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Já andava a planear comprar uma bicicleta de estrada há algum tempo, mas a oferta de bicicletas actual vem, infelizmente, com uma etiqueta de valores demasiadamente inflacionados. Escrevi num post antigo alguns quadros de estrada que me interessavam, mas olhando bem para quanto vou andar com a bicicleta, que estimo serem em média, uma ou duas vezes por semana, é completamente disparatado gastar 1500€ num quadro, como também seria gastar tanto dinheiro numa bicicleta completa.

Os preços das bicicletas afastam-me – como já tinha referido no post do festival das bicicletas em Santarém – do mundo das bicicletas e do ciclismo. Não consigo olhar para todos aqueles quadros/bicicletas/rodas e etc., sem me lembrar de palavras como ‘palhaçada’, ‘brinquedos’, ‘vigarice’ e ‘excesso de entusiasmo’. Acho até que só gasta tanto numa bicicleta, quem nunca andou e vive apaixonado pelo ciclismo e/ou pelos amigos ciclistas ou então, quem compete. É o meu ponto de vista! Gosto imenso de bicicletas, mas são todas tubos metálicos/carbono com as mesmas peças que funcionam melhor ou pior e são mais ou menos leves, e todas são MUITO mais caras do que deveriam ser. Sou ainda incapaz de dar o que quer que seja por um quadro rígido de alumínio (ou a esmagadora maiora destes), até pode pesar 900g. Para a grande maioria das pessoas, eu inclusive, compensa mais comprar um quadro de 2kg e perder 1100g de gordura, do que o oposto. É mais saudável.

Dito isto, tinha há muito tempo montado no papel uma bicicleta com o objectivo de conseguir o preço mais baixo possível para um peso e componentes bons, isto é, adequados ao que vou fazer com a bicicleta. Na altura o preço andava pelos 500 e tal euros, com o quadro de alumínio/carbono. Mas, entretanto, os preços das peças acabaram por subir, já que bastantes eram de anos anteriores e acabaram por ser vendidas (como é natural) e, como a ideia de um quadro em alumínio nunca me agradou, acabou por surgir a ideia de arranjar uma bicicleta de estrada antiga, em aço, por um preço muito baixo (ou mesmo a custo zero) para compensar o aumento do preço das peças e dessa forma conseguir um valor semelhante ao que tinha projectado, ou pelo menos, abaixo dos 600€.

Estado original, como a comprei

Estado original, como a comprei

E cá estamos. Arranjei este quadro, do qual desconheço a idade embora o vendedor tenha estimado 20 anos, de marca ‘SM’ fabricada pela extinta Confersil, sendo o modelo ‘Flyer’, por 10€. O qual ando a averiguar bem, para saber que peças é que são necessárias, que peças é que fazem sentido ser restauradas, que peças é que tem de ser feitas, o preço/peso/beneficio disto tudo e, se vale a pena seguir com este quadro o não, se o melhor é ir procurar outro.

Já sem alguma peças

Já sem alguma peças

Ficam aqui os alguns dados e problemas relativos ao quadro, garfo e componentes:
Quadro: “SM Flyer”, 2600g, 54cm, aço normal, ou seja, não é Reynolds, nem Columbus nem Tange, nem nada de espectacular como este Kona Kapu e esta Gios Compact PRO. É um quadro normalíssimo, com soldaduras também muito normais e algumas imperfeições na construção. Está bem alinhado e sim, é bastante pesado.
Tubo do eixo do pedaleiro: 65mm. < vai-me obrigar a usar o eixo que já vinha com a bicicleta (que parece ok, embora não goste nada deste tipo de eixos..), já que não existem eixos com esta medida nem com espaçadores que a compensem.
Tubo de direcção: 25,4mm (1″) de diâmetro e altura de 11cm.
Tubo do espigão do selim: 25mm de diâmetro. < A única marca que conheço que ainda faz esta medida é a Kalloy Uno
Tubo horizontal: 55cm;
Tubo vertical (onde está o espigão do selim): 54cm e 29mm de diâmetro.
BB ao eixo da roda traseira: 43cm
Eixo da roda traseira: 126mm de largura.< Que supostamente só têm espaço para cubos antigos com cassettes de 6/7 velocidades. No entanto basta fazer alguma força nas escoras (para abrir) e encaixar lá um cubo com 130mm, e funciona na perfeição. VER: http://www.sheldonbrown.com/frame-spacing.html

