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Nestes últimos dias resolvi investigar um pouco sobre a razão desta azafama toda que se passa em torno do ensino pré universitário. Fala-se do estatuto do aluno e das avaliações dos professores, atiram-se ovos à ministra da educação ao mesmo tempo que há quem roube no supermercado produtos idênticos por falta de dinheiro (digo isto, porque vi). E parece que, em vez de ser ir passear ao fim de semana, se fazem manifestações para alimentar o entretenimento dos telejornais.

Sinto por isso tentado a escrever aqui a minha opinião. E porquê ? Ora essa! porque tenho um espaço para isso (:P) e porque é muito saudável escrever opiniões.

Sobre o estatuto do aluno, que está no site do Ministério da Educação, não sei qual é a razão das manifestações. A ideia que dá, é que hoje em dia é incrivelmente complicado chumbar. Dirijo inclusive, as mesmas palavras de que li um dia destes sobre o assunto, a esses estudantes: “ganhem juízo!”. O disparate e a falta de reflexão sobre este tema por parte dos manifestantes é tal – ofensiva até -, que nem merece mais atenção.

A questão realmente melindrosa, e que os senhores estudantes se tivessem algum juízo já teriam retirado partido, é a da avaliação dos professores. O grande problema é, a meu ver, sobre a neutralidade do acto de avaliar alguém. Seja de um professor a um aluno, ou de um professor relativamente a outro.
As avaliações são, como toda a gente deve ter experiência (será que se lembram?), injustas. Levam acompanhadas o erro humano: os gostos, os valores, as distracções, a maldade, a inveja, as experiências mal resolvidas, a inexperiência, o pouco à vontade da matéria que se lecciona e um sem fim de outros problemas que vêm agarrados a essas pessoas, às quais compete a tarefa de avaliar.

Eu sou completamente a favor de um novo método de avaliação aos professores, já que o existente era completamente disparatado. Completamente utópico face à realidade de outros empregos, e ofende de facto, pela inércia, preguiça e injustiça dos seus critérios.
O que os professores têm medo é de serem avaliados injustamente pelos seus colegas. Eu também teria, como tinha o mesmo medo de ser avaliado dessa forma, enquanto aluno, pelos professores. E o que não devem gostar de certo, é das injustiças que se farão, na escolha de quem é avaliador e quem é avaliado. Talvez seja até motivo de ainda mais injustiças no acto de avaliação.
Agora o que não percebo é porque é que isto só é controverso nesse circulo de professores. Porque razão é que não se repensa de uma vez por todas, a forma de avaliação no ensino, desde o primário ao superior ?

O que julgo estar em causa é a definição de uma avaliação que seja o mais imparcial possível, já que ela, existe em tudo, em todos e para toda a gente, empregado ou empregador. Motivo pelo qual discordo completamente de uma avaliação local, de escola para escola. Sendo que, em primeiro lugar, não reconheço a existência de problemas ‘locais’. Mas antes, o problema do que é ‘local’, ao qual a escola devia ser uma porta de saída.
A justiça num universo hermético é feito que nunca existiu. E por experiência, a avaliação deveria ser sempre feita por quem não nos conhece, nunca nos viu, nunca nos ouviu e nunca ouviu falar de nós. Para mim sempre funcionou melhor assim, e como tal, deveria ser sempre uma opção.

Se concordo com um novo método de avaliação e até tenho algum respeito pela senhora ministra por conseguir abanar o ensino, discordo com esta nova lei (não sei se é o termo adequado) neste aspecto que acabei de referir e num outro: a avaliação dos resultados.
Avaliar resultados é normal ao implantar um novo método, mas esta avaliação dá a ideia que é adequada para resultados a curto prazo e, para além de dar indicios que apelam a uma espécie de ‘batotice’ e a uma atitude de ‘despaxar’ de forma a que se garantam. Ainda nos dá a ideia de ser pensada por quem produz as peças que estão nas lojas dos chineses, isto é, o que importa é a quantidade e que elas vão para as prateleiras! Se está bem ou mal, já não importa. Uma posição, infelizmente muito semelhante, à redução do numero de anos dos cursos do ensino superior, sobre a qual discordo completamente.
O ensino exige que se repense a forma como se avaliam os seus resultados, e isso é um desafio e tanto. Transversal a todos os estágios de ensino. Até porque o ensino é a longo, longo prazo.

Confesso que não li a fundo sobre o assunto e não sei bem o papel dos pais no meio disto tudo ou de outras questões inerentes, e de facto nem me interessa. Porque, em primeiro lugar: se já acho o ensino universitário ‘assim-assim’ devido precisamente a essa avaliação local. O secundário para mim é obsoleto, foi um obstáculo e um atraso para os meus objectivos e curiosidades. Do primário já nem memória tenho. E em segundo lugar, porque se este sistema de avaliação for levado a cabo, até vou achar piada o tempo que durar, porque embora estejamos todos a pagar aos intervenientes deste (e de outros) absurdos, é sempre bom que quem avalie, leve com o próprio veneno. Talvez assim se venha a debater o que acho estar na raiz deste problema e que usei no titulo do post (piadola!).
Propunha até, a estes intervenientes, na falta de argumentos mais incisivos por parte do ministério e de disparates com alguma razão por parte dos professores, outros assuntos interessantes para reflexão, como por exemplo essa coisa do ‘ensino’ e aquela outra do ‘aprender’. Já que acho assim, irem dar aquela parte da avaliação, que acho também tão importante. De certo será mais importante do que essa coisa, que li hoje num jornal qualquer, de escolher ‘sábios’ (que profissão é essa de sábio, já agora ? :P) para avaliarem os ‘professores’. Quem avaliará os sábios ? o merlin ? o super-homem ? os super-sábios ? :P

E pronto, limitado à minha condição de quem está fora do ensino, deixo assim ao meu caro leitor esta opinião, que até se veio a revelar mais desinteressada e por ventura, desinteressante, do que estava à espera.

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