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Ai Évora, Évora.. andava eu todo contente a passear pelo nosso belo país – aquele da cantiga ‘pelos caminhos de Portugal’ onde o autor até acha que viu ‘tanta coisa linda’ e um ‘mundo sem igual’ -, a pensar que podia andar à vontade por todo lado que nunca mais ia apanhar cidade tão feia e inepta como Santarém, e eis que chego a Évora.
De facto, até concordo com o Sr. Mário Gil, que diz que pelos caminhos de Portugal viu um mundo sem igual. Só que é um sem igual a ir assim para o insólito. Porque coisas com Santarém e Évora não têm igual mesmo. Será que cidade é uma categoria adequada para ambas? Eu acho que não, e Viseu também não anda longe disto.

Pensando bem, a caminho de Évora já se anunciava uma coisa má. Porque razão é que no meio de paisagens que nem me atrevo a descrever com medo de as diminuir, existem aqueles aglomerados de habitações feitos de propósito para estragar o resto? Sei que o dinheiro de muitas das pessoas que lá têm casas e a arquitectura não coabitam muito bem, mas quem quer se seja que constrói lá as casas e pensa na urbanização daqueles locais (com estradas excelentes), devia ter o mínimo de sensibilidade para não destruir completamente o que as rodeia. Em locais assim não é nada que passe despercebido.
Como também não passa despercebido que em Évora as pessoas falam baixinho (como em Viseu), que não parecem existir centros comerciais; que o Intermarché só têm de Intermarché os logótipos e as bandeirinhas; que o Modelo/Continente deve ficar numa covil qualquer; que a rede de transportes públicos não deve valer nada, porque em pleno dia num sábado não havia qualquer autocarro na cidade; que é uma cidade negligente para os monumentos que alberga; que é uma cidade ainda mais negligente para coisas como ‘urbanização’, ‘qualidade de vida’, ‘contemporaneidade’, ‘passeios’, ‘estradas’, ‘infraestruturas’, ‘higiene’ e mais um sem numero de ‘coisinhas’ dessas; que é uma cidade sem espaço; que têm um hospital de merda, coisa que é perceptível mesmo sem ter que usufruir dos seus serviços; que é, na verdade, uma aldeia com monumentos à volta; e que têm uma autoestrada muito apelativa que a liga à Espanha, e muitas outras que nos apelam para ir dali para fora.

No fundo, o que aconselho a quem quer ir visitar Évora, é que chegue lá no pôr do sol, já que a iluminação do mesmo, juntamente com a pouca iluminação dos edifícios, acaba por beneficiar imenso a cidade. Mas que ande pelas estradas e outros locais pouco habitados de dia, porque vale mesmo a pena. E, caso estejam decididos a ir a Évora, informem-se bem sobre os locais que querem visitar porque, à excepção dos hotéis, não existe sinalização para nada.

E sim, os locais são feitos pelas pessoas e pelos amigos que lá temos. Mas com infraestruturas daquelas, o mais natural é que essas pessoas e esses amigos acabem por arranjar outro poleiro para viverem e aproveitarem ainda para interagir com uma sociedade mais dinâmica e produtiva do que num local como Évora. Eu acho! e digo isto porque já morei em locais semelhantes.

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