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Já tive conhecimento desta marca há uns anos, no Forum BTT (que é um sitio excelente para quem gosta de andar de bicicleta, mas particularmente direccionado para o BTT). Já era para falar dela em separado neste apanhado de bicicletas que vão apresentando propostas diferentes e inovadoras para esta coisa de andar de bicicleta. Mas como de vez em quando me ponho a pensar na compra de um quadro versátil, mais virado para as descidas – o que vai demorar algum tempo, porque em primeiro é o de estrada -, achei que o melhor era falar da Bionicon no meio de outras bicicletas que, pelo menos para mim, são “concorrentes directas”, isto das aspas é porque ainda não existe nada que se assemelhe à Bionicon.

Bionicon

Quando penso numa bicicleta virada para as descidas, estou também a pensar que têm que dar para chegar ao trilho e para o fazer bem, quer a andar em rectas, quer a subir. A diferença é que espero me divertir mais a descer, e fazer coisas que não posso fazer com a minha bicicleta actual (nem de perto). Tenho em mentes cursos nas suspensões de 150mm/160mm, ângulos de direcção de ~68º (algo que o quadro da prime já tinha de origem, só é pena não serem ângulos adequados ao uso que este permite :D) para não ter “vertigens” a descer e de 71º para subir (:P). Espero eficiência na pedalada, um quadro que têm que apresentar um relação peso/resistência muito boa, e pesos que não sugiram um quadro frágil mas que não sejam blocos de cimento, e isto não só no quadro como nos outros componentes que têm de fazer justiça ao uso que uma bicicleta assim têm.
De facto, acho este tipo de bicicletas uma boa medida para se ver até onde se pode ir, hoje em dia, nessa relação quase impossível entre peso e resistência, já que é aqui que ambos se têm de relacionar mais do que em outros ‘segmentos’ que deixam sempre um desses factores de parte. Porque há que ter atenção que subir e descer são coisas diferentes! O esforço é diferente, o corpo têm de estar colocado de forma diferente e a bicicleta tem, geometricamente, que ajudar a disposição do peso de forma a que haja o máximo de tracção possível, para que se fique para a frente nas subidas, para trás nas descidas, e numa posição neutra (para mim é mais como nas subidas :P) em terreno nivelado. A gravidade também é um factor importante nisto.

Então afinal o que é que os fabricantes propõem ?
Propõem muita coisa, mas o que me interessa, de 2008 pelo menos, são as seguintes (com cursos frente/trás máximos e peso, que penso estarem correctos e já com o amortecer incluído):
Rocky Mountain Slayer SXC SE – 150/160mm, peso ? (antes diziam o peso dos quadros!)
Titus Guapo – 150/160mm, 3178g
Rotwild R.E1 – 150/160mm, peso ? (antes também diziam o peso dos quadros, mas está mas para fora da selecção devido ao preço)
Turner RFX – 150/160mm, 3269g
Banshee Rune – 150/ , 3265g
Cube Fritzz, 160/160mm, 2860g (não sei se com ou sem amortecedor)
Canyon ES – 160/160, 3305g
Santa Cruz Nomad – 165/160mm, 3225g
Yeti ASR 7 – 178/160mm, 3265g
Nicolai Nucleon TFR – 167/170mm, (já soube o peso e lembro-me que não é levezinha, e custa ainda 5.000€, o que faz com que a menciona aqui por mera curiosidade, até porque se não me importasse em gastar isso por um quadro/transmissão/desviadores/amortecedor/pedaleiro, não sei bem se a iria comprar. Mas sobre a transmissão que ela têm, irei falar num outro episódio :P)