Logotipo e autocolante da marca SM

Logotipo e autocolante da marca SM


Totalmente desmontada

Totalmente desmontada

O quadro têm ainda as escoras um pouco mal alinhadas, o que não parece afectar o alinhamento das rodas nem a sua rotação:

Mau alinhamento das escoras trazeiras

Mau alinhamento das escoras trazeiras

… bem como esta peça que reforça as escoras trazeiras:

Mau alinhamento de algumas partes do quadro

Mau alinhamento de algumas partes do quadro

Garfo: 776g (peso normal mesmo hoje em dia, basta olhar para os garfos da Surly ou Salsa), aço e de rosca, ~4cm rake e com a coluna de direcção com 14.7cm.
Caixa de direcção: de rosca e apenas com um dos apertos preparados para chaves, o outro aperto é completamente redondo, teve de ser tirado com alicate e nem a pesei porque vou comprar uma Stronglight A9, mais amiga de instalações ;).

Caixa de direcção / threaded headset

Caixa de direcção / threaded headset

“Avanço”: Não tinha marca, 247g, 85cm de extensão, 15.5cm de altura, 25.4cm de diâmetro para o guiador. O encaixe no garfo tem 22cm de diâmetro.
Pedaleiro: Stronglight (já não têm lá coisas antigas) 170mm, 672g, 52×42, “Tapered Square”, BCD de 98mm (será possível?) e esqueci-me de medir o Q-Factor e espaço entre corrente e quadro. Penso que também seja em aço.
Este pedaleiro vem infelizmente, com um dos braços defeituosos, já que alguém deve ter feito asneira ao tentar remove-los e, na ausência de uma ferramenta adequada, acabou por moer aquilo e abrir um ‘buraco’ novo e fazer ranhuras novas, com um diâmetro superior ao do outro braço e, naturalmente, ao de qualquer ferramenta para sacar os crenques. O que me deixa bastante irritado, já que gosto imenso deste pedaleiro e tem um bom peso também.

Pedaleiro Stronglight

Pedaleiro Stronglight


Eixo Pedaleiro: Cicclo Fapril (no eixo mesmo diz ‘Ciclo Fapril’. Diz ainda que é “Fabricado em Portugal” e, de facto, até foram, já que essa empresa ainda existe), 320gr, assimétrico (35-48-40 mm) com 113mm no total.
Travões: Lusito M81 (fabricados em Portugal por uma empresa que penso existir ainda hoje, a Sociedade Ciclista Lusitana, Lda.), 256gr (o par).
Travões Lusito M81

Travões Lusito M81


Não sei se são bons ou não, a construção não parece ser muito boa. Têm apenas um parafuso para encaixar no quadro (ao centro), e vou usa-los porque o quadro não vem com os suportes que se usam hoje em dia para os travões:
Local onde o travão de trás encaixa

Local onde o travão de trás encaixa


Desviadores: Simplex. Só vinha com o desviador da frente, o de trás já tinha ido embora com as rodas há muito tempo. O que me deixa enrascado para ver como posso adequar um desviador moderno a este quadro (que não tem um suporte como esta Peugeot de 1970), já que precisa de um suporte grande (tipo o gancho deste para ficar assim), diferentes dos suportes actuais. E talvez tenha de fazer (pedir a quem faça) esta peça…
Eixo trazeiro

Eixo trazeiro


Manípulos dos desviadores: Estavam no tubo e penso serem da Simplex também. Não faço a mínima ideia se eram ou não indexados (se eram não se nota :P) nem, e refiro-me ao de trás, quantas mudanças tinha.
Manípulos dos desviadores

Manípulos dos desviadores

Selim: Tabor, não sei o modelo, pesa 441gr e é preto.
Espigão do Selim: Não tinha nada marcado, pesa 288g (é curto também), mas a Miralago faz uns exactamente iguais que até vinham na minha primeira bicicleta, e é do mais retrograda que há.
Guiador: é leve (não o pesei), não é ergonómico (como é natural), mas infelizmente não têm a minha medida e terei de comprar outro.

