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Há dias fui confrontado – em jeito de interpelação – a propósito desse acto de dar e receber prendas. Na altura nem soube bem o que dizer, até porque, afinal é coisa com que poucas vezes me confronto, sendo essas poucas vezes, delineadas apenas pelas intervenções de algumas figuras familiares.
A verdade é que detesto dar e receber prendas. Nem consigo associar a prenda ao acto de prendar alguém. Prenda para mim é, do lado de quem dá, sempre uma tentativa de prender. E, do lado de quem recebe, um gesto desarticulado de, por momentos, se sujeitar por um valor qualquer, a um laço social.
Uma prenda é um exemplo clássico de interpelação (num sentido de intimação), cada um traz uma mensagem do género: ‘és dos nossos, ou não?’.
Como sou adverso a comunidades e grupos, é natural que sejam actos impensáveis para mim. E como não pertenço a nenhuma comunidade (que para mim só significa uma cambada de palhaços) é natural que não tente intimar ninguém para que continue a pertencer a um grupo.
De facto, para mim, dar prendas é um mero acto publicitário (e mesmo assim, algo débil) para a fidelização de clientes.

Se gostasse de dar prendas, iria adorar o tão afamado companheirismo do BTT. Era um ser familiar. Fazia um esforço para pertencer ao grupo das pessoas reprimidas ou adoradas nas aulas de língua portuguesa do secundário, e que escrevem e tentam impôr o gramaticalmente correcto, embora sem se preocuparem com o que, de facto, se diz. Era provável que gostasse de criar comunidades e amizades à volta de aparelhos e maquinetas e, muito provavelmente, de marcas e tipo de produtos que definissem um estilo de vida. Participaria em fóruns, workshops e ia a todos os concertos que se realizam em Portugal. Ah, espera lá! Ia-me esquecendo, já falei do estilo de vida (lifestyle, como se diz em marketês)?
Mas o que é certo, é que todas essas coisas não conseguem sair daquela caixinha do desinteresse que me acompanha todos os dias. E para ser sincero, respeitando obviamente a felicidade de todos, não consigo olhar para eles de outra forma, que não como números estatísticos e gente influenciada por uma boa dose de futilidade. Não que também não seja um número estatístico e influenciado por algumas coisas (porventura, fúteis :P).

Só gosto de dar prendas à minha bicharada, precisamente porque não entendem esse simbolismo todo. Nem são mais ou menos amigos. Nem eu espero nada de volta e nem é reforçado nada.

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