Vi mais umas tantas que também achei interessantes, mas que achei mais viradas para uma coisa mais leve, como a Litespeed Niota Ti, Scott Genius MC-40, Ibis Mojo e Maverick Durance. Outras pareceram-me ambíguas neste contexto: Yeti 575, Cove Hustler, Transition Covert, Felt Compulsion Team, e ambíguas porque o curso é pequeno e o peso não. A Scott Ransom 10 é excessivamente cara e é de ‘carbónio’, a 40 excessivamente pesada (de resto agradam-me imenso) sendo que o mesmo se passa com a Intense 6.6. Deixei outras de lado porque não vendem quadros à parte, Giant Reign, Trek Remedy, Ellsworth Moment, DeVinci Hectik, Mondraker Prayer, Lapierre Spicy, Cannondale Moto (desequilibrada de aspecto), IronHorse 6point, Haro Xeon, Commençal Meta55 e Començal Meta666, Kleins, Marins e mais um monte de marcas que têm este mau hábito, e as quais nem me vou esforçar mais em listar. Também vi outras tantas que não têm nada do meu interesse, como é o caso da Kona, Orange, Fusion, Da Bomb, Chumba Racing, Brooklyn Machine Works SR-6 (devido à dimensão do tubo do selim e do tubo horizontal), Norco Six (por causa do angulo e extensão do tubo do selim), Steppenwolf, Storck, Corratec, Bianchi, Focus, GT, Gary Fisher, Morewood, Kraftstoff e Simplon (por falta de informação), Ventana e mais algumas (muitas provavelmente!.. Olympia, Isaac, Bottecchia, Principia, Look, Kuota, Sintesi, Coluer, BH, Orbea, Mongoose, Schwin, Saracen, Kellys e por aí a fora.. ) que me devo ter esquecido.
O preço desses quadros que listei, anda aproximadamente entre os 1600 e 2500€ (que acho caro).

Outro factor, mais ou menos óbvio, que surgiu desta selecção é que bicicletas como a Genius MC-40, Niota Ti ou Cannondale Rize, são o que queria a pensar em subidas, mas a descer, fazer alguns drops e manobras semelhantes, as que listei parecem-me mais adequadas. É o meu ponto de vista, aquela de quem nunca usou uma bicicleta com duas suspensões (:P) e, de facto também nunca tive grande interesse, tirando estas, que me parecem adequadas para o que quero experimentar. Se já tivesse uma do género da Maverick Durance ou outra do género da Nomad, já era mais fácil saber o que era mais adequado. Ainda me passou pela cabeça comprar um quadro de dupla suspensão barato, da VAG por exemplo, mas, sem geometria disponível, cursos diferentes, um amortecimento que poderia não ser o mais eficaz e uma relação peso/curso provavelmente má, o mais certo era ficar com má impressão e nem experimentar nada que se assemelha-se ao que quero e gastar á volta de 1000€. O que era um disparate valente.
Como é óbvio não ia gastar dinheiro em nenhum sem dar pelo menos uma volta com uma num local que sirva de exemplo para o uso que lhes iria dar (que é algo difícil de fazer por aqui, já que as lojas o máximo que deixam experimentar é lá no parque à frente, onde qualquer bicicleta parece bem..). Mas mesmo assim é um escolha constrangedora, porque se vai gastar uma quantidade de dinheiro considerável num componente que talvez não surta o efeito pretendido, o qual também é, na verdade, bem complicado. Por vezes, olho para isto e penso que se fosse mesmo para comprar, talvez ainda optasse por uma Genius ou companhia, com receio que as outras sejam um excesso…

Como é natural nesta exposição de dúvidas que existe sob um titulo que diz ‘Bionicon’, havia de falar desta marca alguma vez! E é precisamente neste constrangimento de cursos e geometria, que a Bionicon surge com relevância, propondo um conjunto de quadro e suspensões (frente e trás), que, através de um botãozito, permite alterar o curso e geometria da bicicleta durante o andamento. De ângulos que aparentam estar na casa dos sessenta e tal graus passamos para outros que parecem ser amigos dos setenta. O curso diminui de 150 para 70mm, o curso traseiro mantém-se, sendo que uma parte que que compõem o amortecedor, é enchida pelo ar que é retirado à suspensão de forma a que a eixo pedaleiro não sofra alterações na altura ao solo. Ao voltar a carregar no botãozito, o ar sai desse local do amortecedor e volta para o garfo de suspensão. Nada melhor que estes dois vídeos para perceber:

e em acção:


video que aconcelho a ver apenas, sem som (:P). Acho os outros ciclistas a subirem a montanha a pé, algo suspeito.. para mim combinaram todos para tentarem passar a ideia que só com uma Bionicon é que se consegue subir aquilo.