Tenho já definidos, como é obvio, os componentes que quero, onde os vou comprar e o preço, peso, transportes de tudo. Mas como não é definitivo ainda, fica para depois. O peso, vai-se ficar pelas 9,500gr. Preferia que fossem 9kg ou menos de 9, mas com um quadro de 2600g, é dificil fazer milagres com um orçamento de apróx. 600€. O que acaba por não me preocupar nada.

Relativamente a essa coisa do restauro, até nem sei se é uma palavra bem escolhida, já que só vou usar algumas peças que vinham com ela (‘avanço’, garfo, eixo pedaleiro, crenques e, em príncipio, o espigão do selim), mais por questões de orçamento e falta de componentes compatíveis, do que por estima. Quero restaurar uma estética antiga, de tubos finos, com cromados e uma geometria clássica, mas a funcionar com tanta eficácia como qualquer outra bicicleta actual e, principalmente, com um quadro/garfo de aço por este preço. Para a semana, espero ainda tomar uma decisão sobre a pintura, que ainda não me decidi se vai ser preta ou aproveitar a cor actual, e o acabamento.

Entretanto, peço desculpas por não traduzir coisas com BB (bottom bracket), Rake, Tapered Square e mais algumas.. não faço a mínima ideia de como se diz isso em português de forma a que faça sentido. Quem souber que diga :)

10 Comments

    • Lguerra
    • Posted Abril 28, 2009 at 2:34 am
    • Permalink

    Dr. Kosmos, Viva!

    Também eu tenho uma SM Flyer, mas com quadro Reynolds 521. Foi-me oferecida, nova, quando tinha eu 14 anos… agora tenho 38 e ainda é nela que pedalo.

    Andava aqui pela net à procura de respostas, quando me deparo com este seu restauro que tanto me surpreendeu e agradou!

    Saberá porventura dizer-me o que significa o Reynolds 521? É o tipo de aço usado? Isso é bom sinal?

    Tenho visto bicicletas novas e de marca (na ordem dos 500 a 700 euros) que pesam tanto, ou quese, como a minha SM(10,5Kg), que é de aço e que monta componentes que pouco ligeiros serão comparativamente ao que por aí se vê e se paga! Será que tem algo que ver com o Reynolds 521?

    Já agora, parece-me que também o meu quadro tem algum desalinhamento nas escoras, o que afecta um pouco o centrar da roda traseira. Como resolvo isso?

    Ao longo do tempo fui fazendo alguns melhoramentos, mas nada de material de ponta, coisas básicas (porque há uns anos não existia toda esta oferta desenfreada de marcas, ligas, compostos, etc…): guiador, espigões de selim e de guiador, cubos das rodas, pedaleira e crenque, originalmente em aço, passaram a ser de alumínio; as rodas já eram de alumínio, mas foi preciso mudá-las com o uso que lhes dei; também as manetes foram trocadas por umas Lusito que passam o cabo por baixo da fita do guiador.

    Os travões (ferraduras, como lhes chamávamos)são os mesmos de sempre e iguais aos da sua SM: Lusito.

    A minha SM trazia de origem um carreto de 5v e desviadores de marca FM, mas recentemente coloquei-lhe um carreto de 7v e um desviador dianteiro e traseiro: tudo material da Sachs já fora de linha, mas que me fizeram, e fazem, uma grande serventia, precisamente porque duvido que naquele quadro entrem mais que as 7v.

    Para poder montar o desviador traseiro, comprei na Decathlon uma pequena peça (da Shimano) que se fixa no desviador e que vai enganchar no veio da roda ao lado do gancho da escora, enquanto que um pequeno parafuso tranca a peça de forma a evitar que rode em torno do veio. Para o dianteiro não houve qualquer problema de adaptação. Penso que no que toca a desviadores não terá grandes problemas! Já nos manípulos das mudanças, tive de ficar com os mesmos de sempre, que são de tacto e de jeitinho, sem cliques, sem indexações, nem outras complicações… :)
    Continuação de bom restauro!
    LGrr

    • Lguerra
    • Posted Abril 28, 2009 at 2:37 am
    • Permalink

    Esqueci-me de referir que o quadro é da Confersil!
    Lgrr

    • usaralho
    • Posted Abril 28, 2009 at 8:40 am
    • Permalink

    Quanto aos preços das bicicletas novas basta esperar que passe todo o entusiasmo em volta deste desporto. Uma coisa é fazer ciclismo porque impressiona as miúdas, outra é gostar de bicicletas e andar com qualquer uma (bicicleta :P ). Eu próprio estou exactamente no mesmo processo com uma bicicleta francesa.

