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É verdade senhor leitor! Mais um post de design a entupir este blog.

Devo dizer que já suspeitava dos cinco anos (sim, refiro-me a esse lugar no tempo em que uma licenciatura tinha essa duração) que andei a estudar design. No final do curso, disse a mim mesmo que não queria mais nada com aquilo, que queria ir distribuir a correspondência para os CTT, para não ter chatices e ganhar dinheiro à mesma. Depois, acabei o curso e fui, de facto, experimentar isso de distribuir cartas para os CTT, e não gostei de ter um trabalho em que não fosse obrigado a pensar e criar nada. Nesta altura, ainda não tinha bem a noção daquela coisa a que chamam mercado de trabalho, e muito menos do ponto de vista da profissão do design nesse mercado. E hoje, após dois anos de experiência profissional nisto do design, o que acabo por constatar é que após um investimento de cinco ano a estudar (num curso que não é barato), a adquirir um conhecimento e ferramentas das quais me orgulho bastante, estas, não parecem ter qualquer valor para esse mesmo mercado. E embora se olhe todos os dias para o benefício do design, seja em que manifestação for, a paradoxal invisibilidade deste, torna-o inexistência para quase toda a gente. É de tal forma assim, que a quem a ele recorre, fá-lo sem saber bem de onde é que aquelas ‘coisas’ todas saem. E recorrem antes a um interlocutor que tem, segundo essas pessoas, autoridade nesse mercado. Essa pessoa é muitas vezes, ou um gestor, ou um comercial, ou um marketeer. Nem que seja, porque o raio do nome da profissão deles é familiar na língua portuguesa.

Esses senhores e senhoras com autoridade e reconhecimento no mercado, recorrem então a equipas de criativos que criam lá as ‘coisinhas’ para o cliente ganhar dinheiro (e bem sei, nem sempre é assim). Se o leitor estiver atento, reparou que estou a falar das grandes agências de publicidade que fazem de facto, essas campanhas. Dado importante para este post, já que somente a essas agências é que se dá crédito para a criação de campanhas com medição de metas, objectivos concretos baseados estudos de mercado e estratégias de meios. Neste contexto, as equipas criativas, são equivalentes directos a operários fabris e ao chefes/inspectores de secção, correspondendo respectivamente ao designer e director criativo. Designer e director criativo que, numa outra agência de menor dimensão, não só, fazem maioritariamente o que o cliente manda (que se assume como uma espécie de director criativo), como ainda não são tomados pela sociedade e por esse tal de mercado, como gente capaz de perceber os negócios e necessidades de cada cliente. E daí, qualquer designer, seja de facto (ou ainda), alguém no mesmo estado de operário fabril. Mas atenção, um operário fabril ‘clean’ e ‘fashion’ ! Mantendo o mesmo estatuto de fraca autoridade, inaptidão social e situação precária. Ficando, uns por culpa de um discurso idiossincrático e outros sem querer, socialmente a par de quem não sabe nada do que faz e se auto-intitula designer.

Não tenho absolutamente nada contra quem assume a função de operário numa fabrica, só não vejo é a necessidade de tirar uma licenciatura para ser um. E é isto que me deixa revoltado, com a sensação que fui sendo enganado nos cinco anos em que andei a estudar porque, nunca ninguém tocava nestes assuntos. A tal ponto que já estou decidido a tirar, quanto antes (quando juntar dinheiro e algum tempo) um mestrado em marketing. Ou isso, ou o mestrado em algo tenha valor na sociedade de agora, e que me permita ganhar dinheiro correspondente ao que investi (e investiram) nos cinco anos que andei a estudar. Um doutoramento, embora – e também com orgulho -, esteja ao meu alcance, demora demasiado tempo para o considerar prático.

No fundo, tenho pena é não ter estudado medicina. E como tantos palhaços com bata que andam para aí, ficava ‘sentadinho’ a receitar descanso, esperança e um Panadol a toda a gente, que se me desse mais trabalho mandava a um especialista. E ainda tinha 150.000€ para gastar num Mercedes AMG (ou cerca de 10 Renaults Clio, uma casa por exemplo, e possivelmente um barco e um avião de jeito) e ainda outros tantos para meter férias quando quisesse e ir para onde bem me apetecesse.

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