Existem já há alguns tempos quadros que permitem regular o curso do amortecedor, como uma quadro antigo da Tomac (que na altura reparei, mas já não me lembro do nome :P) e o Cannondale Moto por exemplo. Mas têm de se desaparafusar e aparafusar de novo, e para quem não gosta de sair de cima da bicicleta quando se vai dar voltas, isto é desencorajador. Além de alterarem a posição do eixo pedaleiro. Não sei se existem outras formas de fazer isto, se houver, digam!
Garfos de suspensão que têm diferentes cursos também existem, lembro-me da RockShox Pike, mas não alteram a geometria da bicicleta, ‘viajam’ é menos dentro do curso máximo que permitem. E os Fox Talas, alteram a geometria ‘isoladamente’. Por isso, a proposta da Bionicon está bem longe disto. Agora, o que era bom é que a alteração de ‘modo’ descida para o de subida, fosse mais rápida, já que pelo que vi/li é coisa para se fazer com calma…

Outra questão que levanto sempre é se o sistema de amortecimento funciona bem. Já que para mim isso, e o comportamento da bicicleta em geral, é sempre algo em aberto e sujeito a apreciações empíricas.

O preço dos modelos que me interessam, a Edison, Golden Willow e Golden Willow escandium, está listado na alpha-bikes.de como 1900€, 1800€ e 2000€, respectivamente. Se contarmos que já vêm com as duas suspensões, caixa de direcção e controlos. Face às que listei a cima (quadro e talvez o amortecedor), até são baratas. E os pesos, parecem-me normais para um conjunto destes, embora tenha de pensar como montaria as outras para ter um ponto de comparação.
Por isso, se me apontassem uma arma à cabeça, me dessem o dinheiro necessário, e me obrigassem a escolher uma destas solução para futuras experimentações de espaços e tempos numa bicicleta (:P), o mais provável era deixar as Genius e Co. + a ASR e amigas, e escolhia esta.

Uma nota apenas para este ‘segmento’ de bicicletas, prende-se com o facto de serem as bicicletas mais sujeitas e promotoras de tendências. Reparei que também anda ai a moda de quadros com tubos curvos, como se os quadros andassem “grávidos”. Enfim, tudo isto deverá ser aliciante para quem nunca andou de bicicleta e quem quer uma mais “bonita”. Para quem quer algo significativamente mais eficiente, não é de ano para ano que o vai obter (é o que tenho visto pelo menos).
A mim, vão transparecendo que isto tudo é de brincar. Já estou farto de ouvir em lojas expressões como ‘está na moda’, ‘têm-se vendido muito bem’, ‘gama superior’, ‘é Pro’, e por aí. Coisas que me vão trazendo uma sensação de descontentamento. Até porque comprei há uns tempos uns v-brakes Shimano Deore LX, e se não fosse o menor peso face aos Shimano Alivio/Altus ou mesmo aos Alhonga (ninguém deve conhecer, tirando lá os senhor da Órbita e amigos de Sangalhos) que já tive, não têm qualquer vantagem a nível daquilo que dizem fazer, que é travar. E travam, afinam-se e duram o mesmo que os outros. Os meus já estão no lixo, o parafuso que o prende ao quadro moeu e com ele levou o parafuso que suporta os v-brakes no próprio quadro, sem qualquer esforço a apertar. Nem me preocupei mais com isso já que estou a espera do meu novo travão de disco. Quando comprei os v-brakes, foi porque os meus antigos já estavam obsoletos, e como queria algo mais leve, lá optei por uns que pensava serem além de leves, mais eficazes. Mas a verdade, é que os v-brakes são todos iguais, têm um sistema de travagem rudimentar (tal como a transmissão “exterior”) e igual de marca para marca e gama para gama. É coisa, como muitas outras nisto das bicicletas, onde não compensa gastar muito dinheiro.

O que dizer mais sobre a Bionicon ? o que é de facto inovador e diferente não precisa de mais histórias. É história em si ;)

One Trackback/Pingback

  1. […] duas últimas aplicações e as sugestões que ia dar eram as que me interessam (algumas estão no post da Bionicon), fico-me pelo XC, até porque é mais normal conhecer as particularidades do BTT pelo Cross […]

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