    • drkosmos
    • Posted Abril 28, 2009 at 10:56 pm
    • Permalink

    Olá Lguerra!
    Agradeço-lhe desde já as informações sobre o quadro, quer sobre a marca como sobre o desviador trazeiro que já me estava a preocupar :)
    Sobre o Reynolds 521, não sou a pessoa mais adequada para lhe responder, mas refere-se de certeza ao aço usado, já que Reynolds é uma empresa e 521 é – à falta de melhor expressão – um aço fabricado segundo as especificações deles. Não sei sobre o 521, mas os quadros feitos com material da Reynolds costumam ser leves e, segundo o que se lê em foruns, são bons. O que provávelmente é o caso do seu! Lá história e patentes não lhes faltam (à Reynolds) e também existem frabricantes de quadros que dão uma opção de aço normal, que penso ser o 4130, e em Reynolds (ou de outra marca).

    Sobre as escoras não vejo assim solução à vista a não ser fazer alguma batotice na colocação da roda.

    Assim que tiver novidades vou postando!

    • drkosmos
    • Posted Abril 28, 2009 at 10:58 pm
    • Permalink

    usaralho, uu sei, foram os teus posts sobre as bicicletas antigas e que vais arranjando, que me motivaram também a procurar uma ;)

    • Lguerra
    • Posted Abril 29, 2009 at 1:13 am
    • Permalink

    drkosmos, grato pela resposta.
    Devo dizer que andava empenhado em encontrar uma bicicleta de estrada nova, para dar um pouco de descanso à minha SM e para satisfazer um desejo de há muito, entretanto sempre adiado pelos preços exorbitantes que se praticam.

    Mas este seu restauro levou-me a arrepiar caminho (pelo menos por enquanto)e a pensar seriamente em entrar nas passerelles do cicloturismo com uma bela SM Flyer com quadro clássico de aço!

    Tal como no seu caso, não existe a pretensão de a repor ao estado de original a nível de componentes, mas sim a de introduzir alguns melhoramentos, tornando-a mais leve e eficaz. O problema são os autocolantes…

    Espero para ver os avanços do seu projecto.
    LGrr

    • João Luis
    • Posted Junho 8, 2009 at 5:31 pm
    • Permalink

    faz-me lembrar a 1ª máquina que tive aos 17 anos. Parabéns

    • Jose Manuel
    • Posted Julho 14, 2009 at 10:14 pm
    • Permalink

    Restaurei uma bicicleta de passeio que era do meu avô. Na primeira vez que andei nela parti o crenco da roda pedaleira. Foiu soldado mas não resultou.

    Será que alguem me sabe dizer onde é que posso arranjar uma roda pedaleira strong lighr com o crenco que liga ao pedal em meia cana conforme me parece que é essa que é objecto de apresentação neste site.

    Desde já muito obrigado e os melhores cumprimentos,

    José Manuel

    • António Cruz
    • Posted Dezembro 16, 2012 at 7:03 pm
    • Permalink

    Tenho uma Diana com reynoldsd521 butted, que me ofereceram, deve ter cerca mais de 40 anos, será que tem valor? Está impecável, e tenho-a bem guardada.

    • Anónimo
    • Posted Novembro 1, 2013 at 12:01 am
    • Permalink

    Boa noite
    Tenho uma bicicleta semelhante mas da marca ESMALTINA. Tenho-a à 10 anos aproximadamente. Custou-me “obrigado” , mas tenho ideia que é uma bicicleta dos anos 70 ou 80. Neste momento estou a desmancha-la para a recuperar o mais possível original. A bicicleta estava completa e já tenho muitas peças polidas e limpas, prontas para serem montadas. Resta-me as rodas que ando de volta dos aros para ver se tiro um empeno e tenho de comprar pneus. A corrente também estava em muito mau estado.
    Também ando às voltas com o desviador traseiro ” FM ” que parece não estar bom, mas ainda não foi revisto.


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