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… ou da maioria (pelo menos) e através do meu conhecimento empírico.

Nas notícias da Exame Informática (online) de ontem, diziam que teclados da IBM, Lenovo, Dell, Microsoft e HP, eram fabricados em instalações com condições precárias para os trabalhadores. Anteontem, Francisco Louçã disse que o lucro de Américo Amorim (acho) daria para pagar o salário dos funcionários que despediu, durante 4000 anos. E agora, e como sempre, abundam nos telejornais notícias de despedimentos e falências de empresas.

Facto é que, quase – ou todas – as empresas que conheço (que não são Sonaes, BPNs, EDPs e PTs, mas sim, sociedades de responsabilidade limitada, unipessoais e anónimas mas maioritariamente de pequena e média dimensão), para conseguirem gerar lucro, nem que seja para manter uma disparidade acentuada entre ordenados de funcionários e de ‘patrões’, praticam essa coisa de pagar pouco a 90% dos funcionários. E fazem-no no conforto de um argumento intimidativo, do género de ‘se não queres o lugar, existem muitos que querem’ (que não é mentira nenhuma). Depois, se isto gerar muito lucro, melhor para eles já que retiram mais para o bolso numa espécie de investimentos “empresopessoais”. Mas a hipótese de aumentar proporcionalmente o ordenado de quem contribui para o sucesso da empresa, é coisa que está longe dos planos da maioria dos gerentes/administradores/donos.
Os resultados disto são óbvios: acentuação da desigualdade social, aumento da pobreza, sentimento de injustiça, aumento do crime e por aí fora. E também é verdade que não é preciso ser muito iluminado para perceber isto, mas a ganancia desmedida e insensibilidade social desses tais dirigentes, parece ser mais forte do que qualquer coisa. Na verdade, não os posso censurar, já que para alguns serve como vingança de tempos menos bons, mas não deixa por isso de ser errado e, quanto a mim, essas disparidades salariais deviam ser reguladas no mundo inteiro.

E também é facto que, não faz sentido manter empregados a trabalhar desnecessariamente, mesmo que se tenha dinheiro para lhes pagar. Afinal, as máquinas ameaçam isso mesmo à muito tempo e são economicamente mais rentáveis. Daí que, sempre me fez alguma confusão tomar o emprego numa fabrica como algo garantido. E é racional, do ponto de vista competitivo, despedir mão de obra desnecessária para volumes de trabalho ou por opções estratégicas diferentes, ou, para aumentar os lucros do tal do ‘patrão’. As duas primeiras razões são inevitáveis e a segunda é injusta mas legal.

No fundo, o que queria aqui escrever como se estivesse a pensar alto, é que acho que o desemprego está a tornar-se um reflexo rápido e óbvio da desadequação do sistema económico (era para dizer capitalismo, mas não tenho conhecimento suficiente para falar sobre esse conceito) ao ritmo, necessidades, expectativas, nível de informação, conhecimento e ambições de toda a gente.
Hoje, é intolerável essa discrepância entre gerência, patronato e o funcionário. Hoje é inconcebível ser-se forçado a aceitar a ideia de que se é dispensável e, pior ainda, a investir em cursos que geram gente dispensável, mas também em não investir nos mesmo, já que assim é que nos tornamos certamente dispensáveis.

Acho também disparatado atribuir-se o desemprego à crise. As empresas que precisam de investir em publicidade (por exemplo), continuam a investir, mas quem o fazia por capricho já não o fará com tanta leviandade. Quem precisa de comprar matéria prima (seja ela qual for) para o seu negócio, vai continuar a fazê-lo. E vai continuar a haver quem venda, porque há quem continue a comprar. Só não existe é tanto disparate a comprar, mas isso nunca devia ter existido em primeiro lugar. Existem, decerto, empresas que deixam de ser competitivas, que já não o eram provavelmente e, que sem esses caprichos, poderão viver mal. Mas isto já existia tudo.
O desemprego existirá inevitavelmente sempre que existir a necessidade de competitividade. Em fábricas, existirão máquinas melhores e independentes e, nos serviços, existem pessoas cada vez mais qualificadas e ferramentas cada vez mais eficazes que automatizam o trabalho e reduzem a necessidade de recursos humanos. O contraponto disto, para manter ambos mão de obra e competitividade, parece ser sempre aquele que a Microsoft, Lenovo (e há uns dias pensei em comprar um teclado deles, que provavelmente até irei comprar) e mais umas tantas, recorrem para baixar preços, ou seja, um trabalho semelhante à escravatura. Mas quem é que resiste em comprar um produto funcional e barato?…

Por isso, não seria também oportuno aproveitar as oportunidades que a crise proporciona, para pensar e implantar algo de novo que, de facto, funcionasse na sociedade actual? Tenho a certeza que não seria mais utópico do que continuar com a economia de hoje em dia, que a cada dia só parece fazer regredir em vez de progredir. Ou será que, o que faz toda a gente feliz é informática a preços baratos e aplicações inúteis para o iphone? Digo isto, porque é a única coisa que parece ter evoluído nestes últimos tempos.

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