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Este post é meio opinião meio denúncia (e esta dá-me mais prazer), se bem que algo infundada devido ao desconhecimento de leis sobre o tema. Mas fica aqui o aviso e o registo de descontentamento.

Tenho 7 animais a viverem comigo, uns são bichos gatos outros são bichos cães (:P). E é à custa deles que algumas vezes visito lojas de animais, para comprar taças de comida, coleiras, e afins.
Nunca gostei de ir a nenhuma. Quando era mais pequeno, via os animais como objectos, via-os da mesma forma que os meus pais me tinham ensinado a ver. Mas mesmo nessa altura, nunca gostei dos senhores e senhoras responsáveis por essas lojas. E grande parte da razão de, ainda hoje, não gostar de ter animais (estes que tenho, vieram-me parar às mãos) vêm das más experiências que tive em pequeno, devido precisamente a confundir seres vivos com objectos de decoração.

No mesmo fim de semana em que resolvi dar uma volta a algumas lojas num domingo, não em grandes centros comerciais como referia no post anterior. Tive de fazer uma visita a algumas dessas lojas, e começa a tornar-se claro a razão pela qual não suporto lá ir.
Continuo a ver pessoas adultas a achar que os animais (assumo que ‘somente’ os ‘não racionais’) são objectos, e continuam a fomentar esse mesmo ponto de vista das crianças que os acompanham. As quais não sabem educar.
Esta ‘educaçãozita’ (será que esta coisa da educação tem significado neste país?) tem um valor inestimável para se evitar que continuem a existir animais mal tratados, abandonados e que de certo, iram mais tarde morrer, ou por terem de ser abatidos ou por serem vitimas de acidente e de maus tratos por parte de muita gente, adulta ou criança.
E será que ver um ser vivo, enjaulado e infeliz, sem espaço e sem actividade nenhuma, é algo que seja agradável de observar? O que se passa na cabeça desta gente, que anda lá imenso tempo a ver o que esse animal faz e deixa de fazer e se é giro ou não, para eventualmente os comprarem?
Para quem não sabe, os animais tal como nós, sentem. Sentem medo, felicidade, prazer, angústia, dor. Fazem os ‘rácios’ deles, de acordo com o aparelho sensorial que têm, e criam, de acordo com o carácter de cada um (que, como o nosso também se vai afirmando, de acordo com os contextos e experiências que se vivem), uma relação particular com os vários intervenientes da sua vida.

Não simpatizo com quem vende animais. Acho que, a par de quem os vai lá comprar, são dos piores inimigos dos mesmos, e provavelmente da saúde e bem estar público. A culpa de tanta precariedade nesse universo de animais ‘racionais’ e de ‘não racionais’, é dessas pessoas de quem falei à pouco. Estes últimos, os lojistas, querem ‘apenas’ ganhar dinheiro à custa da exploração de outros seres vivos. E perturba-me isto ser legal, e viver num país insensível a questões como estas.
Se existem coisas que me estragam o dia é ter de ir a Baobab, à Agriloja (será que aquelas aves que têm à venda estão em condições legais? a mim, parecem-me ter pouco espaço.), à loja de animais do C.C.Rino e Rino, a qual, além de ter preços caríssimos vende aves exóticas (será isto legal?), e a pequenas lojas que tentam, tal como estas, vender animais apelando ao sentimento de pena das pessoas.

A minha proposta para as lojas de animais domésticos, começa por restringir estas apenas à venda de artigos para animais, e não à venda de animais. Isto porque acredito que a compra de uma animal deve ser de difícil acesso, restrita e exigente relativamente aos (futuros) donos.
Quem vende animais, devia ser um criador (sem olhar a raças), regulador e monitorizado por leis e uma ética rígida. O custo disto deveria ser impresso no valor do animal, de forma que fosse inacessível, o que obrigaria a uma atitude muito ponderada por quem os quisesse. A escolha do dono, mesmo assim, deveria ser feita com base em critérios firmes, tendo em conta as características de ambos os animais, isto é, o futuro dono e a companhia que procura. Os quais teriam de ser obrigatoriamente acompanhados por um veterinário, isto é, o tal animal não-racional, tinha de ser vacinado e analisado uma vez por ano. Sendo a analise também respectiva ao animal racional.

Isto saí caro, não é ? mas ter animais não é barato, nem é um acto de consumo.
É um compromisso e uma relação que se assume. Não é como quem compra um objecto qualquer por impulso e passado uns meses, porque já começa a ser um incomodo, deita-o fora. Nem uma compra, por ser coisa da moda, por ser ‘giro’ ter animais, e posteriormente só gostar deles porque têm comportamentos semelhantes aos humanos (coisa que é ridícula), ou por gostarem de nós ou não. Dificilmente vão gostar de nós como outro ser humano, por isso, para essas pessoas, saiam e vejam lá se arranjam é amigos. E alguns podem nem gostar muito de nós (que é bem provável). Mas quem gosta de animais, gosta e respeita o animal em si, não se ele gosta de nós ou não. São seres, em muitos aspectos, diferentes de nós.

Penso que se existisse uma lei que obrigasse a estes processos e monitorização, ia diminuir bastante o número de animais abandonados e a consequente necessidade de abate dos mesmos. Sem pensar já, nos que não o são e vivem em condições precárias e são mal tratados pelos donos.

Um conjunto de leis são necessárias para que, tal como nas relações entre seres humanos, exista uma salvaguarda a possíveis actos inconscientes, interesseiros, vigaristas e insensíveis por parte dos seus intervenientes. Com coimas elevadas, para quem não os respeitasse.

Relativamente aos animais que as pessoas não gostam de ter por companhia – os que gostam de comer – nem me quero aproximar. Já que as ressonâncias do que se passam ‘nesses lados’ são assustadoras.

2 Comments

    • HugoMOP.dSGNz
    • Posted Dezembro 10, 2008 at 3:03 am
    • Permalink

    o mais engraçado é quando se entra numa loja de animais e vemos escorpiões e tarântulas à venda!
    quem poderá comprar um animal daqueles e asumir uma relaçao com ele?

    é do mai lindo!
    nao posso deixar de estar de acordo com o senhor. e dos dois posts que vi.. prometo que heide ca voltar. fale mais de design.

    • drkosmos
    • Posted Dezembro 11, 2008 at 8:10 pm
    • Permalink

    Olá Hugo!
    Nem me tinha lembrado disso, é um excelente exemplo.
    Quanto ao design, pensava que ninguém lia estas coisas, tenho de ir escrevendo mais então ;)


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