareceu e baixou um pouco a distancia do eixo pedaleiro ao solo, o que é mau.
Para trás fica outro garfo rígido, mas camuflado de suspensão, de marca Zoom (não sei o modelo).

Surly 1x1 Fork/Garfo
Para os menos atentos, a roda está montada ao contrário mesmo. Para a foto serve :P

Em circuitos urbanos/estradas:
A minha experiência com os 1×1 resume-se, nestes circuitos, a cerca de 70km de utilização urbana sobre asfalto, buracos, paralelos, lombas, alguns passeios e ciclovias. A versão para uso único de V-Brakes que comprei, pesa, sem cortes, 1,030g. Como tive de cortar quatro centímetros, penso que deve andar pelas 900 e tal gramas (mais para as 1000 do que para as 900, provavelmente :P).
Ate ver, só tenho a apontar coisas positivas, a começar pelo peso: subir é mais fácil, já que a suspensão anterior pesava decerto algo a volta dos 3kg. Estamos por isso a falar de um corte de aproximadamente 2kg, que se notam bem. A absorver vibrações é também visivelmente melhor do que a suspensão, coisa que se nota a andar em cima de paralelos. Existe à mesma vibração, mas é muito mais suave, muito mais confortável. Também é mais fácil puxar a roda da frente para cima para subir passeios por exemplo. No amortecimento dos buracos de estrada (que devem ter uns 5 cm de profundidade), pelo – a cerca de 30km/h é semelhante à suspensão. Um pouco mais rígido, mas nada de significativo, de tal forma que se tem de estar atento para perceber.
A diferença nota-se apenas em desníveis maiores. Descer de passeios altos sem posicionar o corpo mais para trás, torna o impacto mais forte, mas mais uma vez, não e nada de especial (já que não magoa nem e perturba). Mas deduzo que em trilhos com rochas/pedras granditas ou terreno muito acidentado e ‘duro’, obrigue mesmo a andar mais lento ou a mexer bastante o ‘corpixo’ :P E isso é a próxima coisa a fazer, andar com eles num trilho.
Ate ver estou a adorar a experiência de andar com um garfo rígido, penso que em trilho me vai obrigar a mexer mais os braços e o corpo que, sinceramente, é algo muito bem vindo. E buracos à parte, com um garfo rígido existe uma leitura natural do terreno, é mais precisa.

Os pneus que tenho usado para teste, são uns Schwalbe Kojak 26 x 2.00. São completamente ‘carecas’ como é possível observar na foto, rolam muito bem (permitem-me, e estou meio enferrujado, andar a velocidades entre 25 e 40km/h em subidas normais e rectas, sem me esforçar muito, mas também sem ‘grandes’ ventos contrários :P). Mas há que ter cuidado a travar a fundo em pisos onde existe alguma areia solta, ou somente travar quando existe areia mesmo. Ai, o mais seguro é andar lento. São pneus confortáveis também, mas já com suspensão andava com eles (ultimamente pelo menos), daí que os pneus não tenham influenciado em nada a minha experiência com este novo garfo. Muito embora, rodas para o gordo, sejam benéficas para estes garfos, por ajudarem no amortecimento.

Surly 1x1 Fork/Garfo
Símbolo da Prime :P

Em trilhos:
Só andei uma vez com este garfo num trilho, que deve ter cerca de 10/15km mas é exemplo daquilo que os trilhos são, só faltaram mesmo muitas pedras, uma ou outra saliência suficiente para dar uns saltos e mais raízes. Só me lembrei que ia com um garfo rígido quando já estava no trilho porque não notei diferença nenhuma. Mas existem diferenças, mesmo relativamente à minha velha suspensão Zoom qualquercoisa. Nota-se a velocidades superiores a 20km/h e obriga de facto a posicionar bem o corpo na bicicleta para amenizar o impacto, que acaba por nunca ser nada de muito ‘impactante’. Se o corpo estiver bem, é tudo suave. E mais uma vez, adorei a experiência. Já excluí completamente a compra da RockShox REBA Race Dual Air, que estava para comprar.
Isto porque me divirto muito mais assim, mas não é claramente uma coisa do agrado de toda a gente, é como andar com uma só velocidade na bicicleta (single speed). Há quem goste, outros não. E embora ache que esteja longe de substituir uma suspensão, recomendo a toda a gente experimentar (pelo menos) um garfo rígido e andar com o mesmo num trilho. É uma forma diferente de interpretar um terreno.
Do ponto de vista de quem não gostará, podemos dizer que não amortece nada a velocidades normais, que se perde tracção quando se passa sobre raizes, pedras e afins (se forem grandes ou se forem muitas), e que se cansa mais os braços.
Quem gosta, como eu, o prazer está no relacionamento com o trilho de forma a que esses aspectos fiquem em harmonia connosco.
Se o trilho for mesmo só composto de pedras e mais pedras, pontiagudas e grandes. Então é coisa a esquecer, como também seria uma bicicleta com suspensão à frente (somente) e também uma com suspensão total com cursos baixos.

Nesta minha passagem pelo trilho, usei como é habitual, os meus Schwalbe Nobby Nic 26 x 2.25 SnakeSkin. Que ajudam como sempre com a sua resistência, ‘rolabilidade’, tracção e versatilidade.

A única coisa que posso concluir daqui, alem do prazer imenso que é andar com este Surly 1×1, é que acho um completo disparate venderem-se bicicletas (gama baixa e media-baixa) com garfos de suspensão de merda (não que todos o sejam), como o meu e muitos outros, quando se pode ter uma bicicleta mais barata, muito mais leve e igualmente confortável (e mais GIRA também! EU ACHO :P). Enfim, as suspensões acabam por representar uma faceta negativa das ‘modas’.
Este garfo convenceu-me ainda mais de adquirir um quadro em aço, por isso o Voodoo Wanga ganha aqui algum terreno à Slingshot Ripper.

Surly 1x1 Fork/Garfo
Não à volta a dar a má geometria deste quadro, vai desenrascando…

Por fim, para quem estiver interessado, não escolha é um garfo de alumínio, como este aqui! Aço e carbono apenas (a Pace tem um e afinal, existem muitos mais. Como este da White Brothers, este e este da FRM, o DT Swiss XRR, um modelo da Shimano/Pro Bike Gear, mais este Ritchey WCS Carbon e por fim, penso seu, este Bontrager Race X Lite Switchblade. Há dias descobri estes da On-One que acho interessantes também. Sendo que parte deles é quase ou tão caro como uma boa suspensão de XC, e os restantes andam à volta dos 50/150€). O alumínio, só me parece bem para suspensões totais. Nunca testei nenhum, mas pelo mau trato que o meu corpo tem dos quadros em alumínio, é material para esquecer em ‘hardtails’, embora concorde em parte com o artigo do Sheldon Brown, na sua explicação de materiais para bicicletas de viagem. Eu não vejo a hora de me livrar do meu, não só pelo material, mas mais ainda pela geometria que trazia como ‘presente’ :P

Apercebi-me agora (umas horas depois de fazer o post) que esta deve ser a análise mais entusiástica, jamais feita por alguém, sobre um garfo rígido de aço :D

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