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Conforme prometido, cá vão as minhas sugestões para as ocasiões onde se quer só dar umas pedaladas ou andar uns kilometrozitos, uns 8km por exemplo, sem pressa, para ir comprar uma coisa ou outra ao supermercado e aproveitar ao máximo a ‘paisagem’.
Não é bicicleta que ia comprar para mim, pelo facto de não gostar de andar nestes ritmos. Mas se comprasse (e comprava se tivesse dinheiro para gastar em objectos de colecção) ou se me pedissem um conselho, ia dar estes. Nenhum é barato (mas ficam todos abaixo dos 1000€) e são capazes de não ter uma boa relação de preço para o uso a que se destinam, mas são mesmo as únicas que me agradam.

Porquê que estas são boas para andar lento e as anteriores de que falei, não eram ?
A resposta é a geometria. Para quem não sabe o que me refiro quando falo da geometria e o que é essa coisa da geometria das bicicletas, não precisa de se assustar! Não é preciso fazer contas. Geometria são simplesmente as medidas e ângulos que o quadro apresenta e que são fornecidas pelo fabricante. As medidas (do quadro) são em polegadas ou centímetros, e são as medidas dos tubos, desde que começam até acabarem. E os ângulos, são os do tubo do Selim (o Selim é o ‘acento’ ou ‘banco’, independentemente do nome, é onde o cu se apoia :P) e do tubo de direcção (que é onde está o guiador ou o ‘volante’). Existem medidas de diâmetros e outros ângulos, mas são só importantes para quem monta tudo por peças.

A diferença entre estas bicicletas e as outras, é que estas permitem andar com o tronco na vertical, de forma a que o corpo fique muito relaxado mas sem comprometer o conforto das pernas, permitindo que estiquem até onde devem, de forma a que não andem sempre atrofiadas. Já as que apresentei no post anterior, são projectadas para se andar com o tronco inclinado para a frente, o selim bem em cima, para que se consiga mais eficiência de pedalada. E sim, uma posição relaxada como estas bicicletas de que vou falar, não é pensada para andar rápido, já que a posição do corpo não permite grande vantagem biomecânica e não se consegue retirar grande eficiência do esforço que se despende, nem o corpo nestas posições consegue imprimir grande potência.
A título de comparação, se quiséssemos pegar numa das bicicletas do post anterior e andar desta forma, independentemente das alterações que fizéssemos, as pernas iam andar irremediavelmente mal e para andarem bem, aumentando a altura do guiador (e do selim também), ia resultar uma bicicleta desequilibrada e sem outras vantagens que estas aqui têm.

Com isto esclarecido, segue-se a lista dos velocípedes em questão (:P):

> Pashley Phantom e Pashley Sonnet Pure

Pashley
Pashley Phantom
Pashley
Pashley Sonnet Pure

Não há grande coisa a apontar de negativo a estas bicicletas, porque todas dão bem ‘conta do recado’. Pelo que só vou referir o motivo porque gostei delas:

A Pashley oferece sempre geometria de senhora. Nem sempre são nos mesmo modelos, mas elas lá estão e com as mesmas características dos modelos de senhor. A estética foi um dos factores porque tinha já esta marca em consideração, já que nenhuma nas bicicletas é um painel publicitário nem quer dar a ilusão que é para ‘corridas’ com autocolantes manhosos. Além de existir uma clara preocupação com a construção e com a dignidade do material. Mas a Pashley é muito mais que estética.

Qualquer dos modelos tem os seguintes argumentos a seu favor:
– Transmissão interna de três velocidades da Sturmey-Archer (um dos fabricantes que se dedica a esse tipo de transmissão, sendo os outros a Rohloff, Shimano, Sram e Ellsworth). Que não requer grande, ou nenhuma (segundo dizem), manutenção*. Já que é lubrificada internamente, está isolada dos elementos naturais e da sujidade normal, que surge devido à areia e às poças de água quando chove. Outra vantagem de uma transmissão interna, que a faz brilhar para andar na cidade, é o facto de não se ter de pedalar para mudar de mudança. Por isso, mesmo que se pare num semáforo na 3ª mudança, enquanto se está parado à espera, pode-se colocar a 1ª, que ela encaixa sem termos de pedalar. Depois é começar de novo a marcha, sem nunca haver problema.
– Quadro de aço, com uma geometria adequada para estes andamentos conforme expliquei no inicio.
– Guiador curvo, há quem goste e quem não goste. Eu já usei um, e para andar calmamente são bons, embora se estranhe quando se anda com uns horizontais de BTT.
– Selim da Brooks (Ingleses tal como a Pashley). São clássicos modernos, pensados para quem anda na vertical e logo, têm grande parte do peso no ‘rabito’ (a Selle Royal tem umas ilustrações excelentes para perceberem isto. Aprecem quando queremos escolhemos o selim). Como em tudo que tenha a ver com o ‘rabito’ nas bicicletas, há quem goste e quem deteste. A mim parece-me adequado.
– Guarda lamas, Campainha, Luzes e Reflectores. Acessórios indispensáveis para andar em locais onde também andam outros veículos e outras pessoas, seja a pé ou de bicicleta. A Pashley conjuga-os discretamente, o que é um ponto a favor.
– Protector de corrente (na Sonnet), que também é útil.
– Travões de tambor. Já useis uns, mas não sei o que ‘gastam’ a nível de manutenção já que a bicicleta não era minha. Mas travam bem para estas utilizações, muito semelhantes a um V-Brake. Penso serem ideais para estas bicicletas, já que ao contrário dos outros, estão isolados de elementos naturais e sujidade. E como são internos, não devem precisar de muita manutenção.*

Só tinha a acrescentar uns suportes para carga mais discretos, e no caso da Sonnet, mais em baixo e com um cesto mais pequeno. Porque o que lá têm, dá a ideia que obstrui a visão. No entanto, isto depende das necessidades de cada um. Acho os suportes para carga indispensáveis para estas bicicletas.
Acrescentava era um descanso para a bicicleta, de preferência leve e discreto.

> Pashley Paramount e Provence

Pashley
Pashley Paramount
Pashley
Pashley Provence

– Todas as vantagens das anteriores, mas com uma transmissão de cinco velocidades, que permite mais abrangência de terreno, com algumas subidas mais íngremes (mas desconheço as relações dessa transmissão em particular).
– Rodas de 26″, só serão úteis para quem anda muito pouco de cada vez e está à procura de uma aceleração mais rápida.
– Gosto mais dos suportes de carga que equipam estes modelos.

Tal como nas restantes, onde está o descanso ?

> Biomega Amsterdam

Biomega
Biomega AMS men
Biomega
Biomega AMS lady

A Biomega tem muitos modelos que à primeira vista parecem interessantes, mas depois falha sempre alguma coisa. A transmissão e a geometria parecem não contemplar o uso que essas bicicletas teriam. Embora ainda fique a pensar em incluir o modelo MN1 cuja cor do quadro fica fosforescente de noite (vão lá ver que vale a pena), para a primeira parte desta sequência de posts, esta Amsterdam é a que acho mais realista e que encaixa na perfeição neste tipo de utilização.

– O material de quadro é algo de novo, já que é um processo particular escolhido pela Biomega o qual dizem que emula o efeito do Aço. Não sei se é verdade ou não, mas se for, é bom!
– Geometria de senhora e senhor.
– Garfo de aço = conforto, durabilidade.
– Transmissão com uma novidade face às outras. No lugar de uma corrente existe um eixo de transmissão. Dizem ser menos eficiente, mais pesado e mais complexo (é de certeza), provavelmente mais caro de reparar. Mas não é coisa que se deva reparar assim tanta vez*. Por outro lado é uma extensão das vantagens de uma transmissão interna. É limpa, não requer manutenção, não prende as calças e fica tudo com um aspecto mais simples.
De facto esta transmissão nem é bem positiva, já que dizem ter uma eficácia inferior a uma transmissão por corrente. Mas como o uso que estas bicicletas têm não entra em conflito com eficácia, acho que não é problema nenhum.
– Acessórios para cidade tal como as as bicicletas da Pashley.
– Guiador curvo e alto.
– Aspecto sem grafismos manhosos e painéis publicitários. Vai talvez um pouco em demasia na onda da Apple, embora a mim não me faça confusão.

Acho mesmo desnecessário os travões de disco nestas bicicletas, mas mesmo que se queira mudar para V-Brakes, o quadro não tem suporte para os mesmos. E onde estão os descansos ? :P

Para andar lento também não importa o diâmetro da roda, por isso é coisa que aqui não dou muita importância.

Em qualquer destas bicicletas, dois pontos a ter em atenção, e que me deixarem algo confuso. As dimensão do quadro da Pashley, já que parecem ter um numero incrivelmente limitado de dimensões (todas para o grande). Nas Biomega é fácil de ver, porque é uma marca que se encontra em bastantes lojas aqui em Portugal, já a Pashley não. O outro ponto é o peso. 13kg é um bom peso para estas bicicletas. Se for mas leve é melhor, mas mais que 14kg, já é algo que não comprava, a não ser que os locais onde andem sejam sempre planos.

* Sobre a durabilidade de travões de tambor e transmissões internas, deixo aqui em aberto, já que não usei nenhuma com tanta regularidade para saber se é coisa que dá problemas ou não. Mas se fosse comprar era bem capaz de arriscar pelas vantagens que apresentam.

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